O mercado de bets no Brasil deve continuar crescendo em ritmo de dois dígitos nos próximos anos, segundo avaliação do Bradesco BBI. Em relatório sobre o setor de apostas na América Latina, o banco aponta a regulação, a adoção digital e o potencial de expansão entre os consumidores como fatores que sustentam essa perspectiva.
O estudo também estima que a receita bruta de jogos, conhecida pela sigla GGR, alcance cerca de US$ 20 bilhões no Brasil em 2026, após uma expansão de 33% no ano anterior.
Bets no Brasil avançaram após mercado regulado
De acordo com o levantamento divulgado pelo Brazil Journal, o GGR do mercado brasileiro de bets chegou a US$ 17 bilhões no ano passado, um crescimento de 33%. Antes da regularização, a estimativa do Bradesco BBI apontava para um mercado de aproximadamente US$ 13 bilhões.
O mercado regulado de apostas de quota fixa entrou em funcionamento em 1º de janeiro de 2025. Segundo o Ministério da Fazenda, desde essa data apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) podem operar nacionalmente, enquanto as plataformas autorizadas utilizam domínios com a extensão “.bet.br”.
A estrutura regulatória também estabeleceu mecanismos de supervisão e monitoramento das operações, incluindo o Sistema de Gestão de Apostas (Sigap).
Para acompanhar o contexto regulatório do setor, veja também os conteúdos sobre legislação das apostas no Brasil.
Bradesco BBI projeta crescimento de 11% em 2026
Após o avanço registrado no ano anterior, o Bradesco BBI projeta uma desaceleração do ritmo de expansão em 2026. Ainda assim, a expectativa é de crescimento de 11%, levando o GGR brasileiro para aproximadamente US$ 20 bilhões.
O banco avalia que o ritmo de crescimento deve permanecer em dois dígitos nos anos seguintes. Uma das justificativas apresentadas é que a penetração das bets no Brasil ainda estaria abaixo da observada em mercados mais maduros.
Segundo o relatório, cerca de 22% dos adultos brasileiros utilizam plataformas de bets. Para os analistas, a combinação entre uma base de usuários ainda com espaço para expansão, a regulamentação e o elevado nível de adoção digital contribui para a perspectiva de crescimento sustentado.
Mercado de bets ganha participação no varejo
O avanço das apostas também aparece nos dados relacionados ao consumo. O relatório aponta que as plataformas de bets movimentam o equivalente a 3,4% das vendas líquidas do varejo brasileiro, ante 2,7% em 2023.
A projeção do Bradesco BBI é de que essa participação chegue a 3,5% em 2026. No comércio eletrônico, a proporção é ainda maior: a receita das bets online equivale a 12,3% do mercado, acima dos 8,3% registrados em 2023.
Os números ajudam a dimensionar a presença econômica das apostas, embora não representem participação acionária ou faturamento do varejo. O indicador utilizado pelo banco compara a movimentação das bets com as vendas líquidas do comércio.
O cenário pode ser acompanhado em conjunto com os conteúdos sobre o mercado de apostas esportivas no Brasil.
Relatório aponta impacto sobre consumidores
O crescimento das bets também aparece associado a preocupações sobre o comportamento de consumo. Empresas como Lojas Renner, Magazine Luiza, Casas Bahia, Assaí, GPA, Arcos Dorados e SmartFit mencionaram o avanço das apostas entre os fatores relacionados a resultados negativos, segundo o relatório citado pelo Brazil Journal.
A avaliação do Bradesco BBI, porém, relativiza a dimensão macroeconômica desse efeito. Para os analistas, o endividamento associado às apostas ainda representa um “risco marginal de carteira e de comportamento financeiro”, e não um problema macroeconômico de grande escala.
O relatório considera que o volume movimentado pelas bets já é relevante o suficiente para influenciar gastos discricionários, mas ainda não alcança uma dimensão capaz de afetar significativamente o consumidor em geral.
Gastos das famílias entram no radar
Apesar da avaliação de impacto sistêmico limitado, o estudo chama atenção para a relação entre apostas e orçamento familiar. O relatório indica que o gasto líquido médio de quem aposta em bets online chega a R$ 122 por mês.
Esse valor corresponde, segundo o levantamento, a 7,5% do salário mínimo de 2026. Quando são consideradas outras modalidades de bets, incluindo jogo do bicho e apostas online não regulamentadas, o percentual pode chegar a 15% do salário mínimo, conforme os cálculos apresentados no relatório.
O documento também relaciona esse cenário ao nível de endividamento das famílias brasileiras. Segundo os dados citados, 82% das famílias possuem algum tipo de dívida, enquanto quase 30% do orçamento familiar estaria comprometido com pagamentos relacionados a essas obrigações.
Perfil dos apostadores no Brasil
O levantamento do Bradesco BBI também traça um perfil dos usuários de bets. De acordo com os dados apresentados, 68% dos apostadores são homens, e quase metade desse grupo tem até 30 anos.
Outro dado destacado é a quantidade de plataformas utilizadas pelos apostadores. Cerca de 48% dos usuários utilizam apenas um site de apostas, enquanto 25% recorrem a quatro ou mais plataformas.
Para o banco, essa distribuição indica a existência de uma parcela de usuários bastante ativa, responsável por concentrar uma parte relevante dos gastos do setor.
O avanço do mercado ocorre, portanto, em paralelo à ampliação da regulamentação e à maior presença das apostas no comportamento de consumo. Informações sobre plataformas e o segmento podem ser consultadas na seção de sites de apostas do Conexão Bet.
Perspectiva segue positiva para as bets
Na avaliação do Bradesco BBI, a desaceleração projetada para 2026 não representa uma mudança na trajetória estrutural do setor. O banco vê espaço para que o mercado brasileiro mantenha taxas de crescimento de dois dígitos nos próximos anos.
A perspectiva está baseada principalmente na combinação entre a regulamentação do mercado, a penetração ainda inferior à de mercados mais maduros e o elevado grau de digitalização dos consumidores brasileiros.
Ao mesmo tempo, o próprio relatório destaca que a expansão das bets traz efeitos sobre o consumo e exige atenção ao comportamento financeiro dos usuários. O cenário coloca o crescimento do setor em conjunto com os desafios relacionados à sustentabilidade desse mercado e à proteção dos consumidores.
Fonte: Brazil Journal | Autor: Pedro Borg

