Lula sanciona lei que mira apostas ilegais no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta terça-feira (24), a Lei nº 15.358, que institui o novo Marco Legal de Combate ao Crime Organizado no Brasil. A medida, também conhecida como Lei Raul Jungmann, foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (25) e traz mudanças significativas, incluindo ações diretas contra a exploração irregular de apostas esportivas.
A nova legislação representa um avanço na estrutura de combate a facções criminosas, milícias e organizações paramilitares, ampliando o alcance das autoridades sobre atividades ilegais no ambiente digital, especialmente no setor de apostas online.
Bloqueio de contas de operadores ilegais
Entre os principais pontos da lei está a obrigatoriedade de bloqueio de contas bancárias utilizadas por operadores de apostas que atuem sem autorização no Brasil. A medida se aplica tanto a pessoas físicas quanto jurídicas envolvidas na exploração irregular.
Instituições financeiras e empresas de pagamento deverão interromper imediatamente as transações vinculadas a essas plataformas, impedindo a continuidade das operações ilegais.
No entanto, a legislação prevê que todo o processo deve respeitar o devido processo administrativo, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório. Além disso, há a preocupação em assegurar o ressarcimento de valores eventualmente pertencentes aos apostadores.
Banco Central e Fazenda terão papel central
A implementação das novas regras ficará sob responsabilidade do Banco Central e do Ministério da Fazenda, que deverão regulamentar os procedimentos operacionais necessários para a aplicação das medidas.
Para mais detalhes sobre normas e regulamentações, é possível acessar o portal oficial do Banco Central do Brasil e também informações institucionais no Governo Federal.
Outro ponto importante é a destinação de recursos. Valores considerados perdidos em contas bloqueadas poderão ser direcionados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, reforçando o financiamento de políticas de combate ao crime.
Integração de dados para combate a fraudes
A lei também determina que instituições financeiras e empresas de pagamento integrem sistemas interoperáveis para compartilhamento de informações relacionadas a fraudes eletrônicas.
O objetivo é identificar rapidamente operadores não autorizados, prevenir novas transações e adotar medidas como bloqueio, recusa de operações ou análise reforçada, conforme o nível de risco identificado.
Essa integração fortalece o ecossistema de segurança dentro do mercado de iGaming, reduzindo a atuação de plataformas clandestinas.
Monitoramento e lista pública de operadores irregulares
A Secretaria de Prêmios e Apostas terá papel estratégico na nova estrutura. O órgão será responsável por receber informações sobre indícios de irregularidades e poderá manter uma base pública atualizada com operadores não autorizados.
Essa lista será utilizada por bancos e instituições de pagamento como referência para impedir transações suspeitas, aumentando a eficiência na fiscalização e prevenção.
Novas regras para uso do Pix em apostas
No contexto do sistema Pix, a legislação prevê a criação de mecanismos específicos para evitar o uso indevido da ferramenta por operadores ilegais.
Entre as medidas previstas estão:
- Criação de modalidade exclusiva de transação para apostas;
- Cadastro oficial de operadores autorizados;
- Filtros automatizados com base em CNAE;
- Integração com diretórios de risco;
- Identificação visual de transações relacionadas a apostas nos extratos bancários.
Essas iniciativas visam aumentar a transparência e dificultar a atuação de plataformas irregulares dentro do sistema financeiro nacional.
Regras mais rígidas para instituições financeiras
A nova lei estabelece que bancos e instituições de pagamento deverão adotar políticas mais rigorosas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro.
Passam a ser consideradas infrações:
- Manter relações comerciais com operadores ilegais;
- Não implementar mecanismos de controle e prevenção;
- Facilitar transações suspeitas;
- Permitir a divulgação de operadores não autorizados.
Essas medidas reforçam a responsabilidade das instituições no combate ao crime organizado e na proteção do sistema financeiro.
Proibição de publicidade de operadores ilegais
Outro ponto relevante da legislação é a proibição expressa de publicidade de plataformas de apostas que não possuam autorização válida no país.
A restrição se aplica a diferentes canais, incluindo mídias digitais, campanhas publicitárias, influenciadores e empresas de marketing, desde que haja conhecimento comprovado da irregularidade.
Essa medida busca reduzir a visibilidade de operadores clandestinos e proteger os consumidores de possíveis fraudes.
Impacto no mercado brasileiro de apostas
A sanção da Lei nº 15.358 representa um marco importante para o mercado regulado de apostas no Brasil. Ao fortalecer o combate a operadores ilegais, o governo cria um ambiente mais seguro e competitivo para empresas autorizadas.
Além disso, a legislação contribui para aumentar a confiança dos usuários e estimular o crescimento sustentável do setor, alinhando o país às melhores práticas internacionais.
Com regras mais claras e fiscalização reforçada, o Brasil dá mais um passo na consolidação de um mercado de apostas transparente, seguro e economicamente relevante.

