O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as plataformas de apostas online não voltarão a funcionar no Brasil e defendeu a manutenção da proibição estabelecida pela Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026. Durante uma transmissão ao vivo na quinta-feira (22), com a participação do deputado federal André Janones e da influenciadora Nath Finanças, o presidente criticou o setor e relatou casos de endividamento entre jovens.
“Não voltará mais a bet. Quem quiser ganhar dinheiro, vai trabalhar”, declarou Lula durante a conversa. Na mesma transmissão, o presidente classificou as plataformas como uma “praga” e afirmou: “Temos que acabar com essa praga, porque se a gente não acabar, a bet vai acabar com o povo brasileiro”.
As declarações reforçam a posição política do presidente sobre o mercado de apostas, mas o futuro da medida também depende da tramitação no Congresso Nacional e de eventuais decisões judiciais sobre sua validade.
Proibição das bets no Brasil é defendida por Lula
Ao justificar sua posição, Lula mencionou conversas com jovens no Palácio da Alvorada que, segundo ele, acumularam dívidas entre R$ 4 mil e R$ 24 mil em plataformas de apostas. O presidente utilizou esses relatos para defender a manutenção das restrições às bets.
Os valores foram apresentados pelo próprio presidente durante a transmissão. O material original não identifica os jovens citados nem fornece documentação independente sobre os casos mencionados.
O debate sobre os efeitos sociais das apostas inclui preocupações com endividamento familiar e proteção dos consumidores. A avaliação desses impactos, entretanto, exige considerar dados verificáveis e distinguir relatos individuais de levantamentos mais amplos sobre a população.
O que estabelece a MP nº 1.394/2026
Publicada em 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória nº 1.394/2026 proibiu, em todo o território nacional, a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa. A medida abrange apostas esportivas e jogos online dessa modalidade, inclusive quando oferecidos por agentes sediados no exterior a pessoas localizadas no Brasil.
O texto também alcança concessões, permissões e autorizações estaduais e distritais relacionadas às apostas de quota fixa. Outras modalidades lotéricas autorizadas por lei não estão abrangidas pela mesma proibição.
A medida determinou a interrupção das operações e estabeleceu procedimentos para o encerramento das atividades e a devolução dos valores mantidos nas plataformas. O Ministério da Fazenda publicou orientações sobre os prazos de retirada e os procedimentos de restituição dos saldos.
Embora a MP esteja em vigor, sua continuidade depende da tramitação legislativa prevista para medidas provisórias. Portanto, a declaração de Lula expressa a posição do presidente, mas não elimina a possibilidade de alterações durante a análise parlamentar ou de questionamentos no Judiciário.
Congresso recebeu propostas para alterar a proibição
Segundo a reportagem original, parlamentares apresentaram 94 emendas à MP nº 1.394/2026. As propostas incluem alternativas que buscam permitir a operação de empresas autorizadas, restabelecer licenças anteriores ou concentrar as restrições em operadores sem autorização válida.
Entre os deputados mencionados estão Julio Arcoverde (PP-PI), Capitão Alden (PL-BA), Bebeto (RJ), Mauricio Neves (PP-SP) e Átila Lira (PP-PI). As emendas apresentam abordagens distintas para modificar os efeitos da medida provisória.
A emenda 28, de Julio Arcoverde, propõe limitar a proibição às empresas sem autorização válida, preservando a possibilidade de operação por agentes licenciados. A proposta inclui apostas em eventos esportivos reais e jogos online, como modalidades de cassino virtual.
Capitão Alden apresentou as emendas 51, 52, 53 e 79. As três primeiras buscam modificar o alcance da proibição e diferenciar operações autorizadas de atividades irregulares. Já a emenda 79 propõe restabelecer autorizações federais extintas pela MP, sem exigir novo processo de habilitação ou pagamento de outra outorga.
Bebeto apresentou, entre outras, a emenda 59, que busca retirar dispositivos centrais da proibição e restabelecer autorizações federais, estaduais e distritais. As emendas 43, 45 e 46 abordam questões relacionadas à fiscalização de operadores não autorizados e à publicidade.
Mauricio Neves, por sua vez, apresentou a emenda 64, que propõe substituir a proibição por regras para publicidade, fiscalização, proteção dos apostadores e funcionamento das plataformas. A emenda 63 trata de autorizações estaduais e distritais, buscando preservar concessões anteriores e restabelecer licenças eventualmente extintas.
As emendas representam propostas legislativas, não mudanças já aprovadas. Seu conteúdo e seus efeitos dependem da tramitação e da deliberação dos parlamentares.
STF também pode influenciar o futuro das apostas
O futuro da proibição também está relacionado a questionamentos judiciais sobre a constitucionalidade da medida. De acordo com a reportagem original, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria deixado para depois do segundo turno das eleições a decisão sobre o tema.
A reportagem atribui ao UOL a informação de que o ministro teria comentado com outros integrantes do Supremo sobre o momento de analisar a questão. Esse relato deve ser entendido como informação atribuída à imprensa, e não como uma decisão judicial já tomada.
Entidades ligadas ao setor também buscaram medidas para suspender ou adiar os efeitos da MP. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pediram, segundo o texto original, a suspensão da medida até a realização de uma nova audiência pública. Como alternativa, defenderam que empresas autorizadas pudessem continuar operando até 31 de dezembro de 2026, com o início dos prazos de encerramento em janeiro de 2027.
A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também defenderam a participação plural em eventual audiência pública, com representantes do poder público, pesquisadores, entidades de defesa dos consumidores, sociedade civil e setores econômicos afetados.
Clubes de futebol e a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) também buscaram participar das discussões judiciais sobre a medida, conforme a reportagem original. A eventual suspensão, manutenção ou alteração da proibição depende das decisões das autoridades competentes.
O que pode acontecer com a proibição das bets
A MP nº 1.394/2026 permanece como o principal marco regulatório imediato para o tema, mas seu futuro não depende exclusivamente da posição expressa pelo presidente. O Congresso Nacional precisa analisar a medida, enquanto questionamentos judiciais podem influenciar sua aplicação.
Para acompanhar os desdobramentos, o leitor pode consultar a cobertura de apostas esportivas, as atualizações sobre legislação do setor e as notícias sobre cassinos e jogos online no Conexão Bet.
Até que haja deliberação legislativa ou decisão judicial que altere o cenário, é importante diferenciar a posição política de Lula, as propostas apresentadas por parlamentares e as normas que efetivamente estão em vigor. A análise do tema também deve considerar os relatos sobre endividamento sem tratá-los, isoladamente, como prova conclusiva sobre todos os participantes do mercado.
Fonte: Focus Gaming News Brasil | Autor: Henriquea, conforme identificação fornecida no material original

