Fraudes com IA generativa colocam o iGaming em alerta em 2026
A repórter investigativa Trilby Browne, da iGaming Future, revelou como o uso cada vez mais sofisticado da inteligência artificial generativa está impulsionando uma nova onda de fraudes digitais, colocando em risco operadores e apostadores no início de 2026.
Deepfakes inauguram novo patamar de golpes digitais
O alerta ganhou força após um episódio ocorrido no final de 2024, envolvendo jornalistas da Sky News, no Reino Unido. Um vídeo deepfake amplamente divulgado nas redes sociais mostrava uma apresentadora afirmando ter ganho centenas de milhares de libras em um suposto jogo online, acompanhado por versões falsas de colegas de emissora e até do CEO da Apple, Tim Cook.
O conteúdo promovia aplicativos aparentemente legítimos disponíveis na App Store, mas que, após o download, redirecionavam os usuários para plataformas ilegais de cassino online. Esses aplicativos conseguiram burlar processos de verificação ao se apresentarem como jogos infantis simples, muitos deles também criados com auxílio de inteligência artificial.
Apps falsos e marcas reais usadas como isca
Em alguns casos, os golpistas chegaram a listar empresas legítimas como supostas proprietárias dos aplicativos fraudulentos. Após a denúncia e a investigação conduzida pela Sky News, tanto a Apple quanto a Comissão de Jogos do Reino Unido removeram rapidamente os aplicativos do ar.
Apesar da resposta rápida, o caso marcou um novo precedente: mesmo em um dos mercados de iGaming mais avançados do mundo, a fraude alimentada por inteligência artificial conseguiu escalar rapidamente.
Fraude online cresce em escala e sofisticação
Dados do setor indicam que apenas em 2024 as plataformas legais de iGaming perderam cerca de £ 730 milhões devido a fraudes. O número pode ser ainda maior quando se considera o mercado paralelo de operadores ilegais, que se aproveitam de deepfakes, anúncios enganosos e promessas irreais de ganhos.
À medida que ferramentas de inteligência artificial generativa se tornam mais acessíveis, distinguir plataformas legítimas de imitações fraudulentas se torna cada vez mais difícil para o usuário comum.
Vídeos hiper-realistas quase indetectáveis
O ano de 2025 marcou a popularização de plataformas avançadas de geração de vídeo por inteligência artificial, como Sora, MovieGen e Veo. Com poucos comandos de texto, essas ferramentas conseguem produzir vídeos extremamente realistas em questão de minutos.
O lançamento do Sora 2, em setembro de 2025, elevou ainda mais esse nível, eliminando os sinais clássicos do chamado “vale da estranheza”. Como resultado, deepfakes passaram a ser praticamente indistinguíveis de conteúdos autênticos.
Redes sociais amplificam golpes
Uma investigação da Reuters revelou que plataformas da Meta chegaram a veicular bilhões de anúncios fraudulentos diariamente. Usuários do Facebook, por exemplo, foram expostos a múltiplos anúncios enganosos por dia, muitos deles promovendo falsos cassinos e apostas.
Além de falhar na remoção desses conteúdos, algoritmos acabaram incentivando o engajamento com novos anúncios fraudulentos, ampliando o alcance dos golpes.
IA “boa” contra IA “ruim”
Para Warren Russell, fundador e CEO da empresa de verificação de identidade eyeDP, a fraude foi “turbinada” pela inteligência artificial. Segundo ele, confiar apenas na percepção humana já não é suficiente diante da sofisticação dos golpes.
A recomendação é clara: operadores precisam usar IA defensiva para combater a IA usada por fraudadores. Isso inclui análise comportamental avançada, monitoramento contínuo e integração de sistemas inteligentes no back-office.
Limitações das verificações tradicionais
Embora o setor de jogos utilize IA com eficiência em marketing, personalização e otimização de jogos, Russell aponta que há uma defasagem no uso dessas tecnologias em segurança e prevenção à fraude.
Plataformas de verificação, como a Sumsub, relataram que 78% dos operadores de jogos detectaram documentos falsos gerados por IA em seus processos de onboarding ao longo do último ano.
Desafios além das plataformas licenciadas
Mesmo operadores altamente regulados enfrentam um problema crescente: grande parte das fraudes ocorre fora de seus próprios sistemas, em lojas de aplicativos, redes sociais e aplicativos de mensagens, onde a fiscalização é fragmentada.
Isso cria uma dupla exposição: enquanto tentam proteger suas plataformas internas, operadores veem sua marca e reputação sendo exploradas em golpes externos alimentados por IA.
Segurança digital como prioridade em 2026
O ano de 2026 se inicia com duas grandes questões para o setor: quais medidas técnicas e estratégicas os operadores podem adotar para mitigar riscos? E como a responsabilidade pela fraude com IA será compartilhada em todo o ecossistema digital?
A iGaming Future afirmou que continuará explorando esses temas em uma série especial dedicada à segurança digital, acompanhando de perto a evolução das ameaças e das soluções no setor.
Fonte: iGaming Future

