Especialista questiona estudos sobre bets e endividamento

Heloísa Diniz, diretora da ABFS, questiona metodologia de estudos que relacionam apostas online ao aumento da inadimplência no Brasil.

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Debate sobre apostas e inadimplência ganha novos questionamentos

O crescimento acelerado do mercado de apostas online no Brasil continua gerando debates intensos sobre seus impactos econômicos e sociais.

Entre os principais temas discutidos atualmente está a possível relação entre as bets e o aumento do endividamento das famílias brasileiras.

No entanto, especialistas do setor vêm questionando a consistência metodológica de parte dos estudos utilizados para sustentar essa associação.

Em artigo publicado no portal JOTA, Heloísa Diniz, diretora de Regulatório da Associação de Bets e Fantasy Sports (ABFS), afirmou que diversas análises recentes apresentam fragilidades técnicas importantes.

Segundo ela, muitos trabalhos acabam simplificando fenômenos econômicos complexos ao atribuir o avanço da inadimplência exclusivamente ao crescimento das apostas online.

Mais conteúdos sobre regulamentação podem ser acompanhados na seção de legislação do ConexaoBet.

Especialista aponta ausência de metodologia consistente

De acordo com Heloísa Diniz, existe um padrão recorrente em parte das análises divulgadas recentemente sobre o setor de apostas.

Segundo ela, muitos estudos utilizam comparações agregadas ao longo do tempo sem aplicar controles adequados para outras variáveis econômicas relevantes.

A diretora da ABFS argumenta que, sem contrafactual e sem modelagem estatística robusta, os resultados tendem a superdimensionar determinados efeitos.

Na visão da especialista, isso gera diagnósticos simplificados e pode comprometer a qualidade do debate público sobre o mercado regulado.

Ela afirma ainda que fenômenos econômicos complexos não podem ser explicados exclusivamente pela expansão das apostas esportivas online.

Dados do Banco Central geraram repercussão

O artigo menciona também a repercussão envolvendo estimativas recentes baseadas em dados do Banco Central.

Na ocasião, projeções apontaram elevado comprometimento da renda familiar com apostas online, o que gerou forte repercussão nacional.

No entanto, posteriormente surgiram questionamentos relacionados à identificação correta dos fluxos financeiros analisados.

Segundo Heloísa Diniz, houve dúvidas importantes sobre a distinção entre diferentes tipos de transações consideradas nos levantamentos.

Para a diretora da ABFS, o episódio evidencia um problema mais amplo relacionado à fragilidade metodológica presente em parte das análises sobre o setor.

Ela destaca que a ausência de transparência e de detalhamento técnico dificulta a validação independente dos resultados.

Estudo da CNC também foi questionado

Outro ponto abordado no artigo envolve o estudo realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo Heloísa, o trabalho apresenta limitações importantes ao tentar estabelecer relação causal entre apostas online e inadimplência.

Ela afirma que o estudo foi apresentado como uma análise baseada no método de Diferenças em Diferenças, mas sem a existência efetiva de um grupo de controle.

Na prática, o modelo compararia apenas o Brasil antes e depois de 2023.

Segundo a especialista, isso faz com que qualquer mudança econômica ocorrida no período acabe sendo incorporada aos resultados.

Entre os fatores apontados por ela estão:

  • Expansão do crédito rotativo
  • Aumento dos juros do cartão de crédito
  • Elevação do spread bancário
  • Crescimento da bancarização digital

Todos esses elementos, segundo Heloísa, impactam diretamente os índices de inadimplência e não foram adequadamente isolados nas regressões.

Ausência de variáveis no modelo gera críticas

A diretora da ABFS afirma que o próprio estudo da CNC menciona variáveis relevantes como inflação, crédito e desemprego.

Contudo, segundo ela, esses fatores não teriam sido efetivamente incorporados ao modelo estatístico utilizado.

Na avaliação da especialista, as variáveis foram tratadas apenas de maneira descritiva e ficaram fora das regressões centrais.

Isso impediria, segundo o artigo, a sustentação de uma relação direta entre apostas e aumento da inadimplência.

Heloísa argumenta que conclusões causais exigem modelos econométricos robustos e mecanismos claros de controle.

Perfil identificado diverge dos dados oficiais

Outro ponto levantado pela especialista envolve os perfis apresentados nos resultados do estudo.

Segundo ela, o levantamento da CNC apontaria maior impacto das apostas entre pessoas mais escolarizadas e acima dos 35 anos.

Para Heloísa Diniz, esses achados não seriam compatíveis com os dados oficiais atualmente disponíveis sobre o perfil médio dos apostadores brasileiros.

Ela cita informações da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda.

De acordo com os números mencionados, mais de 74% dos usuários do setor possuem menos de 40 anos e há predominância do público masculino.

Na visão da diretora da ABFS, essa divergência sugere possíveis problemas de especificação no modelo analisado.

Diferenças nos números também levantam dúvidas

O artigo aponta ainda inconsistências relacionadas aos valores financeiros utilizados nas análises.

Segundo Heloísa, o estudo da CNC indicava que os gastos mensais com apostas teriam ultrapassado R$ 30 bilhões em março de 2026.

Por outro lado, dados divulgados anteriormente pela Secretaria de Prêmios e Apostas indicavam um GGR anual do setor próximo de R$ 37 bilhões em 2025.

A diferença significativa entre os números gerou questionamentos sobre possíveis erros de unidade, metodologia ou interpretação das bases utilizadas.

A especialista afirma que a ausência de detalhamento técnico impede a replicação independente das estimativas.

Sem transparência sobre as séries utilizadas, segundo ela, torna-se impossível validar a consistência dos resultados apresentados.

Debate exige maior qualidade técnica

Apesar das críticas metodológicas, Heloísa Diniz destaca que o debate sobre os impactos sociais das apostas é legítimo e necessário.

Segundo ela, os possíveis efeitos relacionados ao endividamento das famílias precisam continuar sendo investigados de maneira séria e técnica.

No entanto, a diretora da ABFS reforça que conclusões sólidas dependem diretamente da qualidade dos métodos aplicados.

Para a especialista, análises imprecisas podem acabar direcionando de forma equivocada o debate público e o processo regulatório.

Mais conteúdos sobre o setor podem ser acompanhados na categoria de iGaming do ConexaoBet.

Regulamentação segue no centro das discussões

O tema ganha ainda mais relevância diante do avanço da regulamentação das apostas esportivas e jogos online no Brasil.

Nos últimos meses, autoridades, operadores, entidades do setor e especialistas vêm discutindo mecanismos para garantir maior segurança aos consumidores.

Entre os principais pontos debatidos estão jogo responsável, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção de dados e publicidade das bets.

Especialistas apontam que decisões regulatórias precisam ser sustentadas por evidências consistentes e análises metodologicamente sólidas.

Segundo Heloísa Diniz, a qualidade das evidências utilizadas não representa apenas um detalhe técnico, mas uma condição fundamental para a construção de políticas públicas eficientes.

Fonte: BNL Data
Autor: Elaine Silva

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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