Entain pressiona regulador inglês para barrar bets ilegais no futebol
A Entain, grupo proprietário das marcas Ladbrokes e Coral, intensificou a pressão sobre o futebol inglês ao solicitar oficialmente ao Regulador Independente do Futebol (IFR) que proíba acordos comerciais entre clubes da Premier League e operadoras de apostas sem licença no Reino Unido.
O pedido foi divulgado pela imprensa britânica após a identificação de ampla exposição de empresas consideradas ilegais durante partidas da principal liga de futebol da Inglaterra. Segundo a companhia, clubes estariam promovendo plataformas sem autorização da UK Gambling Commission em transmissões internacionais, ações digitais e publicidade nos estádios.
A movimentação ocorre em meio às mudanças regulatórias no mercado britânico de apostas esportivas e poucos meses antes da entrada em vigor da proibição de patrocínios master de casas de apostas na parte frontal das camisas da Premier League, prevista para a temporada 2026/27.
Entain aponta presença massiva de operadoras sem licença
De acordo com a Entain, 18 dos 20 clubes da Premier League exibiram publicidade de operadoras sem licença britânica durante a última temporada.
A exposição aconteceu por meio de placas de LED nos estádios, campanhas promocionais, ativações digitais e materiais direcionados principalmente ao público internacional.
Entre os clubes citados em reportagens da imprensa inglesa aparecem:
| Clube | Operadora associada |
|---|---|
| Everton | Stake |
| Sunderland | W88 |
| Fulham | SBOTOP |
| Bournemouth | bj88 |
| Burnley | 96.com |
Segundo a Entain, essas empresas operam sem licença da UK Gambling Commission, órgão responsável pela regulamentação do setor no Reino Unido.
CEO da Entain cobra ação imediata do regulador
A CEO da Entain, Stella David, afirmou que o futebol inglês está permitindo a promoção de plataformas ilegais dentro de um dos campeonatos mais assistidos do planeta.
Para a executiva, o IFR já possui instrumentos suficientes para impedir esse tipo de parceria comercial sem necessidade de novas legislações.
“O Regulador Independente do Futebol pode parar isso amanhã simplesmente reconhecendo que empresas de apostas não licenciadas que visam clientes do Reino Unido através do futebol inglês estão violando a lei”, declarou Stella David.
A executiva também argumentou que o regulador foi criado justamente para corrigir falhas de governança dentro do futebol inglês.
Segundo ela, permitir acordos comerciais com empresas não autorizadas representa um risco à integridade esportiva e ao ambiente regulado do setor.
Premier League já proibiu patrocínios master de apostas
A Premier League anunciou anteriormente que os clubes deixarão de exibir marcas de apostas na parte frontal das camisas a partir da temporada 2026/27.
A decisão foi adotada de forma voluntária pelos próprios clubes após pressão política e aumento das discussões sobre jogo problemático entre jovens britânicos.
Apesar disso, as equipes continuarão autorizadas a manter acordos comerciais com operadoras em outros espaços, incluindo:
- Mangas dos uniformes
- Kits de treino
- Publicidade digital
- Naming rights
- Placas de LED nos estádios
Na prática, os logotipos das empresas de apostas continuarão presentes durante transmissões esportivas, embora em formatos diferentes.
Mais conteúdos sobre o setor podem ser acompanhados na editoria de Aposta Esportiva.
Mercado ilegal preocupa autoridades britânicas
O crescimento das operadoras não licenciadas tem gerado preocupação entre autoridades, reguladores e empresas do setor regulamentado.
Segundo dados do Betting and Gaming Council (BGC), o mercado ilegal de apostas movimenta cerca de £ 4,3 bilhões por ano no Reino Unido, valor que supera R$ 31 bilhões na cotação atual.
Estudos da consultoria H2 Gambling Capital apontam que esse mercado clandestino pode atingir £ 17 bilhões nos próximos anos.
As principais preocupações envolvem:
- Ausência de proteção ao consumidor
- Risco de lavagem de dinheiro
- Fraudes financeiras
- Falta de mecanismos de jogo responsável
- Possível manipulação de resultados esportivos
Especialistas alertam que plataformas ilegais não seguem regras rígidas de compliance e fiscalização exigidas das empresas autorizadas pelo governo britânico.
Futebol inglês virou ferramenta de aquisição para bets ilegais
Segundo a Entain, o futebol se transformou em um dos principais canais de aquisição de clientes para operadoras ilegais.
A companhia afirma que transmissões internacionais da Premier League oferecem enorme visibilidade para essas empresas, permitindo que elas alcancem consumidores em diferentes países.
Pesquisas encomendadas pelo Betting and Gaming Council indicam que empresas não licenciadas podem representar mais da metade dos patrocínios esportivos do Reino Unido até o fim de 2027.
O estudo também mostra que os investimentos publicitários dessas plataformas devem triplicar em comparação aos níveis registrados em 2019.
Para acompanhar conteúdos sobre regulamentação do setor, acesse também a editoria de Legislação.
Premier League vive dilema financeiro e regulatório
A Premier League enfrenta atualmente um cenário delicado envolvendo receitas comerciais e pressão regulatória.
Os clubes ingleses dependem de contratos milionários firmados com empresas do setor de apostas para financiar operações, investimentos e contratações.
Ao mesmo tempo, cresce no Reino Unido o debate político sobre os impactos da publicidade de apostas no futebol e no comportamento dos torcedores mais jovens.
Enquanto parte do governo defende restrições mais duras, representantes da indústria afirmam que o mercado regulamentado precisa continuar competitivo para evitar o avanço das plataformas ilegais.
Até o momento, o Regulador Independente do Futebol Inglês ainda não divulgou decisão sobre o pedido apresentado pela Entain.
Também permanecem indefinidas as possíveis medidas adicionais que o governo britânico poderá adotar para endurecer o controle sobre empresas não licenciadas.
Informações oficiais sobre o campeonato inglês podem ser consultadas no portal da Premier League.
Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

