A visão da Stellar Gaming sobre o primeiro ano do jogo regulado no Brasil. O primeiro ano do mercado regulado mostrou força, maturidade — e um desafio central: consolidar o legal antes que o ilegal avance ainda mais
O ano de 2025 marcou uma virada definitiva para o mercado de apostas e jogos online no Brasil. Pela primeira vez, o setor passou a operar integralmente sob um marco regulatório completo, com licenciamento obrigatório, regras claras de funcionamento e fiscalização ativa por parte do Estado. O resultado foi a transição de um ambiente informal e juridicamente instável para uma indústria estruturada, reconhecida e economicamente relevante.
As análises e dados apresentados neste artigo têm como referência principal o relatório “A visão da Stellar Gaming sobre o primeiro ano do jogo regulado no Brasil”, documento técnico que consolida informações oficiais, estudos setoriais e a leitura estratégica de um dos principais operadores licenciados do país.
O relatório completo em PDF estará disponível para download aqui.

Um mercado que superou as projeções iniciais
Os números de 2025 indicam que o potencial do mercado brasileiro foi subestimado por boa parte das projeções anteriores à regulamentação. Segundo o relatório da Stellar Gaming, o grupo por trás das marcas EstrelaBet e Vupi, o GGR estimado do mercado legal atingiu aproximadamente R$ 36 bilhões, com cerca de 25 milhões de apostadores ativos entre janeiro e setembro.
Em termos macroeconômicos, o setor já representa entre 0,2% e 0,5% do PIB brasileiro, um percentual relevante para uma indústria que acaba de completar seu primeiro ano plenamente regulado. Além disso, a arrecadação direta ao governo — somando tributos específicos, outorgas e taxas de fiscalização — ultrapassou R$ 3,3 bilhões no período analisado.
Esses dados reforçam um ponto importante: a regulamentação não apenas organizou o setor, como também gerou retorno econômico concreto ao país.

O maior gargalo continua sendo o mercado ilegal
Apesar dos avanços, o relatório da Stellar Gaming é claro ao apontar o principal desafio estrutural do iGaming brasileiro: o mercado ilegal ainda concentra uma parcela significativa das apostas realizadas no país. Estimativas indicam que mais de 50% das apostas continuam fora do ambiente regulado, gerando perdas fiscais superiores a R$ 11 bilhões.
Mais preocupante do que o impacto financeiro é o dado comportamental: 61% dos apostadores não conseguem distinguir um site legal de um ilegal. Isso evidencia que o problema não está na falta de interesse do consumidor pelo mercado regulado, mas sim na baixa canalização, na assimetria de informação e na dificuldade de fiscalização efetiva.
O próprio relatório reforça que a grande oportunidade fiscal e institucional do Brasil não está em elevar a carga sobre operadores licenciados, mas em reduzir o espaço do mercado ilegal, que não recolhe tributos, não protege o consumidor e concorre de forma desleal.

Avanços regulatórios e o risco da instabilidade tributária
Do ponto de vista regulatório, 2025 foi um ano de progresso técnico. O licenciamento obrigatório via Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), as exigências de KYC biométrico, certificação de jogos, infraestrutura local e regras claras de publicidade elevaram o padrão do setor.
Ao mesmo tempo, o relatório destaca um ponto de atenção: a instabilidade jurídico-tributária. Tentativas recorrentes de aumento de alíquotas, discussões sobre tributação retroativa e a inclusão das apostas no chamado “imposto seletivo” criaram incerteza em um mercado ainda em fase de consolidação.
A Stellar Gaming chama atenção para experiências internacionais que mostram uma correlação direta entre carga tributária excessiva, queda na arrecadação e fortalecimento do mercado ilegal. O alerta é objetivo: ultrapassar determinado patamar de tributação pode comprometer a competitividade do mercado legal brasileiro.
Quem é o apostador brasileiro segundo o relatório
Outro ponto relevante do estudo é o retrato do consumidor. O relatório da Stellar Gaming mostra que o apostador brasileiro médio não encara a aposta como investimento, mas como entretenimento. Predominantemente masculino, em torno de 39 anos, classe média, casado e usuário quase exclusivo do smartphone, ele aposta principalmente em futebol, com frequência moderada.
O cassino online cresce de forma consistente, especialmente entre o público feminino, que já representa cerca de 32% da base de apostadores e desponta como o segmento de maior crescimento.
Esse perfil ajuda a desmontar narrativas alarmistas e reforça a necessidade de políticas públicas e comunicação baseadas em dados — não em percepções isoladas.

Marketing, patrocínios e uma nova maturidade do setor
O relatório também aponta que 2025 foi um ano histórico para o marketing do setor. O volume de investimentos em patrocínios esportivos superou R$ 3,5 bilhões, com aproximadamente 90% dos clubes da Série A patrocinados por casas de apostas.
Em contrapartida, o marketing de influência passou por uma forte retração. As novas regras reduziram significativamente ações baseadas em promessas irreais, abrindo espaço para modelos mais institucionais, como embaixadores de marca e contratos de longo prazo.
A leitura estratégica é clara: o setor deixou de disputar apenas visibilidade e passou a disputar credibilidade, contexto e construção de marca.
Tecnologia como pilar de confiança
Segundo a Stellar Gaming, 2025 consolidou um novo padrão tecnológico no iGaming brasileiro. Velocidade, estabilidade, infraestrutura local e uso intensivo de inteligência artificial para prevenção à fraude, lavagem de dinheiro e integridade esportiva deixaram de ser diferenciais e se tornaram requisitos mínimos.
A tecnologia passa a cumprir um papel central não apenas na experiência do usuário, mas também na proteção do mercado regulado e no fortalecimento da confiança do consumidor.
2026: o ano da consolidação
A conclusão do relatório aponta para um cenário claro: se 2025 foi o ano da implementação, 2026 precisa ser o ano da consolidação. Isso envolve menos improviso, mais previsibilidade regulatória, foco real no combate ao mercado ilegal e uso inteligente de dados para orientar políticas públicas.
O Brasil já demonstrou que é capaz de regular um dos maiores mercados de iGaming do mundo. O próximo passo é provar que consegue sustentar esse ambiente de forma equilibrada, protegendo o consumidor, fortalecendo operadores legais e ampliando a arrecadação de maneira duradoura.
📄 Referência:
Este artigo foi elaborado com base no relatório “A visão da Stellar Gaming sobre o primeiro ano do jogo regulado no Brasil”. O PDF completo está disponível para download clicando aqui para leitura integral dos dados, gráficos e análises técnicas.

