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IBJR contesta campanha Block no Tigrinho e defende diferenciação entre bets legais e ilegais
A recente campanha “Block no Tigrinho”, lançada por artistas e personalidades do entretenimento brasileiro, gerou forte repercussão no setor de apostas online. Criada com o objetivo de alertar a população sobre possíveis impactos negativos das apostas digitais, a iniciativa passou a ser alvo de críticas por parte de representantes da indústria regulada, que apontam inconsistências nos dados divulgados e a ausência de distinção entre operadores autorizados e plataformas clandestinas.
Entre as entidades que se manifestaram está o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), organização que representa empresas licenciadas para atuar no mercado regulado brasileiro. Em posicionamento oficial, o instituto afirmou que o debate sobre os riscos associados às apostas deve focar principalmente no combate às operações ilegais, consideradas o principal problema do setor atualmente.
Segundo o IBJR, a campanha mistura empresas autorizadas pelo Governo Federal com operadores clandestinos, o que pode gerar desinformação entre consumidores e dificultar o entendimento sobre os mecanismos de proteção existentes no ambiente regulado.
Campanha questiona crescimento das apostas online
O vídeo “Block no Tigrinho”, protagonizado por artistas conhecidos nacionalmente, busca conscientizar a população sobre possíveis prejuízos financeiros e sociais relacionados às apostas online. No entanto, representantes do mercado regulado afirmam que algumas informações apresentadas na peça publicitária não correspondem aos dados oficiais divulgados pelos órgãos governamentais.
Uma das afirmações contestadas envolve o volume financeiro movimentado pelas apostas online. A campanha menciona que aproximadamente R$ 143 bilhões teriam sido destinados ao setor. Contudo, conforme dados divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas, o Gross Gaming Revenue (GGR) do mercado regulado brasileiro alcançou R$ 36,9 bilhões em 2025.
O GGR representa a receita bruta obtida pelas operadoras após o pagamento dos prêmios aos apostadores, sendo um dos principais indicadores utilizados globalmente para medir o desempenho do setor.
Dados sobre endividamento também são contestados
Outro ponto criticado pelo IBJR está relacionado ao percentual de brasileiros endividados que teriam realizado apostas online. O vídeo afirma que 57% dos inadimplentes do país participam desse tipo de atividade.
Entretanto, a entidade destaca que os números não são compatíveis com as estatísticas disponíveis. De acordo com levantamentos do Serasa, o Brasil possui aproximadamente 83,3 milhões de pessoas negativadas. Caso o percentual citado fosse correto, isso representaria mais de 47 milhões de indivíduos.
Por outro lado, dados da Secretaria de Prêmios e Apostas indicam a existência de cerca de 25,2 milhões de CPFs cadastrados nas plataformas regulamentadas. Segundo o IBJR, a diferença entre os números demonstra inconsistências na narrativa apresentada pela campanha.
IBJR defende foco no combate ao mercado ilegal
Na avaliação do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, o principal desafio enfrentado atualmente pelo setor não está nas empresas autorizadas, mas sim nas operações clandestinas que atuam sem supervisão governamental.
A entidade afirma que o chamado “jogo predatório”, mencionado pelos organizadores do movimento, ocorre justamente em ambientes não regulamentados, onde não existem mecanismos de proteção ao consumidor, exigências de identificação dos usuários ou fiscalização por parte das autoridades competentes.
Segundo o instituto, direcionar esforços exclusivamente contra o mercado regulado pode enfraquecer as empresas que cumprem as regras e, ao mesmo tempo, favorecer operadores ilegais que continuam atuando sem qualquer controle.
Exigências impostas às empresas licenciadas
As operadoras autorizadas pelo Governo Federal, identificadas pelo domínio “.bet.br”, estão sujeitas a uma série de exigências regulatórias criadas para ampliar a segurança dos apostadores.
Entre as principais medidas estão:
- Reconhecimento facial obrigatório para validação de identidade;
- Processos de verificação cadastral;
- Ferramentas de autoexclusão;
- Definição de limites de depósitos;
- Controle de tempo de jogo;
- Monitoramento de comportamento de risco;
- Proibição de pagamentos via cartão de crédito;
- Restrições ao uso de criptomoedas como método de pagamento.
Para o IBJR, essas medidas representam avanços significativos na proteção da saúde financeira e mental dos consumidores, alinhando o mercado brasileiro às melhores práticas internacionais de jogo responsável.
Impacto econômico do mercado regulado
Outro argumento apresentado pela entidade envolve a contribuição econômica das empresas autorizadas. Segundo o posicionamento oficial, o mercado regulado destinou aproximadamente R$ 9,95 bilhões em tributos e repasses legais somente em 2025.
Esses recursos são direcionados para áreas como esporte, turismo, educação, segurança pública e outras políticas públicas previstas na legislação brasileira.
Em contraste, o instituto cita estudos produzidos pelo Instituto Locomotiva e pela LCA Consultoria que apontam que plataformas ilegais movimentam cerca de R$ 40 bilhões por ano fora do alcance das autoridades.
Além disso, as perdas fiscais decorrentes dessas operações clandestinas seriam estimadas em aproximadamente R$ 10,8 bilhões anuais.
Publicidade das bets também entra no debate
A discussão sobre publicidade de apostas voltou ao centro das atenções após a divulgação da campanha. Para o IBJR, eventuais restrições devem ser direcionadas prioritariamente às empresas que operam de forma ilegal.
Segundo a entidade, plataformas clandestinas frequentemente utilizam influenciadores digitais, redes sociais e canais alternativos para atrair consumidores sem apresentar informações sobre riscos, políticas de proteção ou mecanismos de controle.
Já as operadoras autorizadas precisam seguir regras específicas de comunicação e publicidade determinadas pela regulamentação vigente.
O instituto argumenta que a publicidade das empresas licenciadas possui também um papel informativo, ajudando os consumidores a identificar quais plataformas estão autorizadas a atuar no país.
Risco de fortalecimento das plataformas clandestinas
Na visão do IBJR, restringir excessivamente a comunicação das empresas reguladas pode gerar um efeito contrário ao esperado. Isso porque operadores ilegais não seguem as mesmas regras e continuariam promovendo seus serviços sem limitações.
Com menor visibilidade das marcas autorizadas, consumidores poderiam ter mais dificuldade para diferenciar plataformas legais das clandestinas, aumentando a exposição a ambientes sem qualquer proteção regulatória.
A entidade ressalta que o fortalecimento do mercado regulado é uma das principais estratégias para reduzir a participação dos operadores ilegais e ampliar a segurança dos usuários.
Instituto se coloca à disposição para o diálogo
Ao final de sua manifestação, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável afirmou estar aberto ao diálogo com os organizadores da campanha “Block no Tigrinho”. O objetivo seria contribuir tecnicamente para o debate e esclarecer informações que possam gerar interpretações equivocadas sobre o funcionamento do setor.
Segundo a entidade, a construção de um ambiente sustentável para apostas no Brasil depende de discussões baseadas em dados, transparência e diferenciação clara entre operadores autorizados e aqueles que atuam à margem da legislação.
Para acompanhar outras atualizações sobre regulamentação e segurança no setor, confira os conteúdos das categorias Jogo Responsável, Legislação e iGaming no ConexaoBet.
Mais informações institucionais sobre o tema podem ser consultadas no portal oficial do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
Fonte: iGB Brasil (igamingbusiness.com) e Autor: Gildo Mazza

