Dados oficiais contestam narrativa de dependência em massa nas apostas no Brasil
A recente divulgação de informações pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) trouxe novos elementos ao debate sobre o impacto da regulamentação das apostas no Brasil. Os dados apresentados reforçam a visão de que o mercado legalizado não está causando uma epidemia de dependência em jogos, como defendem alguns setores políticos.
Primeiros números do mercado regulamentado
De acordo com o balanço da SPA referente ao primeiro semestre de 2025, cerca de 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas por meio de operadores devidamente licenciados. Isso representa aproximadamente 8,3% da população total e 10,6% da população adulta do país.
Além disso, a receita bruta de jogos (GGR) registrada no período alcançou R$ 17,4 bilhões, equivalente a US$ 3,2 bilhões. Esses números reforçam a relevância econômica do setor e mostram que o desempenho segue dentro das projeções de um mercado recém-regulamentado.
Especialistas contestam visão de vício em massa
Alguns parlamentares têm defendido a ideia de que a regulamentação impulsiona uma “dependência em massa” da população em relação ao jogo. No entanto, os dados oficiais demonstram que a realidade é bem diferente.
Ed Birkin, diretor-geral da H2 Gambling Capital, destacou que os índices brasileiros estão alinhados ao esperado em mercados regulados. Ele comparou a situação com outros países:
- Países Baixos: cerca de 5,4% da população adulta possui contas em operadores legais.
- Reino Unido: aproximadamente 20% da população adulta tem contas em sites de apostas ou jogos online.
Segundo Birkin, os números brasileiros não apontam para uma crise de vício generalizada, mas sim para um desenvolvimento natural de um setor online legalizado.
SPA defende regulamentação baseada em evidências
Com os dados em mãos, a própria SPA reforçou a necessidade de que o debate político sobre o setor avance com base em evidências. O diretor da entidade, Regis Dudena, afirmou que a divulgação permite estruturar políticas públicas de forma mais técnica e transparente.
Essa postura foi elogiada por Udo Seckelmann, head de Apostas e Cripto do escritório Bichara e Motta Advogados. Para ele, o posicionamento da SPA é um marco positivo:
“Qualquer setor regulado precisa de políticas fundamentadas em dados concretos e não apenas em percepções. Essa transparência fortalece a credibilidade e reduz riscos de medidas equivocadas que poderiam prejudicar a competitividade do mercado.”
Desafios com o mercado ilegal
Apesar do avanço, especialistas alertam para a necessidade de dimensionar o mercado ilegal de apostas no Brasil. A H2 Gambling Capital estima que o setor clandestino represente em torno de 30% do mercado, enquanto o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável calcula entre 40% e 60%.
Birkin ressaltou que compreender a dimensão do mercado paralelo é crucial para que a regulamentação cumpra seu papel de atrair apostadores para plataformas legais, mais seguras e supervisionadas.
Impactos econômicos e sociais positivos
A publicação dos dados trouxe otimismo para o setor, que enxerga os primeiros sinais de consolidação do mercado regulado no Brasil. Segundo Seckelmann, os números refletem o potencial econômico do segmento, tanto na arrecadação fiscal quanto na geração de empregos.
Além disso, a transparência pode aumentar a confiança dos jogadores nas plataformas licenciadas, reduzindo a atratividade das opções ilegais e fortalecendo a sustentabilidade do setor no longo prazo.
Resumo dos principais dados
| Indicador | Valor – 1º Semestre 2025 |
|---|---|
| Receita Bruta de Jogos (GGR) | R$ 17,4 bilhões |
| Apostadores em operadores licenciados | 17,7 milhões |
| % da população total | 8,3% |
| % da população adulta | 10,6% |
| Participação estimada do mercado ilegal | 30% a 60% |
Próximos passos da regulação
No Senado, seguem em discussão medidas que podem impactar diretamente o setor, como o aumento permanente da carga tributária e a restrição à publicidade. O setor, por sua vez, pressiona para que qualquer decisão seja tomada com base nos dados já disponíveis.
Com a divulgação oficial, a SPA fortalece seu papel como agente de equilíbrio entre os interesses do Estado, da sociedade e da indústria, reforçando a necessidade de manter a regulamentação alinhada às boas práticas internacionais.
Os números do primeiro semestre, além de refutarem a tese de dependência generalizada, reforçam o caráter promissor do mercado brasileiro de apostas e consolidam sua legitimidade como fonte de arrecadação e desenvolvimento econômico.
Fonte: iGB – Brasil – igamingbusiness.com

