O fim dos repasses vinculados às Bets pode retirar cerca de R$ 2,623 bilhões do esporte olímpico e paralímpico brasileiro até o fim de 2027, segundo projeção calculada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). O levantamento considera recursos que deixariam de chegar ao Ministério do Esporte, ao COB, ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), ao Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e a outras entidades.
Bets e esporte entram em novo cenário regulatório
A mudança decorre da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro. A norma proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa no território nacional, abrangendo apostas sobre eventos esportivos reais e jogos on-line. A MP está em tramitação no Congresso Nacional e tem força de lei enquanto estiver vigente.
O modelo anterior de distribuição estava baseado na legislação das apostas de quota fixa. A Lei nº 14.790/2023 estabelecia percentuais da arrecadação destinados a diferentes áreas e entidades esportivas. Entre eles estavam 22,20% para o Ministério do Esporte, 2,20% para o COB, 1,30% para o CPB e 0,70% para o CBC, além de parcelas destinadas a outras organizações do setor.
O impacto sobre o esporte, portanto, está relacionado à interrupção de uma fonte de recursos criada no processo de regulamentação das apostas. Para acompanhar o contexto jurídico dessa mudança, veja a cobertura sobre legislação das apostas.
COB projeta perda de até R$ 130 milhões em 2027
Entre as entidades diretamente afetadas está o COB. A organização projetava receber entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões em recursos das apostas em 2027. O valor corresponde a aproximadamente 20% de um orçamento anual estimado em R$ 600 milhões.
Entre 2025 e setembro de 2026, o comitê recebeu cerca de R$ 200 milhões provenientes das apostas e esperava outros R$ 25 milhões até o encerramento de 2026. Com a interrupção da fonte de receita, a preparação do Time Brasil para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028 continua como prioridade, mas outras despesas poderão ser revistas.
Segundo Marco La Porta, presidente do COB, a entidade poderá reduzir gastos em determinadas áreas e recorrer ao fundo de reserva para administrar o impacto financeiro. Projetos previstos para os próximos anos também podem ser adiados.
“Nosso maior impacto será no ano que vem porque não terá arrecadação. Ou seja, são R$ 125 milhões a menos a dois anos dos Jogos Olímpicos, e claro isso terá consequências”, afirmou Marco La Porta, segundo O Globo.
De acordo com o dirigente, o COB deverá voltar a trabalhar com um nível de recursos semelhante ao período anterior à entrada dos repasses das apostas.
CPB e CBC também calculam impacto
O esporte paralímpico também deverá enfrentar uma redução de receitas. O CPB recebeu R$ 57,4 milhões provenientes das apostas em 2025 e outros R$ 54,1 milhões até setembro de 2026. Para 2027, a projeção era de aproximadamente R$ 82,1 milhões.
O CBC, por sua vez, estima uma redução de cerca de R$ 50 milhões em suas receitas. A entidade também precisará reavaliar o planejamento financeiro diante da interrupção dos repasses vinculados às apostas.
O impacto alcança ainda outras organizações beneficiadas pelo modelo previsto na legislação. Além do Ministério do Esporte, COB, CPB e CBC, havia percentuais destinados à Confederação Brasileira do Desporto Escolar, à Confederação Brasileira do Desporto Universitário, ao Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos, ao Comitê Brasileiro do Esporte Master e a secretarias estaduais de esporte.
Confederações terão de rever planejamento
As confederações esportivas também estão entre as entidades afetadas. A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) recebeu R$ 13 milhões provenientes das apostas em 2025 e aproximadamente R$ 6 milhões em 2026.
Na Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), cerca de R$ 5 milhões foram recebidos desde abril de 2025. Os recursos estavam previstos para projetos de alto rendimento e formação de atletas, mas ainda aguardavam regras para aplicação.
Apesar do cenário, o COB pretende preservar os repasses programados às confederações. Em 2026, foram previstos R$ 285 milhões para projetos dessas entidades. Segundo a organização, a estratégia será manter o volume de repasses, sem ampliá-lo, enquanto os cortes devem ocorrer em outras áreas do próprio COB.
Parte dos recursos das apostas havia sido direcionada ao fundo de reserva técnica do COB durante o período de insegurança jurídica envolvendo a regulamentação. Paralelamente, os repasses às confederações foram ampliados com recursos vinculados à Lei Agnelo Piva.
Impacto ocorre durante preparação para Los Angeles-2028
A interrupção dos recursos acontece durante o ciclo de preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. Para as entidades esportivas, a necessidade de reorganizar orçamentos ocorre em um período de planejamento de competições, formação de atletas e preparação das delegações.
A projeção de R$ 2,623 bilhões também não representa necessariamente o impacto financeiro total sobre o esporte. O próprio levantamento não contabiliza recursos recebidos diretamente por algumas confederações em função das apostas relacionadas às respectivas modalidades.
Com a mudança regulatória, COB, CPB, CBC, confederações e outras entidades terão de buscar alternativas para compensar a redução das receitas previstas. O alcance definitivo da perda dependerá ainda da tramitação da MP nº 1.394/2026 e dos próximos passos do modelo de financiamento do esporte.
Para acompanhar as mudanças que envolvem as apostas esportivas e seus efeitos sobre o setor, a Conexão Bet mantém cobertura específica do tema. Outros desdobramentos do mercado também estão disponíveis na seção de iGaming.
Fonte: Focus Gaming News, com informações de O Globo | Autor: Henriquea
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