MP das bets avança e taxação para operadoras sobe até 3%

A Comissão Mista aprovou a MP 1.348, que redireciona parte da arrecadação das bets para a Polícia Federal. Taxação das operadoras sobe gradualmente até 2028 e acende alerta no setor.

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Comissão aprova novo repasse tributário e setor acende alerta fiscal

O mercado brasileiro de apostas esportivas acompanha com atenção mais um avanço regulatório em Brasília. A Comissão Mista formada por deputados e senadores aprovou nesta quarta-feira (1º) a Medida Provisória 1.348, proposta que altera a destinação de parte da arrecadação federal obtida com as bets.

A medida, editada pelo governo em abril deste ano, estabelece um redirecionamento escalonado da tributação incidente sobre as operadoras licenciadas, destinando parte desse montante para a Polícia Federal, por meio do Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da PF, conhecido como Funapol.

A aprovação no colegiado representa mais um passo importante dentro do processo legislativo, mas a matéria ainda precisa passar pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para se tornar lei em definitivo.

Embora a MP já esteja em vigor desde sua edição, sua validade permanente depende da aprovação final pelo Congresso Nacional.

O tema tem gerado amplo debate dentro do setor de apostas esportivas, especialmente devido ao impacto fiscal que a medida pode causar sobre as operadoras autorizadas no Brasil.

Taxação será ampliada de forma escalonada até 2028

O principal ponto da Medida Provisória 1.348 é a criação de um escalonamento no direcionamento de parte da arrecadação das bets para a Polícia Federal.

A implementação ocorrerá em etapas.

Ano Acréscimo de Taxação Destino
2026 +1% Funapol
2027 +2% Funapol
2028 +3% Funapol

Na prática, isso significa que parte dos recursos arrecadados com a tributação das operadoras passará gradualmente a ser direcionada para o fundo da Polícia Federal.

Segundo o texto aprovado, esses recursos serão utilizados principalmente no custeio de despesas relacionadas à estrutura operacional e à saúde dos servidores da corporação.

Carga tributária já está entre as mais altas do mundo

Antes das mudanças recentes, as operadoras licenciadas recolhiam 12% diretamente sobre o GGR (Gross Gaming Revenue), além de outros tributos incidentes sobre operações empresariais no Brasil.

Com a aprovação da Lei Complementar 224/25, essa taxação subiu para 15%.

Agora, com a implementação gradual da MP 1.348, o setor volta a enfrentar aumento de carga fiscal.

De acordo com estimativas do mercado, a carga tributária total incidente sobre as operadoras gira atualmente em torno de 33%.

Com a chegada da reforma tributária e novas regras previstas até 2033, esse percentual poderá ultrapassar 42%.

Esse patamar coloca o Brasil entre os mercados regulados com maior carga tributária sobre apostas esportivas e jogos online em nível global.

Setor teme avanço do mercado ilegal

Representantes do setor vêm alertando o governo para os riscos associados ao aumento excessivo da tributação.

Na avaliação de operadores e especialistas, um ambiente fiscal muito pesado pode comprometer a competitividade do mercado regulado e enfraquecer empresas que operam dentro da legalidade.

O principal temor envolve o crescimento do mercado ilegal.

Plataformas clandestinas operam fora do ambiente regulatório, sem recolhimento de impostos, sem pagamento de taxas de outorga e sem obrigações relacionadas à fiscalização, compliance ou jogo responsável.

Essa estrutura reduz significativamente os custos operacionais desses agentes.

Como consequência, operadores ilegais conseguem oferecer condições mais agressivas ao consumidor, o que pode estimular migração de apostadores para ambientes sem qualquer proteção institucional.

Destino dos recursos muda com nova MP

A Medida Provisória também altera a forma de distribuição dos recursos arrecadados com as apostas de quota fixa.

O texto modifica dispositivos da Lei Complementar 89/97, responsável pela criação do Funapol, além de promover mudanças na Lei 13.756/18, que estruturou o modelo regulatório das apostas no país.

Anteriormente, parte dos recursos adicionais obtidos com a tributação seria destinada ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).

Com as novas alterações, o montante adicional passa a ser integralmente direcionado ao Funapol.

Esse redirecionamento reforça a estratégia do governo de ampliar recursos destinados à estrutura de fiscalização, segurança pública e atividades operacionais da Polícia Federal.

Relator rejeita mais de 100 emendas

Durante a tramitação na Comissão Mista, o relator da proposta, deputado Aluísio Mendes, analisou 110 emendas apresentadas ao texto.

Todas foram rejeitadas.

Segundo o parecer apresentado, as emendas foram descartadas por razões ligadas à inconstitucionalidade, inadequação orçamentária ou ausência de mérito técnico.

Com isso, o texto-base aprovado mantém a estrutura central da proposta apresentada pelo governo.

Próximos passos no Congresso

Após a aprovação na Comissão Mista, a MP 1.348 segue agora para análise nos plenários da Câmara dos Deputados e, posteriormente, do Senado.

Essa etapa será decisiva para o futuro da medida.

Se aprovada nas duas casas legislativas, a MP será convertida definitivamente em lei.

O avanço da proposta ocorre em um momento de intensos debates sobre regulação, tributação e sustentabilidade do mercado brasileiro de apostas.

O setor segue defendendo equilíbrio entre arrecadação, competitividade e proteção ao consumidor.

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Fonte: iGB Brasil e Autor: Gildo Mazza

MP das bets

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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