A expansão dos mercados de previsão está intensificando a disputa com empresas tradicionais de apostas esportivas nos Estados Unidos e na Europa. Em artigo publicado em 8 de outubro de 2026, o iGaming Future analisa como a Polymarket tenta consolidar seu posicionamento regulatório europeu como plataforma de contratos financeiros, enquanto concorrentes como DraftKings e FanDuel enfrentam a pressão de um modelo que combina negociação de probabilidades e eventos futuros.
O debate ganhou visibilidade após Matt Kalish, cofundador da DraftKings, descrever os mercados de previsão como “niche as f**k”, expressão que pode ser traduzida como “extremamente de nicho”. Segundo o artigo, a declaração foi atribuída inicialmente ao CEO Jason Robins, mas teria sido feita por Kalish. A troca de provocações ilustra a disputa de narrativa entre empresas tradicionais de apostas e plataformas que procuram se apresentar como mercados financeiros.
Mercados de previsão pressionam empresas tradicionais de apostas
Os mercados de previsão permitem negociar contratos vinculados a resultados de acontecimentos futuros. Dependendo da plataforma e do contrato, esses eventos podem envolver esportes, política, entretenimento ou assuntos geopolíticos. Seus operadores defendem que os produtos podem ser enquadrados como derivativos financeiros, enquanto autoridades de diferentes jurisdições avaliam se determinadas ofertas se aproximam de apostas sujeitas à legislação de jogos de azar.
O artigo do iGaming Future destaca a valorização atribuída à Kalshi, estimada em US$ 20 bilhões, em comparação com o valor de mercado da DraftKings, indicado em US$ 9,45 bilhões no texto original. Esses números são referências apresentadas pela publicação e correspondem ao contexto de mercado considerado pelo autor, não a uma comparação atualizada independentemente nesta matéria.
A análise também menciona a posição da FanDuel, controlada pela Flutter Entertainment, como uma das principais concorrentes da DraftKings no mercado norte-americano de apostas esportivas. Na avaliação editorial do iGaming Future, o avanço das plataformas de previsão ameaça a posição das empresas tradicionais ao oferecer uma forma diferente de negociar expectativas sobre resultados.
A rivalidade ficou evidente nas redes sociais. Após a declaração de Kalish, a Kalshi respondeu com uma referência ao filme “Meninas Malvadas”, utilizando o meme “por que você está tão obcecado por mim?”. O episódio transformou uma divergência sobre o tamanho e a relevância do segmento em uma disputa pública de comunicação.
Polymarket busca espaço regulatório na Europa
Um dos pontos centrais da análise é a estratégia da Polymarket para expandir suas operações na Europa. Segundo o iGaming Future, representantes da empresa vêm mantendo conversas com autoridades financeiras europeias para defender que os contratos oferecidos pela plataforma sejam tratados como derivativos, e não como apostas tradicionais.
Uma fonte não identificada ouvida pela publicação afirmou que a Polymarket se reuniu e continuava em contato com reguladores financeiros de alguns países europeus com o objetivo de obter licenças na região. A informação foi apresentada pelo veículo como parte de uma estratégia para buscar um enquadramento semelhante ao defendido pela empresa nos Estados Unidos.
Essa abordagem é importante porque a classificação jurídica determina quais autorizações podem ser necessárias, quais órgãos terão competência para fiscalizar a atividade e quais obrigações serão aplicadas ao operador. A defesa de um enquadramento financeiro pela própria plataforma, contudo, não significa que esse entendimento seja aceito automaticamente pelas autoridades de cada país.
O cenário europeu também não é uniforme. As regras para serviços financeiros, derivativos e jogos de azar podem variar de uma jurisdição para outra. Por isso, a possibilidade de operar em um país não deve ser interpretada como autorização geral para oferecer os mesmos contratos em toda a Europa.
