Estudo com 25 milhões de CPFs expõe comportamento do mercado de apostas
A Legitimuz apresentou durante o Legitimuz Day 2026 um amplo levantamento sobre o perfil dos apostadores brasileiros cadastrados em plataformas reguladas no país. O estudo analisou dados de aproximadamente 25 milhões de CPFs únicos verificados em mais de 135 operadores licenciados com domínio “.bet.br”.
O evento ocorreu em São Paulo e reuniu operadores, especialistas, reguladores e executivos do setor de apostas e iGaming. Segundo a empresa, o objetivo do material é combater informações equivocadas frequentemente divulgadas sobre os usuários de plataformas de apostas online no Brasil.
O fundador e CEO da Legitimuz, Kayky Janiszewski, destacou que o levantamento utiliza informações reais de usuários verificados digitalmente.
“Isso aqui não é uma pesquisa, não é hipótese. São dados reais”, afirmou o executivo durante a apresentação.
Faixa etária dos apostadores surpreende mercado
Um dos pontos que mais chamou atenção no estudo foi a distribuição etária dos usuários. Diferentemente da percepção popular de que o setor seria dominado apenas por jovens, os dados mostram um público muito mais diversificado.
Usuários entre 25 e 34 anos representam a maior fatia da base analisada, totalizando 35,8% dos apostadores verificados.
| Faixa Etária | Percentual |
|---|---|
| 18 a 24 anos | 24,6% |
| 25 a 34 anos | 35,8% |
| 35 a 44 anos | 23,9% |
| 45 a 64 anos | 14,9% |
Segundo Janiszewski, existe um potencial pouco explorado pelas operadoras entre os usuários de meia-idade.
“A oportunidade está no público de 35 a 44 anos, que ainda recebe pouca atenção das campanhas do setor”, comentou.
Renda média fica entre R$ 1.500 e R$ 3.000
O levantamento também apresentou dados sobre o perfil financeiro dos usuários das plataformas regulamentadas.
De acordo com o estudo, 73% dos apostadores possuem renda mensal entre R$ 1.500 e R$ 3.000. A renda média presumida dos usuários cadastrados ficou próxima de R$ 2.500.
Além disso, aproximadamente 75% da base analisada pertence às classes D e E.
Apesar disso, o CEO da Legitimuz afirmou que os maiores volumes de depósitos não estão concentrados nessas classes sociais.
“Os grandes depositantes estão majoritariamente nas classes A e B. O público D e E gera mais volume de usuários, mas não necessariamente mais receita para as operadoras”, explicou.
Mulheres já representam mais de um terço dos apostadores
Outro dado relevante do white paper é a participação feminina no mercado regulado de apostas.
Segundo a Legitimuz, as mulheres representam 35,9% da base de usuários verificados.
O percentual se aproxima de mercados mais maduros, como o Reino Unido, onde a participação feminina varia entre 38% e 42%.
Para Janiszewski, o cenário brasileiro ainda apresenta forte potencial de crescimento.
“O Brasil pode não apenas alcançar esses números, mas até superá-los no futuro”, afirmou.
Usuários mantêm contas em várias plataformas
O estudo também identificou um comportamento comum entre os apostadores brasileiros: a utilização simultânea de múltiplas plataformas.
Mais da metade dos usuários mantém cadastro em dois ou mais operadores.
| Quantidade de plataformas | Percentual de usuários |
|---|---|
| 1 plataforma | 49% |
| 2 a 7 plataformas | 43% |
| 8 ou mais plataformas | 7,9% |
Segundo a análise, esse comportamento está diretamente relacionado à busca por promoções, bônus e melhores experiências de navegação.
O executivo destacou que o principal desafio das operadoras passa a ser retenção.
“O desafio agora é manter o usuário por relacionamento, experiência e produto, não apenas por bônus”, afirmou.
Android domina entre os apostadores brasileiros
Os dispositivos Android representam 77,5% dos aparelhos utilizados pelos apostadores brasileiros. Usuários de iPhone correspondem a apenas 22% da base.
Outro ponto importante revelado no levantamento é que metade dos usuários Android utiliza versões do sistema anteriores a 2023.
Isso influencia diretamente a experiência dos aplicativos e plataformas.
Segundo Janiszewski, operadores que desenvolvem sistemas pesados acabam prejudicando a navegação de grande parte dos usuários.
“Fluxos muito carregados prejudicam conversão e experiência nesses aparelhos”, explicou.
Instagram lidera geração de tráfego para apostas
O Instagram aparece como principal origem de tráfego para os processos de verificação de identidade das plataformas.
Cerca de 20% dos acessos aos sistemas de cadastro e validação chegam por meio da rede social.
O navegador Chrome lidera entre os navegadores utilizados, concentrando aproximadamente 47% das sessões.
Segundo a Legitimuz, as limitações técnicas do navegador interno do Instagram geram dificuldades para processos de verificação facial e autorização de câmera.
Problemas de câmera impactam conversão dos sites
A empresa revelou ainda que uma em cada dez tentativas de verificação falha devido ao bloqueio de acesso à câmera do celular.
Esse problema impacta diretamente a taxa de conversão das operadoras.
Como solução, a Legitimuz desenvolveu um aplicativo próprio que já possui permissões pré-configuradas.
O aplicativo ultrapassou 1,5 milhão de downloads.
“É mais fácil ensinar o usuário a baixar um aplicativo do que desbloquear permissões no celular”, resumiu o executivo.
Documentos digitais avançam no mercado regulado
Os documentos de identidade físicos e digitais representam 69,2% dos processos de verificação realizados pela plataforma.
A taxa média de conversão alcança 84,8%.
A Carteira Nacional de Habilitação também aparece com forte participação nos cadastros.
Segundo Janiszewski, o Brasil possui um dos sistemas mais avançados de identidade digital do mundo.
A integração com bases oficiais da Secretaria de Prêmios e Apostas e da Serpro permite validações rápidas e seguras.
Mercado regulado amplia combate às fraudes
O levantamento também trouxe dados relacionados à prevenção de fraudes no setor.
Segundo a Legitimuz, os sistemas da empresa já impediram prejuízos superiores a R$ 100 milhões em operações suspeitas.
A companhia utiliza inteligência artificial e monitoramento em tempo real para identificar movimentações fraudulentas.
Além disso, a empresa pretende expandir suas soluções voltadas ao Jogo Responsável, utilizando análise comportamental e perfil financeiro dos usuários.
Dados ajudam operadores a entender melhor seus usuários
Ao final da apresentação, o CEO informou que grande parte das informações apresentadas já está disponível para consulta dos operadores parceiros da plataforma.
Os dashboards permitem acesso a métricas como:
- Idade média dos usuários
- Renda presumida por região
- Tipos de documentos enviados
- Distribuição de dispositivos utilizados
- Padrões de comportamento digital
Segundo Janiszewski, o objetivo é tornar o mercado mais transparente e qualificado.
“Queremos acabar com informações erradas sobre o setor e construir um mercado mais seguro para todos”, concluiu.
Fonte: BNL Data e Autor: Magno José

