O Governo de Minas Gerais anunciou R$ 32 milhões em novos patrocínios para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG após a publicação da Medida Provisória nº 1.394, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. Os recursos serão destinados por empresas estatais mineiras e representam uma tentativa de reduzir o impacto da perda de contratos com empresas de apostas.
O acordo foi anunciado em 29 de setembro, em Belo Horizonte. Atlético-MG e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, enquanto o América-MG terá direito a R$ 2 milhões. Segundo informações divulgadas após o anúncio, os acordos terão duração de um ano, com início financeiro previsto para janeiro de 2027.
Patrocínio aos clubes será dividido entre três equipes
O Atlético-MG foi representado por Renato Salvador, membro do conselho de administração da SAF. O Cruzeiro teve a participação de Pedro Lourenço, dono da SAF, enquanto Marcus Salum, coordenador do grupo de gestão, representou o América-MG.
As marcas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) serão utilizadas nos acordos. A definição dos espaços destinados aos logotipos ainda depende das negociações individuais com cada clube.
O anúncio ocorreu após a publicação da MP 1.394, que estabeleceu a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade de loterias de apostas de quota fixa no território nacional, incluindo modalidades relacionadas a eventos esportivos reais e jogos on-line virtuais.
Minas Gerais negocia apoio a outros clubes
Além dos três principais clubes de Belo Horizonte, o Governo de Minas Gerais informou que mantém conversas com o Athletic, de São João del-Rei, e o Uberlândia. Os dois clubes disputam, respectivamente, a Série B e a Série D do Campeonato Brasileiro, e os valores de eventuais patrocínios ainda não foram definidos.
A intenção anunciada pelo governo estadual é ampliar o apoio para cinco equipes mineiras. A medida, segundo o governador Mateus Simões, também busca estimular outras empresas do estado a investir no futebol.
Tivemos uma reunião pela manhã com a presidência da CEMIG e os representantes dos três times da capital.
Na avaliação do governador, o encerramento das atividades das empresas de apostas no país provocou um impacto financeiro nos clubes, que passaram a buscar novas fontes de patrocínio. O governo estadual afirma que os recursos não têm como objetivo substituir integralmente os contratos anteriores.
Contrapartidas serão incluídas nos contratos
Os patrocínios aos clubes deverão incluir contrapartidas além da exposição das marcas das empresas estatais. Entre as ações previstas estão iniciativas relacionadas ao futebol feminino, às categorias de base e à distribuição de ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda em partidas específicas.
As contrapartidas deverão ser definidas nos contratos individuais. O governo também informou que as negociações considerarão os acordos comerciais já mantidos pelos clubes, de modo que a definição dos espaços para as marcas das estatais não interfira nos contratos que permanecerem em vigor.
Em comunicado sobre a negociação, o Atlético-MG informou que recebeu a proposta apresentada pelo governo e dará continuidade às tratativas internas relacionadas à parceria.
MP 1.394 mudou contratos entre clubes e bets
A iniciativa mineira ocorre em meio à mudança provocada pela Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro. O texto proibiu, no território nacional, a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa, incluindo operações realizadas por agentes sediados no exterior que ofereçam apostas a pessoas no Brasil.
A MP também estabeleceu um período de transição para as empresas que estavam autorizadas a operar. As autorizações concedidas com base na legislação federal foram previstas para expirar no prazo estabelecido pela medida, enquanto os sites e aplicativos deveriam ser indisponibilizados após o período de transição.
O texto também determinou medidas para a restituição dos valores mantidos nas contas dos apostadores. A mudança regulatória afetou diretamente contratos de patrocínio esportivo que tinham empresas de apostas como anunciantes.
Para acompanhar o contexto regulatório, o leitor pode consultar a cobertura sobre legislação das apostas e as informações sobre apostas esportivas publicadas pelo ConexaoBet.
Patrocínios estaduais entram em novo cenário do mercado
O movimento do Governo de Minas ocorre enquanto clubes brasileiros avaliam os efeitos financeiros provocados pela saída das empresas de apostas de contratos de publicidade e patrocínio. A decisão também amplia a discussão sobre a dependência do futebol em relação ao setor de bets.
O anúncio mineiro não altera, por si só, as regras estabelecidas pela legislação federal. A MP 1.394 continua produzindo efeitos enquanto tramita no Congresso Nacional e estabelece as regras aplicáveis às apostas de quota fixa.
Para empresas e clubes que acompanham o mercado, o cenário também envolve mudanças na publicidade e no patrocínio relacionados às plataformas de apostas. O tema pode ser acompanhado na seção de casas de apostas do ConexaoBet.
A destinação dos R$ 32 milhões, portanto, representa uma iniciativa estadual de apoio aos três principais clubes de Belo Horizonte, enquanto as negociações com Athletic e Uberlândia ainda dependem de novas definições. Os valores destinados às duas equipes do interior não foram informados.
Fonte: iGaming Brazil | Autor: Luiz Vinicius

