Levantamento mostra mudanças no comportamento dos apostadores após regulamentação
Os resultados indicam que, embora o número de pessoas que apostam continue praticamente o mesmo, houve redução em diversos indicadores relacionados ao comprometimento da renda pessoal para financiar apostas, cenário que contrasta com os números registrados antes da regulamentação nacional das apostas esportivas e dos jogos online.
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Comprometimento financeiro apresenta queda
Um dos principais destaques do levantamento está relacionado ao impacto das apostas sobre o orçamento dos jogadores. De acordo com a pesquisa, 35% dos apostadores afirmaram já ter comprometido suas finanças pessoais em razão das apostas.
Embora o percentual ainda seja considerado significativo, ele representa uma redução de nove pontos percentuais quando comparado ao levantamento realizado em novembro de 2024, período em que 44% dos entrevistados declaravam enfrentar esse tipo de situação.
A diferença chama atenção porque o estudo atual foi realizado após a consolidação das regras que regulamentaram oficialmente o mercado brasileiro de apostas online em janeiro de 2025.
Especialistas avaliam que o ambiente regulado, aliado ao aumento das campanhas de conscientização sobre jogo responsável, pode ter contribuído para mudanças graduais no comportamento dos consumidores.
Uso de recursos financeiros também diminuiu
Além da redução no comprometimento geral das finanças, o levantamento identificou queda em praticamente todas as formas utilizadas pelos apostadores para conseguir recursos destinados às apostas.
Entre aqueles que apostam atualmente ou já tiveram experiência com plataformas de apostas esportivas e cassinos online, houve redução na utilização de economias pessoais, crédito e empréstimos para financiar esse tipo de entretenimento.
| Forma de financiamento | 2024 | 2026 |
|---|---|---|
| Uso da poupança | 22% | 19% |
| Deixou de comprar algum produto | 19% | 11% |
| Utilizou cartão de crédito | 15% | 10% |
| Pegou dinheiro emprestado | 15% | 8% |
| Deixou de pagar contas | 13% | 6% |
| Ficou inadimplente | 5% | 5% |
| Vendeu algum bem | 5% | 2% |
Os números demonstram uma tendência de redução em comportamentos considerados financeiramente mais arriscados. O único indicador que permaneceu estável foi o percentual de pessoas que relataram ter ficado inadimplentes em decorrência das apostas.
Apostas esportivas continuam estáveis
O levantamento também analisou especificamente o mercado de apostas esportivas online. Segundo o Datafolha, 6% dos brasileiros com 18 anos ou mais afirmam apostar atualmente, exatamente o mesmo percentual registrado em novembro de 2024.
Apesar da estabilidade recente, o índice permanece abaixo dos 8% observados em dezembro de 2023, quando o setor ainda aguardava a implementação das normas que regulamentariam a atividade no país.
Os dados mostram diferenças importantes entre os diferentes perfis de apostadores. Entre os homens, 9% afirmam apostar regularmente, enquanto entre as mulheres esse percentual cai para apenas 2%.
A faixa etária também exerce influência significativa. Os jovens entre 18 e 24 anos representam o grupo com maior participação nas apostas esportivas, alcançando 11%. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, apenas 1% declarou utilizar esse tipo de plataforma.
Outro dado relevante mostra que existe forte relação entre apostas esportivas e cassinos online. Entre os entrevistados que jogam em cassinos digitais, aproximadamente dois terços também realizam apostas esportivas regularmente.
Outros levantamentos sobre o mercado podem ser consultados na categoria de Relatórios do ConexaoBet.
Frequência das apostas varia entre os usuários
A pesquisa também buscou entender a frequência com que os brasileiros utilizam plataformas de apostas esportivas. Os resultados revelam que uma parcela expressiva dos apostadores mantém uma rotina constante de utilização.
Entre aqueles que realizam apostas atualmente, 36% afirmaram apostar uma vez por semana. Outros 21% disseram utilizar as plataformas diariamente, enquanto 19% realizam apostas apenas uma vez por mês.
Há ainda grupos menores que afirmam apostar a cada quinze dias (13%) ou com frequência inferior a uma vez por mês (11%). Os números demonstram que o público é bastante diversificado, reunindo desde usuários ocasionais até consumidores com hábitos muito mais frequentes.
Valor médio gasto apresenta comportamento diferente
Embora alguns indicadores relacionados ao comprometimento financeiro tenham apresentado redução, o gasto médio mensal com apostas esportivas mostrou comportamento distinto.
Segundo o levantamento, os apostadores desembolsam, em média, R$ 241 por mês nas plataformas de apostas esportivas online. O valor supera os R$ 216 registrados na pesquisa realizada em novembro de 2024, mas permanece abaixo dos R$ 268 observados em dezembro de 2023.
Esse resultado sugere que, mesmo com uma redução em comportamentos considerados financeiramente mais preocupantes, parte dos usuários continua destinando valores relevantes às apostas esportivas dentro de seus orçamentos.
Enquanto isso, o ambiente regulado brasileiro segue sendo acompanhado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, responsável pela supervisão das empresas autorizadas a operar no país.
Cassinos online mantêm participação semelhante entre os brasileiros
Além das apostas esportivas, a pesquisa também analisou o comportamento dos usuários de cassinos online. O levantamento aponta que 4% dos eleitores brasileiros com 18 anos ou mais afirmam jogar atualmente em plataformas digitais, percentual que permanece igual ao registrado na pesquisa realizada em novembro de 2024.
