Segundo o IBJR, embora exista alinhamento com a preocupação do governo em relação ao bem-estar das famílias brasileiras, a entidade defende que a regulamentação é o caminho mais eficaz para garantir segurança ao consumidor, ampliar a arrecadação pública e combater operadores ilegais. O tema vem sendo amplamente discutido dentro do universo de iGaming, especialmente diante do crescimento acelerado das apostas online no país.
Regulamentação como ferramenta de proteção
De acordo com o instituto, a existência de um mercado legal estruturado permite a implementação de mecanismos de proteção ao jogador, além de assegurar que as empresas operem dentro de normas claras e fiscalizadas. Para o IBJR, encerrar as atividades regulamentadas não eliminaria o interesse da população pelas apostas, mas abriria ainda mais espaço para o crescimento da ilegalidade.
A entidade destaca que ambientes não regulamentados não oferecem garantias mínimas de segurança, como controle de idade, limites de depósito e ferramentas de jogo responsável. Dessa forma, a regulamentação é vista como essencial para reduzir riscos e proteger os usuários.
Mercado ilegal movimenta bilhões no Brasil
Um dos principais pontos levantados pelo IBJR é o avanço do mercado clandestino de apostas. Segundo dados citados pelo instituto, provenientes de estudos realizados pelo Instituto Locomotiva em parceria com a LCA Consultoria Econômica, cerca de 51% das operações de apostas no Brasil ainda ocorrem fora da regulamentação.
Esse segmento ilegal movimenta aproximadamente R$ 40 bilhões por ano, gerando um impacto significativo na economia nacional. Além disso, estima-se que o país deixe de arrecadar cerca de R$ 10,8 bilhões anuais em impostos devido à atuação dessas plataformas não autorizadas.
Esses números reforçam a importância do fortalecimento das políticas públicas voltadas à legislação e fiscalização do setor, evitando que recursos deixem de ser direcionados para áreas essenciais como saúde, educação e segurança.
Endividamento não está diretamente ligado às apostas
Outro ponto abordado na nota do IBJR diz respeito ao impacto das apostas no orçamento das famílias brasileiras. Segundo estudos técnicos da LCA, os gastos com apostas representam entre 0,2% e 0,5% do consumo total das famílias, indicando que o setor não é o principal responsável pelo endividamento da população.
Dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostram que o cartão de crédito continua sendo o principal fator de superendividamento no Brasil, afetando 80,2% das famílias endividadas.
Com isso, o instituto sugere que o debate sobre apostas deve ser conduzido com base em dados concretos, evitando generalizações que possam distorcer a realidade do setor.
Medidas de proteção nas plataformas regulamentadas
O IBJR também destacou que as plataformas autorizadas no Brasil, identificadas pelo domínio “.bet.br”, seguem regras rígidas de operação. Entre as medidas adotadas, está a proibição do uso de cartão de crédito e criptomoedas para depósitos, o que visa reduzir riscos financeiros para os usuários.
Além disso, essas plataformas são obrigadas a implementar políticas de jogo responsável, incluindo ferramentas de autoexclusão, limites de gastos e monitoramento de comportamento do jogador.
Essas iniciativas são fundamentais para garantir um ambiente mais seguro e transparente, alinhado às melhores práticas internacionais do setor.
Declarações de Lula intensificam debate
As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxeram ainda mais visibilidade ao tema. O chefe do Executivo afirmou que, em sua visão, as apostas deveriam ser encerradas no país e que a questão deve ser tratada como um problema de saúde pública.
A fala gerou reações imediatas de entidades do setor, que defendem a continuidade do mercado regulamentado como forma de equilibrar desenvolvimento econômico e proteção social. O assunto também ganha espaço em discussões no Senado Federal e em órgãos do governo, como o Governo Federal.
Desafios e perspectivas para o setor
O mercado de apostas no Brasil passa por um momento decisivo, marcado pela consolidação das regras e pela necessidade de combater operadores ilegais. A posição do IBJR reforça a importância de políticas públicas que incentivem a formalização e garantam maior controle sobre a atividade.
Especialistas apontam que o equilíbrio entre regulamentação eficiente e proteção ao consumidor será determinante para o futuro do setor. A tendência é que o debate continue nos próximos meses, envolvendo governo, empresas e sociedade civil.
Conclusão
A resposta do IBJR às declarações de Lula evidencia a complexidade do tema e a necessidade de uma abordagem baseada em dados e regulação eficiente. Enquanto o governo avalia possíveis medidas, o setor segue defendendo que a regulamentação é o melhor caminho para garantir segurança, arrecadação e combate à ilegalidade.
O futuro das apostas no Brasil ainda está em aberto, mas o debate já se mostra essencial para definir os rumos de um mercado em plena expansão.
Fonte: Gaming365 e Autor: Rodrigo Elias