Disputa regulatória também ocorre nos Estados Unidos
O artigo aponta que a Polymarket enfrenta questionamentos de autoridades estaduais norte-americanas, além de atuar em um ambiente que envolve a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), reguladora federal dos mercados de derivativos de commodities nos Estados Unidos.
A distinção entre supervisão federal e regras estaduais está no centro de parte da disputa. Enquanto as plataformas defendem que seus contratos se enquadram na legislação federal aplicável aos mercados financeiros, autoridades estaduais podem questionar se determinados produtos constituem apostas e se exigem licenças específicas de jogos.
O texto original cita ações e conflitos regulatórios envolvendo estados como Nevada, Nova Jersey e Nova York. Esses episódios demonstram que o enquadramento dos mercados de previsão permanece sujeito a disputas jurídicas e interpretações diferentes, e não deve ser tratado como uma questão definitivamente resolvida em todo o território norte-americano.
Para acompanhar o debate institucional, a Commodity Futures Trading Commission é uma fonte oficial de informações sobre a regulação federal dos mercados de derivativos nos Estados Unidos. A atuação da agência, por si só, não determina que todos os produtos oferecidos por plataformas de previsão estejam autorizados em todas as jurisdições.
Predictstreet segue uma estratégia diferente
Enquanto a Polymarket procura avançar por meio do enquadramento financeiro, o artigo cita a ADI Predictstreet, iniciativa de mercados de previsão associada à FIFA, como exemplo de uma abordagem distinta. Segundo a publicação, a operação registrou-se como empresa de apostas licenciada em Gibraltar.
A diferença de posicionamento evidencia que empresas do segmento podem escolher caminhos regulatórios diferentes conforme seus objetivos comerciais, os produtos oferecidos e as jurisdições em que pretendem operar. A classificação escolhida ou defendida por uma empresa, entretanto, não substitui a avaliação das autoridades competentes.
O artigo também menciona Gibraltar como uma jurisdição que abriga operadores internacionais de iGaming. A quantidade exata de empresas offshore citada no texto não foi estabelecida de maneira independente nesta matéria e, por isso, não é utilizada como dado confirmado.
O impacto competitivo para DraftKings e FanDuel
A expansão dos mercados de previsão coloca as empresas tradicionais diante de questões estratégicas relacionadas à oferta de produtos, ao posicionamento regulatório e à relação com os consumidores. DraftKings e FanDuel construíram suas operações de apostas esportivas sob regimes de licenciamento específicos, enquanto plataformas de previsão procuram demonstrar que seus contratos pertencem a uma categoria jurídica diferente.
Essa diferença pode afetar a concorrência, mas também gera incerteza. Caso determinados contratos sejam autorizados sob regras financeiras em uma jurisdição, isso não significa necessariamente que as mesmas ofertas possam ser disponibilizadas sem licença de apostas em outros mercados. A interpretação dependerá das características do produto e da legislação aplicável.
Para o setor de iGaming, o debate amplia a discussão sobre as fronteiras entre jogos de azar e produtos financeiros. Para as empresas de apostas esportivas, a questão envolve tanto a concorrência comercial quanto a necessidade de acompanhar mudanças regulatórias que possam alterar as condições de atuação.
A análise do iGaming Future apresenta a provocação de Kalish e a resposta da Kalshi como parte de uma disputa mais ampla pela definição do futuro dos mercados de previsão. A estratégia europeia da Polymarket, os conflitos regulatórios nos Estados Unidos e a abordagem da Predictstreet mostram que o setor ainda busca consolidar modelos de operação e enquadramentos jurídicos.
Os próximos desdobramentos dependerão das decisões das autoridades e dos tribunais, bem como das licenças efetivamente concedidas em cada jurisdição. Até que esses pontos estejam definidos, a classificação dos mercados de previsão continuará sendo uma questão central para empresas tradicionais de apostas, plataformas financeiras e reguladores.
Para mais informações sobre o ambiente regulatório do setor, consulte também a seção de legislação do Conexão Bet.
Fonte: iGaming Future | Autor: André Dubronski

