Mercado regulado se prepara para explosão de apostas na Copa
Faltando poucas semanas para o maior torneio de futebol do planeta, empresas de tecnologia, KYC e pagamentos do mercado regulado brasileiro intensificaram os preparativos para suportar a explosão de acessos e transações esperada durante a Copa do Mundo 2026.
Com o setor oficialmente regulamentado no Brasil pela Secretaria de Prêmios e Apostas, operadores e fornecedores de infraestrutura afirmam estar preparados para garantir rapidez, segurança e estabilidade durante o evento esportivo.
As exigências regulatórias envolvendo KYC, monitoramento financeiro, prevenção à fraude e processamento de pagamentos obrigaram o setor a realizar investimentos pesados em infraestrutura tecnológica.
O cenário é considerado histórico para o mercado nacional de iGaming, já que será a primeira Copa do Mundo realizada após a regulamentação oficial das apostas esportivas no Brasil.
Empresas reforçam infraestrutura para suportar alta demanda
As principais provedoras de KYC e pagamentos já ampliaram suas estruturas para lidar com um aumento massivo de tráfego durante os jogos.
Segundo Caio Brisola, VP de Produtos da Legitimuz, a empresa aumentou a redundância de servidores e criou mecanismos automáticos de fallback para garantir estabilidade mesmo em cenários extremos.
De acordo com o executivo, a meta é manter o uptime em 99,9%, mesmo com um crescimento de tráfego superior a cinco vezes o volume atual.
A Unico também afirma estar preparada para enfrentar os picos de acessos. Fernanda Beato, General Manager da empresa, revelou que somente em abril foram processados mais de 2,78 milhões de onboardings e aproximadamente 50 milhões de movimentações relacionadas ao setor de apostas.
Segundo ela, a expectativa para a Copa do Mundo é ultrapassar 150 milhões de transações ao longo do torneio.
| Empresa | Preparação para a Copa |
|---|---|
| Legitimuz | Infraestrutura preparada para até 10x mais tráfego |
| Unico | Expectativa de 150 milhões de transações |
| OKTO PAYMENTS | Sistemas redundantes e gestão de liquidez em tempo real |
| Pay4Fun | Reforço em compliance e monitoramento operacional |
Rapidez no cadastro virou diferencial competitivo
No mercado regulado, velocidade no onboarding deixou de ser apenas uma questão de experiência do usuário e passou a representar vantagem competitiva.
Segundo executivos do setor, qualquer atraso durante o cadastro pode resultar em abandono imediato da plataforma.
Um estudo realizado pela Legitimuz apontou que mais da metade dos apostadores brasileiros possui cadastro em duas ou mais casas de apostas.
Isso significa que qualquer lentidão pode fazer o usuário migrar rapidamente para outro operador.
Brisola afirma que a verificação facial da empresa leva menos de três segundos, fator considerado decisivo para melhorar conversões.
Já a Unico destaca que sua tecnologia de Revalidação Inteligente permite autenticações até 15 vezes mais rápidas em comparação aos processos tradicionais.
Segundo Fernanda Beato, o tempo médio de onboarding caiu para aproximadamente 21 segundos graças ao uso de widgets integrados e reaproveitamento de documentos.
Pix domina pagamentos nas apostas esportivas
As empresas de pagamentos também reforçaram seus sistemas para lidar com o crescimento esperado durante a competição.
Leonardo Chaves, General Manager da OKTO PAYMENTS Brasil, destacou que a Copa criará um novo perfil de usuário: pessoas que nunca apostaram antes e que exigirão processos rápidos e simples.
Hoje, cerca de 99% das transações relacionadas a apostas esportivas no Brasil utilizam o Pix como método principal.
Segundo os especialistas, isso aumenta ainda mais a necessidade de estabilidade operacional e processamento instantâneo.
Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, afirmou que a empresa investiu fortemente em infraestrutura, compliance e escalabilidade para enfrentar os picos de movimentação.
O executivo acredita que os jogos da Seleção Brasileira deverão concentrar os maiores volumes de depósitos, apostas e saques.
Copa terá mais jogos e mais oportunidades de apostas
A edição de 2026 da Copa do Mundo promete bater recordes de movimentação financeira no mercado global de apostas esportivas.
O torneio contará com 48 seleções e 104 partidas, representando um aumento significativo em relação às edições anteriores.
Segundo Leonardo Chaves, a Copa do Qatar movimentou aproximadamente US$ 35 bilhões em apostas esportivas globais.
Para 2026, analistas projetam números até cinco vezes maiores.
| Copa do Mundo | Número de Jogos | Estimativa de Apostas |
|---|---|---|
| Qatar 2022 | 64 jogos | US$ 35 bilhões |
| 2026 | 104 jogos | Até 5x mais movimentação |
O crescimento da competição aumenta diretamente o número de janelas de apostas ao vivo, cenário que pressiona ainda mais as plataformas.
Fraudes e lavagem de dinheiro preocupam o setor
Além da escalabilidade tecnológica, as empresas também estão focadas no combate a fraudes e lavagem de dinheiro.
Executivos do setor afirmam que grandes eventos esportivos costumam atrair tentativas de uso indevido de identidade, contas falsas e movimentações financeiras suspeitas.
Segundo Caio Brisola, entre os comportamentos mais monitorados estão saques fracionados, rollover insuficiente e divergências entre contas de depósito e saque.
Para enfrentar esses riscos, a Legitimuz desenvolveu um sistema de monitoramento AML com alertas automáticos e relatórios voltados para auditoria e comunicação ao COAF.
A preocupação com segurança também acompanha o crescimento das plataformas clandestinas de apostas.
Mercado legal aposta em rastreabilidade do Pix
Especialistas do setor defendem que o combate às bets ilegais passa diretamente pelo sistema financeiro.
Como praticamente todas as transações acontecem via Pix, o mercado regulado acredita que a rastreabilidade financeira pode dificultar a operação de plataformas clandestinas.
Segundo Leonardo Chaves, bloquear apenas sites ilegais não é suficiente. O foco deve estar na interrupção das movimentações financeiras suspeitas.
O executivo também alerta que o mercado regulado precisa oferecer experiência rápida e eficiente para competir com operadores ilegais.
“Apostar legalmente precisa ser mais fácil, rápido e seguro do que operar fora do sistema”, afirmou.
O fortalecimento da rastreabilidade financeira ocorre em paralelo às diretrizes estabelecidas pelo Banco Central do Brasil e pelos órgãos reguladores do setor.
Experiência do usuário será decisiva durante a Copa
Os especialistas concordam que a Copa do Mundo será um verdadeiro teste de maturidade para o mercado regulado brasileiro.
Mais do que suportar o volume de acessos, as plataformas precisarão oferecer experiência fluida para milhões de novos usuários.
Segundo executivos do setor, quase metade dos brasileiros que pretendem apostar durante a Copa normalmente não utiliza plataformas de apostas esportivas.
Isso significa que cadastro, depósito, navegação e saque precisarão funcionar de forma rápida e intuitiva para garantir retenção.
Para as empresas de pagamentos e KYC, o torneio representa uma oportunidade histórica de consolidação no mercado regulado brasileiro.
Fonte: iGB Brasil e Autor: Gildo Mazza

