Os dados foram divulgados pelo Ministério da Fazenda e apontam que grande parte das pessoas que aderiram ao sistema relatou problemas relacionados à compulsão em jogos, perda de controle financeiro e impactos na saúde mental. A iniciativa integra um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento do jogo responsável no mercado brasileiro de apostas.
Saúde mental lidera motivos para autoexclusão
Segundo o levantamento oficial, aproximadamente 41% dos usuários cadastrados afirmaram que decidiram se afastar das plataformas devido à dificuldade em controlar o hábito de apostar. Isso representa cerca de 207 mil pessoas.
Além disso, muitos participantes relataram consequências emocionais relacionadas ao uso excessivo das plataformas, incluindo ansiedade, estresse e prejuízos na vida pessoal e profissional.
Em comunicado oficial, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a ferramenta faz parte de uma estratégia nacional voltada à prevenção e redução de danos associados às apostas esportivas e jogos online.
“Estamos trabalhando para ampliar o cuidado e oferecer mecanismos de proteção à população, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirmou o ministro.
As medidas também acompanham o avanço da regulamentação do setor no Brasil, tema que vem sendo acompanhado pela Secretaria de Prêmios e Apostas.
Proteção de dados e dificuldades financeiras aparecem entre os motivos
Além das questões emocionais e comportamentais, outros fatores também levaram milhares de brasileiros a optarem pelo bloqueio voluntário.
| Motivo da Autoexclusão | Percentual |
|---|---|
| Perda de controle e saúde mental | 41% |
| Proteção contra uso indevido de dados | 18% |
| Preferiram não informar | 14% |
| Decisão voluntária preventiva | 13% |
| Dificuldades financeiras | 12% |
Os números mostram que a preocupação com segurança digital também ganhou relevância entre os apostadores. Quase um quinto dos usuários informou que buscou proteção contra possíveis problemas envolvendo uso indevido de informações pessoais.
Já as dificuldades financeiras continuam sendo um fator importante. Muitas pessoas relataram prejuízos econômicos após períodos de apostas frequentes.
Como funciona a plataforma de autoexclusão
A ferramenta criada pelo Governo Federal permite que o usuário solicite o bloqueio simultâneo de todas as contas vinculadas ao seu CPF em operadores regulamentados no Brasil.
Além de impedir o acesso às plataformas, o sistema também bloqueia a criação de novos cadastros durante o período selecionado e suspende o recebimento de publicidade personalizada relacionada a apostas online.
O próprio usuário pode escolher o tempo de afastamento das plataformas.
De acordo com o levantamento oficial, cerca de 69% das pessoas optaram pelo bloqueio por prazo indeterminado, demonstrando uma busca mais definitiva pelo afastamento das apostas.
Entre aqueles que escolheram um período específico, o prazo de um ano foi o mais utilizado.
A iniciativa é considerada uma das principais ações recentes do governo dentro das políticas de regulamentação das apostas online no país.
Pesquisa nacional vai analisar impactos das apostas
O Ministério da Saúde também anunciou novos investimentos para aprofundar o entendimento sobre os efeitos das apostas online na população brasileira.
Na última terça-feira (26), a pasta assinou um Termo de Execução Descentralizada (TED) que prevê o repasse de R$ 6 milhões destinados à realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS.
O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pretende avaliar os impactos sociais, financeiros e psicológicos relacionados às apostas esportivas e jogos online.
A previsão do governo é que os trabalhos sejam iniciados ainda em 2026.
Segundo especialistas, o levantamento poderá ajudar na formulação de políticas públicas voltadas ao combate à ludopatia e ao fortalecimento de programas de prevenção.
SUS amplia atendimento para casos relacionados a apostas
O atendimento voltado à saúde mental de pessoas afetadas por apostas online já está disponível em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os atendimentos ocorrem por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que reúne estruturas como Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
O modelo funciona em sistema de portas abertas, permitindo que qualquer pessoa procure ajuda sem necessidade de encaminhamento prévio.
O governo federal também informou que canais digitais como o Meu SUS Digital e a Ouvidoria do SUS passaram a oferecer orientações relacionadas aos impactos das apostas.
Outra novidade anunciada em 2026 foi a implementação do teleatendimento especializado em saúde mental para casos ligados a jogos e apostas.
A iniciativa ocorre em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e recebeu investimento de R$ 2,5 milhões.
Segundo o Ministério da Saúde, o serviço possui capacidade para atender até 650 pacientes por mês.
Mercado regulado aumenta pressão por medidas de proteção
Com o avanço da regulamentação das apostas esportivas no Brasil, cresce também a discussão sobre responsabilidade social e mecanismos de proteção aos usuários.
Especialistas apontam que ferramentas de autoexclusão são consideradas fundamentais em mercados regulados ao redor do mundo, principalmente em países que já possuem políticas mais maduras de controle sobre o setor de iGaming.
No Brasil, a expectativa é que novas iniciativas relacionadas à prevenção, monitoramento de comportamento compulsivo e proteção de dados sejam implementadas ao longo dos próximos anos.
Além disso, operadores licenciados deverão seguir regras mais rígidas relacionadas à publicidade responsável, identificação de comportamento de risco e suporte ao usuário.
As discussões também envolvem o fortalecimento de campanhas educativas e maior integração entre órgãos públicos, operadores e instituições de saúde.
Mais informações sobre ações do governo relacionadas ao setor podem ser consultadas no portal oficial do Ministério da Saúde.
Fonte: Gaming365 e Autor: Rodrigo Elias

