Novas regras para publicidade das bets entram em vigor dia 17
O mercado brasileiro de apostas esportivas entrará em uma nova fase a partir de 17 de julho, quando passam a valer as novas regras de publicidade definidas pelo Ministério da Fazenda. As mudanças fazem parte do processo de regulamentação das bets no Brasil e estabelecem critérios mais rígidos para a comunicação comercial das operadoras autorizadas, com foco na proteção dos consumidores e na promoção do Jogo Responsável.
Entre as principais alterações estão a obrigatoriedade de mensagens de advertência em todas as campanhas publicitárias, limitações ao uso de estratégias de marketing consideradas potencialmente abusivas e novas restrições para conteúdos produzidos por influenciadores, comentaristas esportivos e personalidades.
As medidas foram elaboradas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda responsável pela regulamentação e fiscalização das empresas licenciadas no país.
Advertências passam a ser obrigatórias em todas as campanhas
A partir da entrada em vigor das novas regras, toda publicidade relacionada às apostas online deverá apresentar mensagens oficiais elaboradas pelo Ministério da Fazenda. O objetivo é ampliar a conscientização dos consumidores sobre os riscos envolvidos na atividade.
As campanhas deverão exibir uma das seguintes advertências obrigatórias:
- “Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro”.
- “Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência”.
- “Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento”.
Segundo o governo, essas mensagens seguem modelos adotados em outros setores regulados e têm como finalidade estimular escolhas conscientes, reduzindo a percepção equivocada de que as apostas representam uma forma segura de obtenção de renda.
Promoções terão novas limitações
As novas determinações também modificam significativamente a forma como as empresas poderão divulgar seus produtos e serviços.
Entre as restrições previstas está a proibição de utilizar históricos de resultados, estatísticas de premiações anteriores ou qualquer informação que possa sugerir ao consumidor que determinado resultado possui maior probabilidade de acontecer.
Da mesma forma, as operadoras não poderão apresentar ganhos obtidos por outros jogadores como argumento para incentivar novas apostas ou estimular decisões impulsivas.
Outro ponto importante estabelece que campanhas publicitárias não poderão associar apostas esportivas a investimentos financeiros, oportunidades de enriquecimento ou alternativas para obtenção de renda complementar.
Especialistas e influenciadores terão atuação limitada
As novas regras também atingem diretamente campanhas realizadas com comentaristas esportivos, especialistas, influenciadores digitais e demais personalidades utilizadas pelas operadoras em ações promocionais.
A regulamentação impede que esses profissionais façam recomendações específicas sobre quais apostas seriam mais vantajosas ou indiquem escolhas capazes de aumentar as chances de sucesso do apostador.
Na prática, ficam proibidos os chamados “pitacos” utilizados como estratégia comercial para incentivar o público a realizar apostas.
Além disso, as campanhas não poderão criar sensação de urgência, utilizando expressões ou recursos que levem o consumidor a acreditar que precisa apostar imediatamente para aproveitar determinada oportunidade.
Proteção de públicos vulneráveis ganha prioridade
Segundo o Ministério da Fazenda, as novas regras foram elaboradas para reforçar a proteção de grupos considerados mais vulneráveis, especialmente crianças, adolescentes e pessoas suscetíveis ao desenvolvimento do jogo compulsivo.
As medidas também buscam aumentar a transparência das campanhas publicitárias e garantir que as empresas autorizadas adotem padrões mais elevados de responsabilidade em sua comunicação com os consumidores.
Especialistas avaliam que a iniciativa aproxima o Brasil de mercados internacionais que já possuem regras específicas para publicidade de apostas esportivas.
Copa do Mundo ampliou o debate sobre publicidade das bets
O tema ganhou ainda mais visibilidade durante a Copa do Mundo de 2026, quando a presença constante de anúncios de plataformas de apostas nas transmissões esportivas gerou amplo debate entre autoridades, especialistas e representantes do setor.
Na ocasião, o Governo Federal sinalizou que estudava a adoção de novas normas para disciplinar a comunicação comercial das empresas licenciadas.
As transmissões da CazéTV também passaram por questionamentos relacionados ao formato de divulgação das bets. Após análises e manifestações de órgãos competentes, o canal promoveu ajustes em seus protocolos de publicidade.
Posteriormente, a empresa esclareceu oficialmente que as análises esportivas realizadas por narradores e comentaristas, quando desvinculadas de campanhas promocionais, não são classificadas como publicidade nos termos da regulamentação vigente.
Mercado regulado passa por processo de amadurecimento
A entrada em vigor das novas regras representa mais uma etapa do processo de consolidação do mercado regulado de apostas no Brasil.
Desde a regulamentação federal, diferentes normas vêm sendo implementadas para fortalecer mecanismos de fiscalização, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção ao consumidor, integridade esportiva e promoção do Jogo Responsável.
Empresas licenciadas precisarão revisar campanhas publicitárias, contratos com influenciadores, peças promocionais, conteúdos digitais e estratégias de marketing para garantir total conformidade com as novas exigências.
Mais informações sobre as mudanças regulatórias podem ser acompanhadas nas editorias de Legislação, Aposta Esportiva e conteúdos especiais sobre o mercado de iGaming.
Resumo das principais mudanças
| Nova regra | Objetivo |
|---|---|
| Advertências obrigatórias | Informar os riscos das apostas ao consumidor. |
| Proibição de associar apostas a investimento | Evitar comunicação enganosa sobre ganhos financeiros. |
| Restrições ao uso de resultados anteriores | Impedir indução ao erro sobre probabilidades de vitória. |
| Limitação de “pitacos” promocionais | Evitar influência indevida de especialistas e personalidades. |
| Proibição de campanhas com senso de urgência | Reduzir decisões impulsivas por parte dos consumidores. |
| Proteção de menores e públicos vulneráveis | Fortalecer políticas de responsabilidade social no setor. |
Publicidade mais responsável marca nova fase das bets
Com a entrada em vigor das novas regras em 17 de julho, o mercado brasileiro de apostas esportivas passa a operar sob critérios mais rigorosos para a comunicação comercial. O objetivo é equilibrar a liberdade de divulgação das empresas autorizadas com a necessidade de proteger os consumidores e fortalecer a credibilidade do setor.
Ao estabelecer advertências obrigatórias, restringir práticas promocionais consideradas inadequadas e limitar conteúdos potencialmente persuasivos, o Ministério da Fazenda busca consolidar um ambiente regulatório mais transparente, seguro e alinhado às melhores práticas internacionais.
Fonte: iGaming Brazil (igamingbrazil.com)
Autor da notícia original: Luiz Vinicius

