Projeto quer proibir cashback e VIP nas apostas e agita setor

Projeto de lei quer proibir cashback, VIP e gamificação nas apostas online no Brasil. Entenda impactos, regras e riscos apontados pelo setor de iGaming.

-
às

- Continua Depois do Anúncio -

Projeto quer proibir cashback e VIP nas apostas e agita setor

O mercado brasileiro de iGaming pode enfrentar uma mudança significativa caso avance o Projeto de Lei 1018/2026, apresentado pelo senador Eduardo Girão (NOVO-CE). A proposta altera a Lei nº 14.790/2023 e pretende proibir práticas amplamente utilizadas por operadoras, como cashback, programas VIP e recursos de gamificação.

Segundo o texto, as empresas que operam apostas de quota fixa e jogos online terão um prazo de 90 dias para adaptar suas plataformas, contratos e estratégias comerciais, caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional.

Nova regra busca limitar incentivos ao jogador

O projeto prevê a criação do Artigo 29-A na legislação vigente, estabelecendo restrições diretas a mecanismos que incentivam a permanência dos usuários nas plataformas. A medida atinge operadores licenciados em todo o território nacional.

Na prática, as empresas teriam três meses para eliminar ferramentas consideradas indutoras de comportamento recorrente, como bônus vinculados à atividade e sistemas de recompensas.

O texto pode ser consultado no portal oficial do Senado Federal, onde tramita atualmente.

Justificativa aponta riscos sociais e econômicos

De acordo com o senador Eduardo Girão, as estratégias comerciais adotadas por plataformas de apostas esportivas estão diretamente relacionadas ao comportamento dos usuários.

O parlamentar argumenta que mecanismos como cashback e gamificação podem estimular o aumento da frequência de apostas, do volume financeiro investido e do tempo de exposição ao risco.

Na justificativa, Girão afirma que a regulamentação do setor criou um cenário de preocupação social, econômica e institucional, com possíveis impactos negativos para a população.

O senador também destaca riscos como endividamento e agravamento de problemas de saúde mental, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade financeira ou emocional.

Seis tipos de práticas podem ser proibidas

O projeto define critérios objetivos para caracterizar mecanismos de incentivo ao jogo. Entre os fatores analisados estão:

  • Realização de apostas isoladas ou em sequência
  • Volume financeiro movimentado
  • Frequência ou habitualidade das apostas
  • Perdas acumuladas
  • Tempo de permanência nas plataformas
  • Progressão em rankings ou sistemas de pontuação

Além disso, o texto lista práticas que seriam expressamente proibidas:

  • Programas de fidelidade, recompensas ou pontuação
  • Cashback, mesmo sem vínculo direto com resultados
  • Promoções condicionadas a depósitos ou saldo
  • Missões, desafios ou metas baseadas em desempenho
  • Rankings e premiações por volume de apostas
  • Elementos de gamificação que incentivem repetição

A proposta determina que a proibição se aplica independentemente do nome ou formato utilizado pelas operadoras.

Comunicação será limitada e mais transparente

O texto também estabelece restrições importantes na comunicação com os usuários. Ficariam proibidas mensagens personalizadas com base no comportamento do jogador que incentivem a continuidade ou intensificação das apostas.

As empresas deverão garantir transparência no funcionamento de algoritmos e sistemas automatizados que influenciem o comportamento dos usuários.

Apenas comunicações informativas, institucionais ou educativas serão permitidas, desde que não ofereçam qualquer tipo de benefício ou vantagem.

Ministério da Fazenda terá papel central

A regulamentação detalhada das novas regras ficará sob responsabilidade do Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas.

O órgão deverá estabelecer critérios técnicos para identificar práticas que possam induzir comportamento compulsivo, respeitando princípios de proteção ao consumidor e saúde pública.

Além disso, operadores terão que implementar mecanismos para evitar o direcionamento de promoções a usuários considerados de alto risco.

Dados oficiais contestam parte das críticas

Informações divulgadas pelo próprio Ministério da Fazenda indicam que 53% dos apostadores brasileiros gastam até R$ 50 por mês em plataformas regulamentadas.

Os dados sugerem que a maioria dos usuários mantém gastos compatíveis com entretenimento, o que contraria a narrativa de endividamento generalizado.

Tramitação ainda está em fase inicial

O Projeto de Lei 1018/2026 foi protocolado no Senado Federal e, se aprovado, seguirá para análise na Câmara dos Deputados.

Ainda não há previsão para votação, nem definição sobre possíveis alterações no texto durante a tramitação.

Outra proposta relevante em discussão é o PL 3.563/2024, que pretende proibir a publicidade de apostas em todo o país.

Setor teme avanço do mercado ilegal

Entidades do setor de jogos e apostas avaliam que medidas restritivas podem gerar efeitos contrários aos desejados.

Segundo essas organizações, a proibição de incentivos pode estimular a migração de usuários para plataformas ilegais, que operam fora das regras de jogo responsável.

Esses ambientes não seguem as diretrizes estabelecidas pelo governo, o que pode aumentar os riscos para os consumidores.

O debate reforça o desafio de encontrar equilíbrio entre regulação, proteção ao usuário e desenvolvimento sustentável do setor.

Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

MAIS NOTÍCIAS DESTE AUTOR

Mitos sobre jogos de cassino: entenda as probabilidades

Mitos sobre jogos de cassino, como a influência de resultados anteriores, horários supostamente mais favoráveis e máquinas “quentes”, podem levar a decisões impulsivas. Compreender as probabilidades, a independência dos resultados e as condições dos bônus ajuda a reconhecer os riscos e a adotar uma postura mais responsável.

Cassinos online têm vantagens, riscos e regras específicas

Cassinos online combinam variedade de jogos, acesso remoto e diferentes recursos digitais, mas também envolvem riscos relacionados ao comportamento de jogo, segurança e pagamentos. No Brasil, a situação regulatória mudou com a MP 1.394/2026, publicada em setembro.

MAIS NOTÍCIAS

Sorte Online destina parte da receita do Outubro Rosa à ONG Vilma Kano

A Sorte Online destinará à ONG Vilma Kano parte da receita gerada pela intermediação de bolões e apostas durante o Outubro Rosa. A ação ocorre junto à Mega Semana Outubro Rosa da Mega-Sena e inclui bônus de 5% a 10% para compras elegíveis em diferentes concursos, cumulativos com cashback conforme as regras da plataforma.

The Den Poker Lounge será inaugurado no Texas com foco nas mulheres

O The Den Poker Lounge será inaugurado em 12 de novembro, em Rowlett, no Texas. Fundado por Marjorie Bradford e Jamie Kempf, o clube terá 15 mesas e buscará ampliar a participação feminina no poker, mantendo o espaço aberto a jogadores de todos os gêneros.

Jogo responsável exige prevenção, proteção e apoio à saúde mental

O jogo responsável envolve medidas para prevenir danos financeiros, emocionais e sociais associados às apostas. Entre as principais recomendações estão estabelecer limites de tempo e gastos, reconhecer sinais de perda de controle e buscar ajuda. No Brasil, o Ministério da Saúde oferece orientação e teleatendimento pelo Meu SUS Digital.
Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

CATEGORIAS POPULARES

Sorte Online destina parte da receita do Outubro Rosa à ONG Vilma Kano

A Sorte Online destinará à ONG Vilma Kano parte da receita gerada pela intermediação de bolões e apostas durante o Outubro Rosa. A ação ocorre junto à Mega Semana Outubro Rosa da Mega-Sena e inclui bônus de 5% a 10% para compras elegíveis em diferentes concursos, cumulativos com cashback conforme as regras da plataforma.