Comissão do Senado aprova repasse das bets ao esporte militar
A Comissão de Esporte do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 6.124/2025, proposta que altera a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas e jogos online no Brasil. O texto prevê que 1% dos recursos atualmente direcionados ao Ministério do Esporte seja transferido para a Comissão Desportiva Militar do Ministério da Defesa.
Após a aprovação na Comissão de Esporte (CEsp), a matéria agora seguirá para análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde continuará sua tramitação no Senado.
A proposta modifica a Lei 13.756 e estabelece uma redistribuição interna dos recursos arrecadados pelas bets, sem criar novos impostos ou elevar a carga tributária das operadoras regulamentadas.
Mais conteúdos sobre regulamentação do setor estão disponíveis na categoria de Legislação do ConexaoBet.
Projeto não aumenta tributação das bets
A autora da proposta é a senadora Leila Barros, presidente da Comissão de Esporte. Segundo a parlamentar, o objetivo do projeto é fortalecer o esporte militar brasileiro, que possui atletas de alto rendimento e participação frequente em competições internacionais e olímpicas.
Durante a discussão do projeto, Leila destacou ainda a importância social das iniciativas desenvolvidas pelas Forças Armadas, especialmente programas voltados à educação e inclusão social.
A senadora ressaltou que a medida não representa aumento de impostos sobre o mercado de apostas esportivas. Na prática, o texto apenas redefine a divisão dos valores já arrecadados pelo governo federal.
De acordo com a parlamentar, o novo direcionamento ajudará a fortalecer projetos esportivos ligados às Forças Armadas sem causar impacto adicional às empresas regulamentadas do setor.
Relator defende distribuição mais equilibrada
O relator da proposta, senador Chico Rodrigues, afirmou que o projeto promove uma divisão mais equilibrada dos recursos provenientes das apostas online.
Segundo ele, outros setores ligados ao Sistema Nacional de Esporte já possuem participação específica na arrecadação das bets, o que justificaria a inclusão do esporte militar nessa divisão.
O parlamentar optou por manter integralmente o texto original apresentado por Leila Barros.
A proposta ganhou apoio dentro da Comissão de Esporte justamente por não alterar as atuais alíquotas cobradas das operadoras.
Como funciona a tributação das apostas no Brasil
A regulamentação das apostas esportivas e jogos online no Brasil foi consolidada por meio da Lei 14.790/23, que definiu regras tributárias e operacionais para o mercado.
Atualmente, as operadoras autorizadas recolhem impostos sobre o chamado GGR (Gross Gaming Revenue), que representa a receita bruta obtida pelas plataformas após o pagamento dos prêmios aos apostadores.
A legislação estabelece uma cobrança inicial de 12% sobre o GGR das empresas. Esse percentual aumentará gradualmente nos próximos anos, chegando a 15% em 2028.
Além disso, apostadores também pagam imposto de renda de 15% sobre ganhos líquidos superiores a R$ 28 mil.
Mais informações sobre o setor podem ser acompanhadas na categoria de Aposta Esportiva.
Distribuição atual da arrecadação das bets
Os valores arrecadados pelo governo federal com as apostas esportivas possuem destinação específica para diferentes áreas públicas.
Atualmente, o esporte é o principal beneficiado pela divisão dos recursos, seguido por turismo, segurança pública, educação, saúde e seguridade social.
| Destino da arrecadação | Percentual |
|---|---|
| Esporte | 36% |
| Turismo | 28% |
| Segurança Pública | 12,6% |
| Seguridade Social | 10% |
| Educação | 10% |
| Saúde | 1% |
O restante da arrecadação é dividido entre entidades da sociedade civil e instituições específicas, incluindo organizações assistenciais e órgãos ligados ao desenvolvimento industrial.
Bets também pagam outros tributos federais
Além da tributação sobre o GGR, as empresas de apostas regulamentadas no Brasil também recolhem outros impostos aplicáveis às demais empresas do país.
Entre eles estão o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que juntos representam uma carga de 34% sobre o lucro das operadoras.
As plataformas ainda precisam recolher PIS e COFINS, com alíquota total de 9,25% sobre a receita bruta.
Outro encargo obrigatório é o Imposto Sobre Serviços (ISS), cuja alíquota varia entre 2% e 5%, dependendo do município onde a empresa está registrada.
Esporte militar ganha relevância no debate
A discussão sobre o financiamento do esporte militar ganhou força nos últimos anos devido à participação crescente de atletas vinculados às Forças Armadas em competições internacionais.
O Programa Forças no Esporte, citado durante a tramitação do projeto, também foi destacado como uma importante ferramenta de inclusão social e reforço educacional.
Segundo defensores da proposta, a destinação de parte da arrecadação das bets ajudará a ampliar projetos sociais, treinamentos esportivos e a preparação de atletas militares de alto rendimento.
Mais detalhes sobre o andamento do projeto podem ser consultados no portal oficial do Senado Federal.
A cobertura completa da proposta também foi publicada pelo portal especializado iGaming Business.
Fonte: iGB Brasil
Autor: Gildo Mazza

