A Premier League inicia uma nova temporada com uma mudança relevante na relação entre clubes de futebol e empresas de apostas. A partir de 2026, as equipes não podem mais exibir marcas de apostas esportivas na parte frontal das camisas, após o fim do período de adaptação previsto pela nova regra.
A restrição foi aprovada pelos clubes da competição em 2023 e estabeleceu um prazo de três anos para que as equipes ajustassem seus contratos comerciais. A medida altera uma das principais propriedades de exposição disponíveis aos patrocinadores de apostas esportivas.
Como funciona a nova regra de patrocínio de bets
O novo regulamento impede que empresas de apostas ocupem a parte frontal das camisas dos clubes da Premier League. O espaço é considerado uma das propriedades comerciais de maior visibilidade no futebol e esteve entre os principais pontos de interesse das operadoras nos últimos anos.
Segundo o material analisado, 12 equipes exibiam empresas de jogos como patrocinadoras máster na última edição da competição. Com o fim do período de adaptação, os clubes precisaram substituir essas marcas na posição frontal.
A regra, porém, não representa uma proibição completa dos contratos entre clubes e empresas do setor. As marcas continuam podendo aparecer em outras propriedades comerciais, como mangas, costas das camisas e uniformes de treinamento.
Clubes buscam alternativas para preservar receitas
A manutenção de espaços alternativos permite que os clubes continuem desenvolvendo acordos comerciais com empresas de apostas, embora em posições diferentes das camisas de jogo.
O Manchester United, por exemplo, mantém um acordo com a Betway, citado no material como responsável por um pagamento anual de 20 milhões de libras. A exposição da marca ocorre em propriedade diferente da parte frontal da camisa.
O cenário mostra que a mudança regulatória não elimina o investimento do setor de apostas no futebol inglês. O que muda é a localização das marcas e, consequentemente, a forma como clubes e patrocinadores precisam estruturar suas propriedades comerciais.
Mercado de patrocínio passa por reavaliação
Thiciana Simão, CEO e cofundadora da AdSports, avalia que a entrada das casas de apostas no mercado de patrocínio esportivo elevou a concorrência por espaços de alta visibilidade.
“As casas de apostas chegaram com uma capacidade de investimento muito alta e passaram a disputar justamente os espaços mais nobres dos clubes.
Isso fez com que outros setores, como o financeiro, precisassem repensar a relação entre investimento, exposição e retorno.
Não basta oferecer uma camisa ou uma placa; é preciso entender o que aquela propriedade pode entregar para a marca e qual problema de negócio ela ajuda a resolver”.
Na avaliação da executiva, a disputa por propriedades comerciais mais relevantes aumentou a necessidade de os clubes demonstrarem o valor entregue por cada ativo de patrocínio. Nesse contexto, a mudança na regra da Premier League também abre espaço para uma reorganização das estratégias comerciais.
Quem ocupa a frente das camisas
Com a saída das empresas de apostas da parte frontal dos uniformes, os clubes passaram a trabalhar com patrocinadores de diferentes setores. Entre eles estão companhias aéreas, instituições financeiras, empresas de tecnologia, seguradoras e marcas de bebidas.
| Clube | Patrocinador principal | Setor |
|---|---|---|
| Arsenal | Emirates | Companhia aérea |
| Aston Villa | Visit Rwanda | Turismo |
| Bournemouth | Vitality | Seguros |
| Brentford | Indeed | Recrutamento |
| Brighton & Hove Albion | American Express | Setor financeiro |
| Chelsea | Sem patrocinador máster | — |
| Coventry City | Monzo | Setor financeiro |
| Crystal Palace | Temporal | Tecnologia |
| Everton | CMC Markets | Setor financeiro |
| Fulham | ClickHouse | Tecnologia |
| Hull City | Corendon Airlines | Companhia aérea |
| Ipswich Town | Halo | Tecnologia |
| Leeds United | Red Bull | Bebidas energéticas |
| Liverpool | Standard Chartered | Setor financeiro |
| Manchester City | Etihad Airways | Companhia aérea |
| Manchester United | Snapdragon | Tecnologia |
| Newcastle | Knox Hydrate | Bebidas energéticas |
| Nottingham Forest | Sem patrocinador máster | — |
| Sunderland | Sem patrocinador máster | — |
| Tottenham | AIA | Setor financeiro |
Patrocínio de bets continua presente no futebol
Apesar da mudança na parte frontal dos uniformes, a nova regra não elimina a presença das empresas de apostas no ecossistema comercial da Premier League. Os clubes podem utilizar outras propriedades para exposição das marcas, mantendo uma fonte relevante de receitas de patrocínio.
A alteração, portanto, estabelece uma limitação específica sobre a posição mais visível da camisa, em vez de encerrar os acordos entre equipes e empresas do setor.
Para o mercado de iGaming, a mudança representa uma adaptação importante na estratégia de exposição das marcas. Para os clubes, aumenta a necessidade de desenvolver propriedades comerciais capazes de oferecer retorno aos patrocinadores sem depender exclusivamente do espaço frontal do uniforme.
Nova fase para os acordos comerciais
A entrada em vigor da restrição marca uma nova etapa na relação entre apostas esportivas e futebol inglês. Os clubes continuam podendo trabalhar com empresas do setor, mas precisam distribuir a exposição por diferentes ativos comerciais.
Ao mesmo tempo, a presença de empresas de outros segmentos na frente das camisas mostra como o mercado de patrocínio permanece diversificado. A disputa por visibilidade envolve agora diferentes setores, cada um buscando associar sua marca à audiência e ao alcance dos clubes.
O modelo adotado pela Premier League será acompanhado pelo mercado como referência para a evolução das relações comerciais entre futebol e apostas, especialmente em um cenário no qual clubes e patrocinadores precisam equilibrar exposição, investimento e retorno.
Fonte: iGaming Brazil | Autor: Lucas Olivan

