Executivo da Betano critica ataques ao setor regulado de apostas
O debate sobre a regulamentação das apostas esportivas voltou ao centro das discussões no Brasil após declarações do Country Manager da Betano, Guilherme Figueiredo. Em entrevista publicada pela revista VEJA, o executivo afirmou que uma eventual proibição total das plataformas legalizadas beneficiaria exclusivamente operadores clandestinos e organizações criminosas.
Segundo o representante da empresa, o mercado regulado não deve ser tratado como o principal responsável pelo endividamento das famílias brasileiras. Para ele, o crescimento das apostas ilegais representa um risco muito maior ao consumidor e ao próprio sistema financeiro nacional.
O executivo também destacou que as plataformas autorizadas operam sob rígidos critérios de controle, monitoramento e prevenção ao jogo compulsivo, seguindo as exigências estabelecidas pelo governo federal.
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Setor regulado movimentou R$ 37 bilhões
Durante a entrevista, Guilherme Figueiredo apresentou números para contestar as críticas feitas por entidades do comércio e setores da política. De acordo com ele, o consumo das famílias brasileiras alcançou aproximadamente R$ 8,2 trilhões no último ano.
Já o mercado regulado de apostas online movimentou cerca de R$ 37 bilhões, o equivalente a apenas 0,46% do consumo total das famílias no período.
O executivo comparou os números com outros segmentos do entretenimento digital. Segundo ele, os brasileiros gastaram mais de R$ 69 bilhões com serviços de streaming no mesmo intervalo.
Outro dado destacado foi o gasto médio mensal dos apostadores, estimado em R$ 122 por usuário.
Para Figueiredo, análises que consideram apenas os depósitos feitos nas plataformas acabam distorcendo a realidade do setor, já que ignoram os valores sacados pelos usuários após ganhos em apostas.
Críticas ao estudo da CNC
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou recentemente estimativas indicando que as apostas teriam retirado R$ 148 bilhões do consumo das famílias brasileiras. O representante da Betano contestou os números e afirmou que eles não condizem com os dados oficiais apresentados pelo próprio governo.
Na visão do executivo, o principal fator responsável pelo endividamento da população continua sendo o crédito rotativo e as altas taxas de juros praticadas no país.
Ele destacou que os brasileiros desembolsaram cerca de R$ 689 bilhões em juros no último ano, valor muito superior ao movimentado pelas casas de apostas regulamentadas.
Programa Desenrola 2.0 e apostas online
Outro tema abordado foi o lançamento do programa Desenrola 2.0, que estabelece restrições para beneficiários realizarem apostas online durante um ano.
Para Guilherme Figueiredo, a medida pode acabar estimulando justamente o mercado clandestino, já que usuários impedidos de acessar plataformas legalizadas podem migrar para sites sem qualquer fiscalização.
Segundo ele, o mais adequado seria adotar políticas de limite financeiro e reforçar campanhas de aposta esportiva responsável.
O executivo também afirmou que o mercado regulado oferece ferramentas importantes de monitoramento que podem auxiliar o governo na construção de políticas públicas mais eficientes.
Controle de jogadores compulsivos
As plataformas legalizadas possuem mecanismos de proteção ao consumidor previstos na regulamentação brasileira. Entre eles estão os limites de gastos e tempo de permanência definidos pelo próprio usuário no momento da criação da conta.
Quando o apostador atinge 80% do valor estipulado, o sistema emite um alerta automático. Ao alcançar 100% do limite, o acesso é temporariamente bloqueado.
Além disso, operadores regulamentados podem identificar padrões de comportamento considerados problemáticos e restringir contas em casos mais graves.
Segundo Figueiredo, nenhuma empresa séria deseja manter jogadores compulsivos em sua base de clientes.
Presidente Lula e críticas às bets
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou recentemente que a “jogatina desenfreada” precisa ser combatida no país. Segundo o chefe do Executivo, caso dependa dele, todas as bets seriam fechadas.
Na entrevista, o representante da Betano afirmou concordar que o problema central está nas operações ilegais, que funcionam sem fiscalização e frequentemente permitem apostas de menores de idade.
Ele também elogiou a regulamentação implementada pelo governo federal, classificando o modelo brasileiro como um dos mais avançados do mundo.
Mais detalhes sobre as regras do setor podem ser consultados no portal oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Mercado ilegal preocupa autoridades
As estimativas apresentadas pela Betano apontam que o mercado clandestino movimentou aproximadamente R$ 40 bilhões no último ano, superando inclusive parte da operação legalizada.
Segundo Guilherme Figueiredo, metade desse volume estaria relacionado à lavagem de dinheiro e operações ligadas ao crime organizado.
O executivo destacou ainda a proliferação de golpes digitais envolvendo falsas plataformas de apostas divulgadas por influenciadores nas redes sociais.
Nesses casos, usuários realizam depósitos, mas nunca conseguem recuperar os valores investidos. Após as denúncias, os sites são removidos e rapidamente substituídos por novos domínios.
Publicidade das bets divide opiniões
O avanço da publicidade das casas de apostas também segue gerando debate em Brasília. A senadora Damares Alves, relatora do PL 3.563, defende restrições severas para propagandas do setor.
Figueiredo afirmou compreender as preocupações envolvendo crianças e pessoas vulneráveis, mas considera que uma proibição ampla pode fortalecer ainda mais os operadores ilegais.
Segundo ele, grande parte da população ainda não consegue diferenciar sites regulamentados de plataformas clandestinas.
O executivo citou o caso da Holanda, onde restrições publicitárias provocaram queda na arrecadação tributária e crescimento das apostas ilegais.
Patrocínio ao futebol brasileiro
O setor de apostas esportivas se tornou um dos maiores investidores do futebol nacional. Atualmente, a maioria dos clubes brasileiros possui contratos de patrocínio com empresas do segmento.
De acordo com o executivo da Betano, o relacionamento das casas de apostas com o futebol tende a ser duradouro, já que o sucesso do esporte impacta diretamente os negócios das plataformas.
Ele também rebateu associações entre casas de apostas e escândalos de manipulação de resultados, afirmando que as empresas regulamentadas atuam justamente como ferramentas de monitoramento e denúncia de atividades suspeitas.
| Tema | Dados apresentados pela Betano |
|---|---|
| Faturamento do mercado regulado | R$ 37 bilhões |
| Mercado ilegal | R$ 40 bilhões |
| Participação no consumo familiar | 0,46% |
| Gasto médio mensal por apostador | R$ 122 |
| Gastos com streaming no Brasil | R$ 69 bilhões |
| Juros pagos no crédito rotativo | R$ 689 bilhões |
Expectativa de crescimento na Copa do Mundo
A proximidade da Copa do Mundo também aumenta as expectativas do setor de apostas esportivas. Segundo Figueiredo, grandes eventos esportivos costumam atrair novos usuários interessados em conhecer as plataformas.
O executivo acredita que o torneio ajudará a ampliar ainda mais a base de clientes no Brasil, especialmente com a chegada do técnico Carlo Ancelotti ao comando da Seleção Brasileira.
A Betano foi fundada na Grécia em 2012 e atualmente opera em mais de vinte países.
Mais informações sobre o tema podem ser acompanhadas na cobertura da revista VEJA.
Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

