A regulamentação dos afiliados está mudando a forma como operadores e parceiros comerciais avaliam a aquisição de jogadores na América Latina. Durante a SiGMA North America 2026, especialistas discutiram como o novo ambiente regulatório aumenta a importância da retenção, da mensuração e do valor gerado pelos usuários, enquanto a experiência móvel ganha espaço na expansão do iGaming regional.
O debate ocorreu durante o painel “Regulamentação e Receita”, que analisou os ecossistemas estaduais e provinciais de afiliados. A discussão teve participação de representantes de empresas como Logrand Entertainment Group, Scalar Partners, Admattic, Google e Microsoft Advertising para a Aleph.
Regulamentação muda a economia dos afiliados
Christopher Guzman Reyes, chefe de afiliados do Logrand Entertainment Group, conduziu o painel. Segundo a discussão apresentada pela SiGMA, a autorização para operar em um mercado não significa liberdade irrestrita para publicidade nem garante que uma empresa consiga escalar suas operações.
O Brasil foi utilizado como um dos principais exemplos dessa mudança. Guga Júnior, influenciador e especialista em slots da Scalar Partners, afirmou que a regulamentação reduziu significativamente o número de afiliados, aumentou o controle sobre a publicidade e elevou os custos de aquisição.
De acordo com o relato do painel, campanhas que anteriormente priorizavam grandes volumes de primeiros depósitos passaram a considerar com maior atenção o período de atividade dos usuários, a retenção e o valor financeiro gerado ao longo do relacionamento com a plataforma.
Nesse cenário, o número de cadastros ou de primeiros depósitos pode deixar de ser suficiente para medir a qualidade de uma campanha. Uma carteira menor, mas composta por jogadores que permanecem ativos e apresentam maior valor ao longo do tempo, pode ter mais relevância para a operação.
Retenção ganha espaço na avaliação dos jogadores
Andrés Gómez, líder de Go-To-Market da Admattic para a América Latina, defendeu durante o painel uma remuneração maior para usuários cujo valor vitalício possa ser mensurado. A análise desloca o foco de indicadores isolados de aquisição para o comportamento posterior do jogador.
Essa mudança também afeta a forma como as operadoras avaliam seus parceiros. Limites de depósito, permanência na plataforma e comportamento após o primeiro depósito passam a integrar a análise da qualidade do tráfego.
A regulamentação dos afiliados, portanto, influencia não apenas as formas de divulgação, mas também os critérios usados para determinar quais aquisições efetivamente geram valor comercial.
O tema também reforça a necessidade de estruturar contratos e modelos de remuneração de acordo com as características de cada mercado, evitando que uma única métrica seja utilizada para avaliar diferentes perfis de usuários.
Mensuração passa a ser parte central da estratégia
Outro ponto discutido no evento foi a integração das ferramentas de mensuração. Yambot Aguilera, diretor de vendas para jogos de azar e finanças no Google, destacou a importância de conectar corretamente os sistemas utilizados por afiliados e operadores.
Quando diferentes empresas trabalham com números distintos para o mesmo fluxo de usuários, a comparação dos resultados fica prejudicada. A falta de integração também pode dificultar a otimização das campanhas e gerar divergências sobre a origem e a qualidade do tráfego.
Paula Gabriel Jiménez, diretora de crescimento de clientes da Microsoft Advertising para a Aleph, acrescentou que a disputa por determinadas palavras-chave pode provocar canibalização entre operadores e afiliados. Nesse cenário, investimentos maiores em publicidade não necessariamente significam maior participação no mercado.
Para acompanhar a jornada do usuário de maneira adequada, a estrutura de mensuração precisa relacionar a origem do tráfego com etapas posteriores, como cadastro, depósito e permanência na plataforma.
O tema pode ser aprofundado na seção de afiliados do Conexão Bet, que reúne conteúdos relacionados ao segmento.
América Latina exige estratégias específicas
Os participantes também discutiram as diferenças entre os mercados latino-americanos. México e Peru receberam avaliações favoráveis durante o painel, enquanto o Chile permaneceu como um mercado acompanhado de perto diante das discussões regulatórias.