Entre homens e mulheres, a diferença é relativamente pequena quando comparada às apostas esportivas. Enquanto 4% do público masculino declarou utilizar cassinos online, entre as mulheres esse índice ficou em 3%, demonstrando uma distribuição mais equilibrada entre os gêneros.
O estudo também revelou uma mudança importante relacionada ao valor gasto pelos jogadores. O desembolso médio mensal caiu de R$ 354 em 2024 para R$ 232 na pesquisa realizada em 2026, indicando uma redução significativa nas despesas destinadas a esse tipo de entretenimento digital.
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Percepção da população sobre apostas continua predominantemente negativa
Além de mapear os hábitos dos apostadores, o Datafolha também buscou entender como a população brasileira enxerga as apostas esportivas e os jogos online. Os resultados mostram que a percepção predominante continua associada aos riscos da atividade.
Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados acreditam que as apostas representam um vício. Esse percentual aumentou em relação ao levantamento anterior, quando 54% compartilhavam dessa mesma opinião.
Outro grupo significativo, correspondente a aproximadamente um terço dos entrevistados, considera que apostar representa principalmente uma perda de dinheiro. Esse indicador permaneceu praticamente estável na comparação com os dados de 2024.
Por outro lado, apenas uma pequena parcela dos brasileiros possui uma visão positiva sobre esse tipo de entretenimento. Apenas 6% afirmaram enxergar as apostas como uma forma de diversão, enquanto somente 2% consideram a atividade um investimento ou uma oportunidade de geração de renda.
Mulheres e jovens são os grupos que mais associam apostas ao vício
A percepção de que as apostas podem provocar dependência varia conforme o perfil dos entrevistados. Entre as mulheres, 61% classificaram a prática como um vício, percentual superior aos 54% registrados entre os homens.
Os jovens entre 18 e 24 anos também demonstraram elevada preocupação. Nesse grupo, 64% afirmaram acreditar que as apostas online estão relacionadas ao desenvolvimento de comportamentos compulsivos.
O levantamento ainda identificou diferenças conforme o nível de escolaridade. Entre os entrevistados com maior grau de instrução, 60% associaram as apostas ao vício. Já entre aqueles com menor escolaridade, esse percentual ficou em 53%, enquanto 36% definiram a atividade principalmente como uma perda financeira.
Regulamentação continua transformando o mercado brasileiro
Os dados divulgados pelo Datafolha refletem um momento importante para a indústria nacional. Desde janeiro de 2025, o Brasil passou a contar com um mercado regulamentado de apostas de quota fixa, estabelecendo regras para operadores, mecanismos de fiscalização e exigências voltadas à proteção dos consumidores.
Entre as medidas implementadas estão processos de identificação dos usuários, políticas de prevenção à lavagem de dinheiro, monitoramento das operações, exigências relacionadas ao jogo responsável e ações destinadas à proteção de menores de idade.
Essas mudanças vêm sendo acompanhadas tanto pelos órgãos reguladores quanto pelas empresas licenciadas para atuar no país, que passaram a operar sob regras mais rígidas em comparação ao cenário anterior.
Mais informações sobre a regulamentação brasileira podem ser consultadas no portal da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Especialistas acompanham mudanças no comportamento dos consumidores
Embora o percentual de brasileiros que apostam tenha permanecido estável, os resultados sugerem mudanças graduais na forma como os consumidores administram seus recursos financeiros destinados às plataformas de apostas.
A redução na utilização de poupança, empréstimos, cartão de crédito e venda de bens para financiar apostas pode indicar um comportamento mais cauteloso por parte dos usuários. Ainda assim, especialistas destacam que o acompanhamento desses indicadores continuará sendo fundamental para avaliar os impactos da regulamentação ao longo dos próximos anos.
Ao mesmo tempo, os dados mostram que uma parcela significativa da população ainda associa as apostas a riscos financeiros e à possibilidade de desenvolvimento de dependência, reforçando a importância de políticas voltadas ao jogo responsável e à educação financeira.
Levantamento oferece retrato atualizado do mercado
Realizada em 139 municípios brasileiros com 2.004 eleitores maiores de idade, a pesquisa oferece um panorama atualizado sobre o comportamento dos consumidores em um dos primeiros anos completos após a implementação do mercado regulado.
Além de medir o número de apostadores, o estudo permite acompanhar indicadores relacionados aos gastos, frequência de utilização das plataformas, formas de financiamento das apostas e percepção da sociedade sobre o setor.
Essas informações são utilizadas por empresas, pesquisadores e órgãos públicos para compreender a evolução do mercado brasileiro e identificar tendências que poderão influenciar futuras decisões regulatórias e estratégias comerciais.
Perspectivas para os próximos levantamentos
Com a consolidação da regulamentação e a entrada de novas operadoras licenciadas no país, a expectativa é que os próximos estudos continuem monitorando a evolução do comportamento dos consumidores brasileiros.
Indicadores relacionados à frequência das apostas, gastos médios, percepção pública, jogo responsável e educação dos usuários deverão permanecer entre os principais temas observados nos próximos levantamentos, permitindo acompanhar de forma mais precisa os efeitos da regulamentação sobre o desenvolvimento sustentável da indústria.
Enquanto isso, operadores e autoridades seguem atentos aos dados produzidos por pesquisas independentes, que ajudam a compreender como o mercado evolui e quais medidas podem contribuir para um ambiente cada vez mais seguro, transparente e responsável para consumidores e empresas.
Outras pesquisas sobre o setor podem ser acompanhadas na seção de Relatórios do ConexaoBet. Informações institucionais sobre a regulamentação das apostas também estão disponíveis no portal oficial do Governo Federal.
Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

