O mercado ilegal de iGaming nos Estados Unidos pode ter alcançado US$ 97,4 bilhões em Gross Gaming Revenue (GGR) em 2025, segundo estimativa atribuída à Gaming Compliance International (GCI). O valor supera os US$ 78,7 bilhões estimados para toda a indústria comercial e online regulamentada norte-americana no mesmo período.
A dimensão apontada pelo levantamento recoloca no centro do debate a capacidade dos estados e das autoridades de fiscalizar operadores não licenciados. A análise da GCI utiliza dados de tráfego de internet, informações proprietárias, inteligência artificial e outras métricas para estimar a atividade do mercado.
Mercado ilegal de iGaming supera setor regulamentado
De acordo com a estimativa apresentada pela GCI, o GGR não regulamentado de iGaming nos Estados Unidos teria crescido 45% em 2025, passando de US$ 67,1 bilhões em 2024 para US$ 97,4 bilhões.
A análise também coloca o mercado online norte-americano total em US$ 125,6 bilhões, considerando operações regulamentadas e não regulamentadas. Dentro dessa estimativa, os operadores não regulamentados responderiam por 77% do mercado.
Os números devem ser interpretados como uma estimativa de mercado, e não como um dado oficial de arrecadação ou fiscalização. A própria natureza das operações não licenciadas dificulta a mensuração direta de sua atividade.
Um levantamento anterior produzido pela Yield Sec, empresa posteriormente adquirida pela GCI, também apontou forte presença de operadores não regulamentados. Na primeira metade de 2025, a análise estimou que esses operadores respondiam por 74% do GGR do mercado online norte-americano. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
Expansão regulada não elimina necessariamente o mercado ilegal
A análise sustenta que a expansão dos mercados regulamentados não garante, isoladamente, a redução das operações clandestinas. Segundo a interpretação apresentada no relatório, a ausência de monitoramento, policiamento e fiscalização pode permitir que operadores não licenciados continuem capturando uma parcela relevante da demanda.
Essa discussão é especialmente importante em um mercado fragmentado por diferentes legislações estaduais. Enquanto alguns estados autorizam modalidades de iGaming, outros mantêm restrições ou não possuem mercado online regulamentado para determinadas atividades.
O cenário também amplia a importância da identificação de operadores que efetivamente atuam sem licença e direcionam suas ofertas a consumidores de jurisdições onde não estão autorizados.
Bally’s interrompe parte de projeto de cassino em Chicago
As disputas regulatórias também aparecem no mercado físico. Em Chicago, a Bally’s enfrenta um impasse relacionado à expansão dos terminais de videogame, conhecidos como VGTs.
A empresa está desenvolvendo um projeto de cassino estimado em US$ 1,7 bilhão na cidade. Informações recentes indicam que a companhia interrompeu parte dos trabalhos não relacionados ao jogo em meio à disputa sobre a expansão dos VGTs e sua compatibilidade com o acordo firmado com a cidade. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
O tema ganhou força depois que mudanças legislativas em Illinois ampliaram as possibilidades de instalação de VGTs em estabelecimentos como bares, restaurantes e hotéis. A Bally’s argumenta que a proliferação desses equipamentos pode contrariar compromissos estabelecidos no acordo de comunidade anfitriã.
Wisconsin debate apostas esportivas tribais
No Wisconsin, o debate está concentrado na implementação de um modelo de apostas esportivas baseado em uma estrutura exclusivamente tribal.
O estado aprovou legislação relacionada às apostas esportivas, enquanto o Assembly Bill 601 trata da exclusão de determinados eventos ou apostas esportivas da definição legal de “bet”. O histórico legislativo mostra a participação de diferentes empresas e entidades tribais no debate. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
Uma das questões centrais envolve a localização jurídica da aposta. Embora servidores possam estar instalados em terras tribais, consumidores podem realizar operações a partir de outras partes do estado, criando discussões sobre onde a transação é considerada realizada.
Esse tipo de questão já apareceu em outras disputas envolvendo apostas esportivas e soberania tribal nos Estados Unidos, tornando a interpretação jurídica relevante para a estrutura dos novos mercados.
Mercados de previsão ampliam disputa sobre apostas
Outra frente de discussão envolve os mercados de previsão e os contratos relacionados a eventos esportivos. A expansão dessas plataformas aproximou produtos classificados como derivativos de formatos tradicionalmente associados às apostas esportivas.
A própria Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) passou a questionar a utilização das chamadas probabilidades americanas na apresentação de preços de contratos de eventos. O órgão considera que esse formato pode dificultar a compreensão da natureza da operação e das informações de mercado.
A orientação reforça uma disputa maior nos Estados Unidos sobre a diferença entre contratos de derivativos negociados em bolsas e produtos oferecidos por casas de apostas. Plataformas de previsão sustentam que seus produtos são contratos financeiros, enquanto críticos e alguns reguladores estaduais defendem que determinados contratos esportivos funcionam, na prática, como apostas.
O debate ocorre em paralelo à expansão de empresas como a Kalshi, que opera como uma plataforma de contratos de eventos sob supervisão federal. A controvérsia sobre sua classificação continua sendo discutida em diferentes estados.
Kalshi amplia atuação em jogo responsável
A discussão sobre proteção ao consumidor também chegou ao National Council on Problem Gambling (NCPG). Em maio de 2026, a entidade anunciou um compromisso de US$ 2 milhões, distribuído ao longo de dois anos, da Kalshi para uma iniciativa voltada à saúde e segurança de traders.
A iniciativa criou uma nova categoria de associação do NCPG voltada a serviços financeiros e negociação. Heather L. Maurer, diretora executiva da entidade, afirmou que a organização busca ampliar educação, conscientização e acesso a recursos relacionados a comportamentos de risco. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
A parceria, porém, também provocou críticas. O Michigan Gaming Control Board deixou a associação do NCPG em meio às preocupações sobre a relação com a Kalshi, evidenciando a divisão existente entre diferentes autoridades e organizações sobre a natureza dos mercados de previsão. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
Mercado norte-americano segue em transformação
O conjunto de movimentos mostra que o mercado norte-americano continua passando por uma fase de expansão e redefinição regulatória. Ao mesmo tempo em que estados ampliam determinadas modalidades legais de jogo, operadores não regulamentados continuam representando uma parcela relevante da atividade estimada.
Para o setor de apostas esportivas, o avanço dos mercados de previsão acrescenta outra camada à discussão sobre jurisdição, classificação dos produtos e proteção dos consumidores.
Já os números atribuídos à GCI reforçam a dimensão do desafio para autoridades que buscam medir e combater operações não licenciadas. A empresa atualmente se apresenta como fornecedora de soluções de inteligência regulatória e monitoramento voltadas a governos, reguladores e operadores. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
O cenário tende a manter a fiscalização, a definição das fronteiras entre produtos financeiros e apostas e o combate ao mercado clandestino entre os principais temas da indústria norte-americana.
Para acompanhar a evolução dos contratos de eventos e das diferentes modalidades relacionadas ao setor, o Conexão Bet também reúne conteúdos na seção de eventos.
Fonte: iGaming Future | Autor: Lauren Harrison

