A AgruGaming, associação chilena de fornecedores de tecnologia e serviços para a indústria de jogos online, quer ampliar a participação de empresas de plataformas, pagamentos, jogos e gestão de relacionamento com clientes (CRM) nas discussões sobre a regulação do iGaming no país. Em entrevista à Focus Gaming News, o presidente executivo da entidade, Patricio Broerse, afirmou que esses fornecedores precisam ter espaço nos debates e apontou a Colômbia como uma referência regional.
Segundo Broerse, a associação reúne mais de 20 empresas e foi criada por três companhias fundadoras. A organização pretende atuar como uma ponte entre fornecedores internacionais e o mercado chileno, oferecendo informações sobre o ambiente regulatório e facilitando o contato com recursos e prestadores de serviços locais.
AgrugGaming quer incluir fornecedores no debate regulatório
Broerse afirma que as discussões regulatórias costumam reunir operadores, autoridades e laboratórios de certificação, mas deixam os fornecedores de tecnologia fora da mesa. Na avaliação do executivo, essa ausência é relevante porque as regras também afetam empresas responsáveis por plataformas, meios de pagamento, jogos e sistemas de CRM.
O presidente executivo argumenta que esses fornecedores precisam participar da construção das normas que deverão cumprir. Ele também associa a definição de regras claras à segurança jurídica necessária para investimentos, contratação de funcionários e planejamento das operações no Chile.
Na entrevista, Broerse atribui parte das dificuldades para avançar na regulação à fragmentação das discussões. Segundo ele, diferentes grupos defendem os interesses de suas próprias áreas de negócio, enquanto os órgãos de fiscalização atuam de maneira pouco coordenada.
“Hoje em dia, o Estado precisa arrecadar, os clientes também precisam de ferramentas de proteção e é crucial contar com uma entidade fiscalizadora”.
GLI aparece entre as referências de certificação
Ao abordar os padrões técnicos que poderiam orientar uma futura regulamentação, Broerse citou a Gaming Laboratories International (GLI) como referência global em certificação. Também mencionou a BMM e outros laboratórios com os quais, segundo ele, a associação mantém boas relações.
A entidade pretende ajudar seus integrantes a compreender os requisitos do mercado chileno, incluindo questões de compliance financeiro e auditoria de plataformas e geradores de números aleatórios (RNG). A iniciativa também busca orientar empresas que já atuam no país ou avaliam entrar no mercado.
Broerse ressalta que a qualidade das regras é tão importante quanto a existência de uma regulamentação. Em sua avaliação, normas mal estruturadas podem gerar dificuldades adicionais para o setor, razão pela qual considera necessário ouvir os diferentes participantes antes de definir o modelo regulatório.
Colômbia é citada como referência regional
Entre os mercados latino-americanos, Broerse apontou a Colômbia como o principal exemplo para o desenvolvimento de uma relação entre fornecedores e poder público. Ele citou questões como a administração dos recursos arrecadados e a destinação das receitas geradas pela atividade.
O país conta com um sistema de autorização para jogos operados pela internet, sob responsabilidade de Coljuegos. A entidade colombiana publica informações sobre os requisitos aplicáveis aos operadores e os contratos de concessão necessários para atuar legalmente. O modelo pode ser consultado na página oficial sobre jogos operados pela internet na Colômbia.
A referência colombiana faz parte da avaliação de Broerse sobre alternativas regulatórias para o Chile. Ela não significa, porém, que os dois países tenham estruturas jurídicas idênticas ou que o modelo colombiano possa ser reproduzido sem adaptações à legislação chilena.
Associação estima mais de quatro mil sites no Chile
Broerse afirma que a oferta de jogos online cresceu significativamente no Chile após a pandemia e que existem mais de quatro mil sites em operação. O executivo também sustenta que mais de 95% da população está bancarizada e que o país dispõe de uma infraestrutura de pagamentos digitais avançada.
Esses números são estimativas apresentadas pelo dirigente na entrevista e não foram acompanhados, no material original, de uma metodologia independente que permita confirmar o total de sites ou a proporção de pessoas bancarizadas.
Na visão de Broerse, a combinação entre infraestrutura tecnológica, expansão da oferta e ausência de consenso regulatório evidencia a necessidade de estabelecer regras para o setor. Ele defende que a futura estrutura contemple arrecadação tributária, fiscalização e mecanismos de proteção aos usuários.
O tema também está presente no debate parlamentar chileno. Em setembro de 2026, senadores defenderam avanços na proposta de regulação das apostas online, incluindo medidas de proteção ao consumidor, regras de licenciamento e um regime tributário específico, conforme informação publicada pelo Senado do Chile.
Agrupamento prepara campanha de adesão e programa de debates
A AgruGaming informou que pretende iniciar uma campanha de adesão e convite a novas empresas durante outubro e novembro. De acordo com Broerse, a participação é gratuita para os associados, e a entidade busca facilitar o acesso a informações locais, escritórios, endereços e empresas especializadas que possam apoiar fornecedores interessados em operar legalmente no país.
O executivo também considera possível replicar o modelo em outros mercados latino-americanos no futuro, mas ressalta que a proposta depende do conhecimento específico das estruturas e regras de cada país. A associação pretende concentrar sua atuação na orientação especializada sobre o mercado chileno.
Entre as iniciativas previstas está um programa em formato de mesa de discussão. A proposta é reunir Francisco Leiva, primeiro superintendente de Casinos de Juego do Chile e integrante da direção da associação, e Carlos Baeza, representante legal da Agrupación de Apuestas En Línea, além de convidar políticos, reguladores e outros representantes do setor.
O objetivo anunciado é ampliar a exposição pública das diferentes posições sobre a regulação e criar um espaço de diálogo entre os participantes. A entidade também pretende trabalhar com educação e jogo responsável, defendendo medidas preventivas, como limites de idade e de horários, e maior atenção à proteção dos usuários.
Broerse defende regras sem proibição generalizada
Ao comentar as dificuldades políticas para avançar na regulamentação, Broerse afirmou que o tema do jogo pode ser sensível para representantes eleitos, especialmente diante das preocupações relacionadas a pessoas afetadas por comportamentos problemáticos.
O dirigente também apresentou sua própria avaliação sobre a opinião pública e defendeu que a regulação estabeleça limites sem eliminar a atividade. A afirmação de que 98% dos participantes estariam satisfeitos com o jogo foi apresentada como opinião do entrevistado, sem pesquisa ou fonte independente indicada no material original.
A posição da AgruGaming é que a construção de regras deve considerar tanto a proteção dos usuários quanto os aspectos tecnológicos, operacionais e econômicos da indústria. A proposta da associação é ampliar a participação dos fornecedores nesse processo e contribuir para que uma eventual estrutura regulatória leve em conta as diferentes áreas envolvidas.
Para acompanhar outras notícias sobre o mercado, consulte a cobertura de iGaming, os conteúdos sobre legislação e as informações voltadas às empresas do setor no Conexão Bet.
Fonte: Focus Gaming News | Autor: vterrazas

