Novos relatos sobre o escândalo de superuser no poker online indicam que pelo menos dois sites receberam alertas anteriores sobre uma conta suspeita identificada como “Paul Gregg”. Segundo informações publicadas pelo PokerNews com base em relatos do portal Poker Red, um dos sites teria banido a conta, confiscado US$ 100.000 e reembolsado jogadores considerados prejudicados.
O caso faz parte de uma investigação sobre um ataque direcionado envolvendo softwares de terceiros utilizados por jogadores de high stakes. De acordo com o comunicado do Jurojin Poker, um invasor conseguiu substituir determinados pacotes de atualização por versões adulteradas que, em alguns casos, continham uma ferramenta de acesso remoto capaz de permitir a visualização das telas dos usuários.
Escândalo de superuser envolve conta Paul Gregg
A conta Paul Gregg aparece em relatos da comunidade como uma das identificadas no episódio. O ataque teria como alvo cerca de 30 jogadores de high stakes, embora ainda não esteja definido publicamente o número total de pessoas afetadas ou de sites envolvidos.
O jogador de poker Ignacio Moron é apontado pelo Poker Red como uma das pessoas prejudicadas. Segundo o relato reproduzido pelo PokerNews, Moron estima ter perdido entre US$ 100.000 e US$ 200.000 para a conta suspeita, incluindo uma perda de US$ 60.000 em aproximadamente 15 minutos.
As perdas e a atribuição da conta ao suposto esquema fazem parte dos relatos da comunidade e não devem ser tratadas como conclusões definitivas de uma investigação oficial.
Sites teriam recebido alertas sobre a conta
Um dos novos elementos do caso é a informação de que sites de poker teriam sido avisados anteriormente sobre o comportamento da conta Paul Gregg.
De acordo com o PokerNews, o coach Patrick Howard, do Mobius Poker, enviou em setembro um relatório à GGPoker alertando sobre comportamentos considerados suspeitos. Howard não teria acusado diretamente a conta de trapaça naquele momento, mas pediu que a plataforma realizasse uma investigação mais aprofundada.
Posteriormente, Howard afirmou nas redes sociais que a GGPoker havia entrado em contato para informar sobre o andamento da investigação.
O episódio coloca em evidência a importância de mecanismos de monitoramento e investigação em ambientes de poker online, especialmente em partidas de limites elevados, nas quais valores significativos podem estar envolvidos.
Outro site teria confiscado US$ 100 mil
Segundo os relatos publicados pelo PokerNews, outro site de poker teria identificado a conta Paul Gregg mais de dois anos atrás e tomado medidas contra ela.
O jogador de high stakes Mario Mosbock, descrito como embaixador da plataforma, afirmou que a equipe de segurança identificou a conta, confiscou US$ 100.000 e posteriormente a baniu.
Patrick Leonard, também citado como embaixador da plataforma, afirmou que a conta foi identificada cerca de um ano antes, depois de ter jogado por menos de uma semana no site. Segundo Leonard, a equipe não sabia exatamente qual era o método utilizado, mas havia percebido que o jogador parecia ter acesso a mais informações do que os demais participantes.
“O futuro do poker online está nas mãos dos sites e do quanto eles estão dispostos a investigar e agir contra bots e personagens isolados como este”, escreveu Leonard.
Leonard também afirmou que aproximadamente 100 jogadores haviam levantado suspeitas sobre a conta Paul Gregg junto a sites de poker anos antes. Essas declarações são atribuídas ao profissional e não representam, por si só, uma confirmação independente de que a conta tenha cometido trapaça.
Jurojin confirma comprometimento de software
O Jurojin Poker, um dos softwares de terceiros citados no caso, publicou um comunicado detalhando o incidente. Segundo a empresa, entre junho de 2025 e junho de 2026 um invasor conseguiu substituir de forma intermitente o pacote de atualização distribuído a um grupo específico de usuários por uma versão adulterada.
O comunicado afirma que alguns desses pacotes continham uma ferramenta de acesso remoto. A empresa classificou a operação como direcionada e afirmou que o objetivo era visualizar remotamente as cartas fechadas de adversários específicos, principalmente em partidas de high stakes.
“Esta foi uma operação altamente direcionada, e não um ataque em massa. Ela foi realizada por um trapaceiro conhecido visando adversários específicos, a maioria em high stakes, com o objetivo de visualizar remotamente suas cartas fechadas.”
De acordo com o Jurojin, o mesmo agente também teria direcionado o IntuitiveTables e operado sites de phishing que imitavam salas de poker e ferramentas conhecidas do segmento.
A empresa informou ainda que mantém registros das versões comprometidas e das datas em que foram distribuídas. Entre as medidas adotadas estão restrições adicionais ao acesso a configurações sensíveis, registros de downloads realizados nos servidores e exigência de múltiplos fatores de autenticação em pontos considerados críticos.
Investigação ainda deixa questões em aberto
Apesar dos novos relatos, ainda não está claro quantos sites foram efetivamente afetados pela violação de softwares ou quantos jogadores tiveram suas informações expostas. O Jurojin afirma que aproximadamente 30 jogadores de high stakes foram alvos conhecidos da operação e que entrou em contato individualmente com os usuários afetados.
A própria página de segurança do Jurojin alerta que alguns nomes associados ao caso são provenientes de investigações da comunidade e constituem acusações que não foram confirmadas por uma investigação pública oficial. A empresa também afirma que não verificou independentemente cada nome de usuário mencionado nos relatos.
O cenário reforça a necessidade de distinguir as informações confirmadas pelas empresas envolvidas das alegações publicadas por jogadores, especialistas em segurança e veículos especializados.
Casos históricos de superuser no poker
Escândalos envolvendo contas com suposto acesso privilegiado não são novidade no poker online. O caso mais conhecido é o de Russ Hamilton, associado à conta “POTRIPPER”, que participou de um dos maiores escândalos da história do setor no fim dos anos 2000.
Naquele episódio, jogadores do Absolute Poker e do Ultimate Bet foram prejudicados por uma conta que possuía acesso indevido a informações das mãos. O caso se tornou uma referência histórica para discussões sobre integridade, auditoria e segurança no poker online.
O episódio envolvendo Paul Gregg apresenta características diferentes, já que os relatos atuais apontam para o comprometimento de softwares de terceiros utilizados por determinados jogadores. Ainda assim, a situação reacende o debate sobre a capacidade das plataformas de identificar comportamentos anormais e agir rapidamente diante de denúncias.
Segurança passa a ser foco no poker online
O novo escândalo amplia as discussões sobre segurança digital no poker online e sobre a relação entre salas de poker e ferramentas de terceiros utilizadas pelos jogadores.
Além da proteção dos servidores das plataformas, o episódio mostra a importância de avaliar softwares instalados nos computadores dos jogadores, sistemas de atualização e mecanismos capazes de detectar acessos não autorizados.
Enquanto novas informações não esclarecem a extensão total do caso, as alegações envolvendo a conta Paul Gregg permanecem sob investigação e devem ser tratadas com cautela. O comunicado do Jurojin confirma o comprometimento de determinadas versões de seu software, mas não estabelece, por si só, todas as conexões entre a vulnerabilidade e as contas mencionadas nos relatos da comunidade.
Fonte: PokerNews | Autor: Connor Richards

