O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou a remoção de 1.367 páginas e perfis usados para divulgar plataformas de bets irregulares no Facebook e no Instagram. A ação foi conduzida pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), durante o monitoramento do ambiente digital.
Do total identificado, 1.274 páginas estavam no Facebook e 93 perfis no Instagram. Segundo o ministério, esses canais publicavam propagandas, vídeos, links e outros conteúdos destinados a direcionar usuários para plataformas de apostas.
A ação ocorreu em setembro de 2026, em meio à intensificação da fiscalização sobre a oferta e a divulgação de apostas no ambiente digital.
Como o Ciberlab identificou as bets irregulares
O levantamento foi realizado pelo Ciberlab, da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi). Entre 1º e 24 de setembro, as equipes intensificaram o monitoramento para localizar páginas e perfis utilizados na divulgação de plataformas consideradas irregulares pelo governo.
Após identificar os canais, o laboratório preservou os conteúdos considerados necessários às investigações. Em seguida, encaminhou às plataformas um expediente solicitando a remoção das páginas e contas identificadas.
A preservação dos materiais permite que os registros continuem disponíveis para análise durante as apurações. Dessa forma, a retirada do conteúdo das redes sociais não impede que as autoridades examinem os dados relacionados às contas que foram identificadas.
Remoção busca interromper divulgação e captação de usuários
Segundo o MJSP, a medida tem como objetivo interromper a utilização das redes sociais como canais de divulgação e captação de usuários para plataformas de apostas irregulares.
A retirada das páginas e dos perfis também reduz o alcance dos conteúdos publicados e dificulta o acesso aos links utilizados para encaminhar usuários às plataformas.
O ministério informou que as investigações continuam para identificar os responsáveis pela administração dos canais e pela promoção das apostas. As equipes também seguem procurando outros espaços digitais que possam estar sendo utilizados para a mesma finalidade.
Até a divulgação inicial da ação, o MJSP não havia informado quantos responsáveis tinham sido identificados. A investigação também permanecia aberta para a localização de novos canais.
Fiscalização de bets irregulares avançou após a MP
A atuação do governo ganhou novas frentes depois da publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, em 25 de setembro. O texto proibiu no país a exploração, oferta, intermediação e publicidade de loterias de apostas de quota fixa, incluindo modalidades relacionadas a eventos esportivos e jogos on-line.
Com a entrada em vigor da medida, a fiscalização passou a acompanhar não apenas as plataformas, mas também diferentes caminhos utilizados para divulgação e acesso às apostas.
A legislação e as medidas de fiscalização relacionadas ao setor podem ser acompanhadas na cobertura de legislação de apostas do Conexão Bet.
Governo derrubou outros 506 sites suspeitos
O monitoramento continuou após a remoção das páginas e perfis nas redes sociais. Em 27 de setembro, o MJSP informou que uma força-tarefa formada com o Ministério da Fazenda havia identificado e derrubado 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas no Brasil.
A relação foi elaborada com participação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), da Senasp, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi).
De acordo com o ministério, o objetivo da ação é interromper o acesso a plataformas que operem sem autorização e dificultar que novos endereços sejam utilizados para oferecer apostas ao público brasileiro.
O trabalho também passou a acompanhar anúncios publicados em plataformas digitais. Um relatório do Ciberlab, produzido em 27 de setembro, registrou publicidade relacionada a apostas na Meta e no Google. O documento também avaliou a publicidade no TikTok, embora a ferramenta pública da plataforma não permitisse a mesma verificação para o Brasil.
Na Meta, o Ciberlab documentou individualmente sete anúncios. Dois começaram a ser veiculados em 25 de setembro, já durante a vigência da medida provisória.
Telegram também entrou no monitoramento
Outra frente de fiscalização alcançou o Telegram. Em 27 de setembro, o MJSP informou ter identificado 43 canais e grupos relacionados à divulgação de apostas e jogos de cassino on-line na plataforma.
Segundo o ministério, os canais reuniam 212.634 membros. Nove deles tinham mais de 10 mil integrantes e concentravam 172.359 usuários, o equivalente a 81% do público mapeado.
O levantamento encontrou conteúdos como “sinais”, supostos horários pagantes, estratégias para jogos de cassino, links para cadastro e promessas de rentabilidade. O maior canal identificado tinha 42.791 membros.
Além dos canais de comunicação, o Ciberlab também identificou sites e domínios com indícios de atuação irregular. As informações foram encaminhadas à SPA e à Sedigi para verificação técnica e administrativa e adoção das providências cabíveis.
Monitoramento deve continuar
O MJSP informou que o Ciberlab continuará acompanhando as plataformas digitais para verificar a retirada de anúncios e identificar novas formas de divulgação de apostas.
Entre as medidas previstas no trabalho de fiscalização está a identificação de páginas com identidade dissimulada, links mascarados e conteúdos promovidos por afiliados e influenciadores. O governo também pretende preservar dados relacionados aos anunciantes identificados.
O ministério informou ainda que deverá realizar novas coletas de dados após 5 de outubro para avaliar a continuidade da publicidade relacionada às apostas.
A atuação sobre sites, redes sociais, aplicativos de mensagens e anúncios ocorre de forma complementar. Enquanto a remoção das 1.367 páginas e perfis atingiu canais no Facebook e Instagram, as ações posteriores ampliaram o monitoramento para domínios e outras plataformas digitais.
Para acompanhar as mudanças envolvendo operadores e plataformas no país, o leitor pode consultar a cobertura sobre sites de apostas do Conexão Bet.
Fiscalização busca atingir diferentes canais de divulgação
A sequência das ações mostra que a fiscalização não está concentrada em um único tipo de canal. Páginas de redes sociais, perfis, sites, anúncios e grupos de aplicativos de mensagens passaram a integrar o monitoramento realizado pelos órgãos federais.
O objetivo informado pelo governo é dificultar a oferta e a divulgação de apostas que estejam em desacordo com as regras aplicáveis. A identificação dos responsáveis e a análise dos dados preservados continuam dependendo do avanço das investigações.
O mercado de apostas esportivas também passou a ser diretamente afetado pelas novas medidas regulatórias e de fiscalização. Por isso, novas ações podem ser anunciadas à medida que as equipes concluam análises ou identifiquem outros canais utilizados para divulgação.
Até o momento, os dados divulgados pelo MJSP demonstram uma ampliação progressiva do monitoramento: primeiro, com a remoção de 1.367 páginas e perfis; depois, com a identificação de 506 sites com indícios de oferta irregular e de 43 canais e grupos no Telegram relacionados à divulgação de apostas e jogos de cassino on-line.
Fonte: iGaming Brazil | Autor: Luiz Vinicius

