O São Paulo Futebol Clube aderiu à campanha contra a proibição das apostas de quota fixa no Brasil durante a 31ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. No sábado (17), a equipe entrou em campo com a frase “Proibir não é proteger” estampada no espaço central da camisa, anteriormente ocupado pela patrocinadora máster Superbet. No estádio Morumbis, mensagens nos painéis publicitários também reforçaram a mobilização organizada por entidades ligadas ao mercado regulado de apostas.
A manifestação é direcionada à Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, citada pelas entidades como responsável pela proibição da atividade. O movimento utiliza a visibilidade do futebol brasileiro para ampliar o debate sobre as consequências da medida para os operadores, os apostadores e a cadeia comercial ligada ao esporte.
São Paulo leva protesto contra a proibição das apostas ao uniforme
A frase “Proibir não é proteger” ocupou o espaço central da camisa do São Paulo durante a partida válida pela 31ª rodada do Brasileirão. A área era anteriormente utilizada para a divulgação da marca Superbet, patrocinadora máster do clube.
Em rodadas anteriores, o time também havia exibido a marca Superscore, um site de estatísticas esportivas pertencente ao mesmo grupo empresarial da plataforma de iGaming. A iniciativa ocorre em um momento de mudanças na exposição de marcas relacionadas às apostas nos uniformes e nos espaços publicitários do futebol nacional.
Além do uniforme, as placas de publicidade do Morumbis exibiram mensagens como “A proibição não acaba com as apostas” e “Aposto que você não sabia”. A segunda frase faz referência a uma campanha de comunicação voltada à divulgação de informações sobre o mercado brasileiro de apostas.
Campanha reúne IBJR e ANJL
A mobilização foi idealizada pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), entidades que representam interesses do mercado regulado de apostas de quota fixa.
Durante a rodada, painéis publicitários de diferentes partidas do Campeonato Brasileiro exibiram frases como “Proteção de verdade começa com regras”, “O Brasil proibiu e o mercado ilegal invadiu” e “Regulamentar é proteger”. As mensagens apresentam a posição das entidades sobre os possíveis efeitos da proibição e defendem a manutenção de mecanismos regulatórios para o setor.
Em declaração reproduzida pela Focus Gaming News, Carlos Lima, presidente-executivo do IBJR, afirmou que a campanha pretende ampliar o debate público sobre os efeitos da medida.
“Estamos levando essa mensagem aos estádios porque a população precisa saber o que está em jogo. A proibição não fez a procura por apostas desaparecer. A proibição abriu espaço para o mercado ilegal, retirou as proteções de quem aposta e enfraqueceu os mecanismos de monitoramento e combate à manipulação de resultados esportivos. Proteger o consumidor e a integridade do esporte exige regras, fiscalização e combate à clandestinidade. É esse debate que queremos ampliar com a campanha”
O representante do IBJR associa a proibição ao risco de expansão do mercado clandestino e à redução das ferramentas de proteção ao consumidor. Essas afirmações refletem a posição da entidade que participa da campanha.
Entidades apontam riscos para os apostadores
Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, também comentou a iniciativa e destacou o alcance das partidas do Brasileirão como meio de divulgação da mensagem.
“Os jogos do Brasileirão têm grande visibilidade e alcance. Por isso, mais uma vez estamos levando a nossa mensagem sobre as consequências da extinção de forma abrupta e injustificada do mercado regulado. A principal delas é a ausência de proteção aos apostadores, que continuam sob os riscos de mais de 30 mil sites ilegais de apostas ativos no país”
O número mencionado pelo presidente da ANJL corresponde à estimativa apresentada na declaração reproduzida pela publicação original. A informação deve ser entendida como uma alegação atribuída à entidade, e não como uma contagem independente apresentada nesta reportagem.
As entidades argumentam que a retirada do mercado regulado não elimina necessariamente a procura por apostas e pode favorecer operadores clandestinos. Na avaliação defendida pela campanha, a existência de regras, fiscalização e mecanismos de controle é importante para a proteção dos consumidores e para o monitoramento da integridade das competições esportivas.
O debate também envolve a atividade de apostas esportivas e sua relação comercial com o futebol, incluindo patrocínios, publicidade nos estádios e exposição de marcas durante as transmissões. Os possíveis efeitos sobre esses segmentos são parte das preocupações apresentadas pelos representantes do setor.
Proibição das apostas amplia debate sobre regulação
A campanha nos estádios integra uma série de manifestações do setor esportivo e de entidades ligadas às apostas contra a MP nº 1.394/2026. A estratégia busca dar visibilidade às críticas à medida e defender uma discussão sobre o papel da regulamentação, da fiscalização e do combate à oferta ilegal.
O tema está relacionado às discussões mais amplas sobre legislação das apostas no Brasil, especialmente no que diz respeito às regras aplicáveis aos operadores, à publicidade e às ferramentas de proteção dos apostadores. O texto da medida provisória pode ser consultado na página da norma no Senado Federal.
As mensagens exibidas no Morumbis e em outros estádios expressam a posição das entidades favoráveis à continuidade de um mercado regulado. Os argumentos sobre o crescimento da oferta clandestina, a proteção dos consumidores e os efeitos sobre a integridade esportiva devem ser considerados dentro desse contexto de debate público.
Até que haja definições sobre o alcance e os desdobramentos da medida, a discussão sobre o futuro das apostas de quota fixa continua envolvendo agentes do setor, clubes de futebol e instituições públicas. A campanha promovida pelo IBJR e pela ANJL busca manter o tema em evidência por meio de um dos espaços de maior alcance do esporte nacional.
Fonte: Focus Gaming News Brasil | Autor: Equipe Editorial da Focus Gaming News