A avaliação dos especialistas reforçou que a América Latina não deve ser tratada como um único mercado de aquisição. Brasil, México, Peru e Chile apresentam diferenças regulatórias, comportamentais e comerciais que influenciam a estratégia dos operadores.
Guga Júnior apontou a aquisição orgânica e os influenciadores como possíveis pontos de partida para estratégias locais. Em uma etapa posterior, a utilização de criadores especializados em cassino ou apostas esportivas poderia ser considerada de acordo com o perfil de cada território.
Gómez enfatizou marcas regulamentadas, aplicativos móveis, infraestrutura de mensuração e tráfego orientado por desempenho. Aguilera citou a combinação entre embaixadores, busca do Google e vídeo, enquanto Jiménez defendeu a diversificação entre Google, Microsoft e estratégias adaptadas ao comportamento regional.
As abordagens apresentadas indicam que a expansão regional depende da combinação entre conhecimento das regras locais, monitoramento dos resultados e capacidade de ajustar campanhas de acordo com as condições de cada mercado.
Experiência móvel entra na disputa pelos próximos 50 milhões
A experiência do usuário também esteve no centro da programação da SiGMA North America 2026. Fellipe Fraga, Diretor de Negócios da Stellar Gaming, apresentou em 3 de setembro a palestra “A população móvel da América Latina: conquistando os próximos 50 milhões de jogadores de iGaming”.
Segundo os dados apresentados durante a palestra, mais de 75% do tráfego de iGaming na América Latina vem de smartphones. Com isso, o desempenho das plataformas móveis se torna um elemento relevante para etapas como cadastro, navegação, depósitos, apostas e saques.
Uma página lenta, uma interface pouco intuitiva ou dificuldades durante pagamentos podem criar obstáculos na jornada do usuário. Nesse contexto, a experiência mobile passa a estar relacionada não apenas à aquisição, mas também à conversão e à retenção.
Para acompanhar outros conteúdos sobre o mercado, o leitor pode consultar a seção de iGaming do Conexão Bet.
Progressive Web Apps e pagamentos locais
Fraga também destacou os Progressive Web Apps como uma alternativa para oferecer experiências semelhantes às de aplicativos diretamente pelo navegador. A solução pode ser relevante em mercados nos quais o smartphone concentra grande parte da jornada dos usuários.
Os pagamentos locais foram outro ponto abordado. O palestrante citou o Pix no Brasil e o SPEI no México como exemplos de métodos que fazem parte da infraestrutura financeira utilizada pelos consumidores em seus respectivos mercados.
Em apostas ao vivo, a velocidade da experiência pode ganhar importância adicional, já que o usuário toma decisões durante a realização dos eventos esportivos. A facilidade para localizar mercados, inserir valores e concluir operações passa a fazer parte da jornada de utilização.
Para conhecer mais conteúdos relacionados ao setor, a seção de iGaming oferece informações sobre diferentes segmentos do mercado.
Regulamentação e tecnologia moldam a próxima fase
O debate realizado na SiGMA North America 2026 mostrou que a transformação do mercado latino-americano ocorre em diferentes frentes. A regulamentação dos afiliados altera os critérios de aquisição e remuneração, enquanto a mensuração busca aproximar o investimento publicitário do valor efetivamente gerado pelos usuários.
Ao mesmo tempo, a experiência móvel e a infraestrutura de pagamentos aparecem como elementos importantes para a jornada digital. Segundo a SiGMA, a edição do evento ocorreu na Cidade do México entre 1º e 3 de setembro de 2026 e reuniu discussões sobre iGaming, tecnologia, afiliados, pagamentos e regulação.
O cenário apresentado pelos especialistas reforça que estratégias de aquisição precisam considerar as características específicas de cada país. Em vez de uma fórmula única para toda a América Latina, operadores e afiliados precisam adaptar canais, mensuração e experiência às regras e ao comportamento dos mercados em que atuam.
Fonte: SiGMA World | Autor: Luiz Vinicius

