Giovanni Rocco alerta para crime organizado em manipulação esportiva

O secretário nacional de apostas esportivas, Giovanni Rocco, revelou indícios de atuação do crime organizado em manipulações de resultados no Brasil. O governo intensifica ações de investigação e prevenção para coibir fraudes no setor de apostas esportivas.

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O secretário nacional de apostas esportivas, Giovanni Rocco, afirmou que há indícios claros da atuação de organizações criminosas em casos de manipulação de resultados esportivos no Brasil. A declaração foi dada durante o Encontro Técnico Nacional sobre Combate à Manipulação de Resultados Esportivos, realizado em Brasília entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro.

Em entrevista ao portal ge, Rocco explicou que o problema é de alta complexidade e possui conexões internacionais. Segundo ele, há indícios de redes estruturadas que utilizam competições esportivas como forma de lavagem de dinheiro. “É muito mais complexo do que parece. Um dos artifícios usados por essas organizações é pulverizar o número de apostas e apostadores em diversas casas espalhadas pelo mundo. Isso torna difícil rastrear as operações e o volume movimentado é gigantesco”, destacou.

Casas de apostas têm prazos para comunicar suspeitas

O secretário detalhou que as casas de apostas regulamentadas têm a obrigação de comunicar à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda qualquer indício de manipulação. Normalmente, o prazo para comunicação é de até cinco dias, mas em situações graves o período pode ser reduzido para 48 horas.

“Em casos mais urgentes, o prazo cai para 48 horas, mas o padrão são cinco dias. Isso permite que o Ministério da Fazenda inicie rapidamente as investigações sobre as ocorrências reportadas”, explicou Rocco, reforçando a importância da cooperação entre operadores e o governo.

Manipulação deixa de ser caso isolado e ganha sofisticação

Giovanni Rocco observou que a manipulação de resultados no país deixou de ser um fenômeno restrito a atletas ou árbitros e passou a apresentar padrões sofisticados, similares aos encontrados em mercados internacionais. De acordo com o secretário, os aliciadores têm se concentrado principalmente em campeonatos de menor visibilidade, como divisões inferiores de torneios estaduais, onde há menos fiscalização e maior vulnerabilidade dos jogadores.

“Estamos vendo um padrão muito mais elaborado, com estratégias de aliciamento, uso de intermediários e conexões com redes de apostas no exterior”, afirmou. Para Rocco, o combate precisa envolver tanto a investigação criminal quanto medidas de prevenção e educação.

Educação e punição como estratégias preventivas

Além das investigações, o governo tem apostado em políticas educativas voltadas a atletas em formação, federações esportivas e comissões técnicas. A ideia é conscientizar sobre os riscos e as consequências da manipulação de resultados. “Mesmo ações aparentemente pequenas, como forçar um cartão amarelo, podem configurar manipulação se alterarem o andamento de uma partida”, alertou o secretário.

Rocco reforçou que o governo adota uma política baseada em dois pilares: educar e punir. “São dois caminhos: educar para não precisar punir, e punir de forma pedagógica para também educar. O que não pode prevalecer é o sentimento de impunidade, que gera frustração e descredibiliza o esporte”, completou.

Regulamentação tardia favoreceu irregularidades

O secretário também destacou que a ausência de regulamentação das apostas esportivas por muitos anos abriu espaço para práticas ilegais. Antes da lei sancionada em dezembro de 2023, que estabeleceu regras para as apostas de quota fixa, o país contava com milhares de sites operando sem qualquer controle governamental. Esse cenário, segundo Rocco, foi um terreno fértil para a entrada de organizações criminosas.

“Durante esse período, vimos o crescimento de um mercado paralelo sem fiscalização, onde era impossível rastrear operações suspeitas. A nova legislação veio para corrigir essa distorção e trazer transparência ao setor”, pontuou.

Brasil adere à Convenção de Macolin

Como parte dos esforços internacionais, o Brasil aderiu, na condição de ouvinte, à Convenção de Macolin — acordo global voltado ao combate à manipulação de resultados esportivos. O objetivo é ampliar a cooperação com países que já possuem regulamentações consolidadas, fortalecendo o monitoramento e a troca de informações sobre operações transnacionais de apostas.

Para Rocco, essa adesão representa um passo estratégico na construção de um mercado mais ético e transparente. “A Convenção de Macolin é um marco na união entre governos e operadores privados para combater a corrupção no esporte. O Brasil tem muito a ganhar com essa integração”, avaliou o secretário.

Combate global e fortalecimento do setor

As ações recentes do governo federal e da Secretaria de Prêmios e Apostas indicam um esforço crescente para coibir irregularidades no segmento de apostas esportivas. A expectativa é de que a regulamentação, aliada à cooperação internacional, traga mais segurança jurídica e credibilidade ao mercado brasileiro.

Com a expansão do mercado de apostas esportivas no país, o desafio do governo é equilibrar o crescimento econômico com o controle rigoroso das operações, garantindo a integridade das competições e a confiança do público.

Fonte: Gaming365 – gaming365.com.br

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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