O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos em 27 de outubro de 2026, segundo informações divulgadas pela imprensa e relatos de fontes ouvidas por veículos jornalísticos. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do parlamentar e proibi-lo de sair do país. A Polícia Federal (PF) investiga suspeitas de crimes financeiros que incluem lavagem de dinheiro e evasão de divisas em um caso relacionado a empresas de apostas.
O caso também envolve o advogado e empresário Willer Tomaz, investigado no mesmo contexto. As suspeitas incluem uma possível participação não declarada de Flávio em empresas do setor de apostas. Os fatos estão sob investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal. Flávio Bolsonaro e Tomaz negam irregularidades, segundo as informações divulgadas pela imprensa.
PF pediu apreensão de passaportes e restrição de viagem
De acordo com nota oficial publicada em 28 de outubro, a Polícia Federal havia solicitado ao STF, em 25 de outubro, medidas cautelares contra o senador. Entre elas estavam a apreensão dos passaportes, a proibição de deixar o país e restrições de contato com outros investigados no âmbito da Petição nº 16.877/DF.
Alexandre de Moraes acolheu o pedido. Flávio foi intimado a entregar os documentos e não cumpriu o prazo estabelecido. Depois disso, os passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil foram cancelados, e um alerta migratório foi inserido no sistema de controle de fronteiras, conforme informou a PF.
A corporação esclareceu que não encontrou registro oficial de saída do parlamentar pelos postos brasileiros de controle migratório. Em comunicado, também ressaltou que o descumprimento de restrições relativas a documentos de viagem não caracteriza automaticamente a condição de foragido nem autoriza, por si só, a prisão ou outras medidas não previstas na decisão judicial.
Reportagens publicadas em 28 de outubro relataram que Flávio chegou a Miami, nos Estados Unidos, após passar pela Argentina e seguir viagem em um avião particular. A rota e as circunstâncias da saída foram noticiadas por veículos de imprensa, enquanto a PF informou que investigava como o senador deixou o território nacional sem registro migratório brasileiro.
Investigação envolve suspeitas relacionadas a empresas de apostas
Uma das linhas de investigação busca esclarecer a relação entre Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e empresas que atuam no setor de apostas. Segundo o material publicado pelo iGB Brasil, os investigadores suspeitam que o senador teria mantido uma participação não declarada em negócios ligados a marcas de apostas licenciadas no Rio de Janeiro.
O advogado Willer Tomaz é apontado como acionista majoritário da Cathedral Holdings, empresa sediada em Portugal. Conforme a reportagem, a companhia detém a totalidade das ações da Rede Loto, que controla a BestBet e outras duas marcas licenciadas no estado fluminense.
A possibilidade de participação oculta de Flávio nessas empresas também foi abordada em reportagem da revista Piauí, conforme citado pelo iGB. Trata-se de uma alegação relacionada às apurações, e sua confirmação depende da análise dos documentos e demais elementos reunidos pelas autoridades.
Receita das empresas e movimentações financeiras estão sob análise
Os números relacionados às operações das empresas de apostas aparecem como um dos pontos de atenção da reportagem original. Segundo o iGB Brasil, as marcas citadas teriam registrado receita pouco superior a R$ 360 mil ao longo de quase dois anos de operação, apesar do pagamento de R$ 5 milhões pela outorga estadual.
O material também afirma que não foram realizadas campanhas publicitárias ou outras ações comerciais relevantes no período. Esses dados são apresentados como parte do contexto que motivou questionamentos sobre a estrutura e a atividade econômica dos negócios. Isoladamente, porém, não comprovam a ocorrência de crime.
Outro dado mencionado é o volume de apostas esportivas atribuído a Willer Tomaz na plataforma Blaze. De acordo com a reportagem original, ele teria movimentado mais de R$ 10 bilhões em apostas e sido identificado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) como o maior apostador do país.
O volume de apostas mencionado não deve ser confundido automaticamente com renda pessoal, lucro ou patrimônio. A natureza e a origem das movimentações precisam ser consideradas no contexto das apurações financeiras.
Mais informações sobre o setor podem ser encontradas na seção de apostas esportivas do Conexão Bet.
Conta bancária e relação entre os investigados
Segundo o material do iGB Brasil, os investigadores identificaram registros que relacionariam Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz a uma conta no banco Santander, na qual ambos teriam acesso como usuários máster. Os dois negaram as informações, mas a Polícia Federal teria encontrado uma mensagem em que o advogado solicitava ao banco a exclusão de Flávio dessa credencial.
Esse elemento é apresentado como parte do conjunto de informações analisadas pela investigação. A existência de registros bancários ou de mensagens, por si só, não estabelece a prática de lavagem de dinheiro ou evasão de divisas. A apuração precisa determinar a finalidade das operações, a origem dos recursos e a eventual participação de cada envolvido.
O caso integra um conjunto de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. A situação processual e as medidas cautelares podem ser acompanhadas por meio de informações oficiais e de reportagens que identifiquem claramente as fontes de cada alegação.
Outra investigação apura financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro
Além do inquérito relacionado às empresas de apostas, Flávio Bolsonaro também é citado em uma investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conforme informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal apura possíveis crimes financeiros relacionados ao financiamento da produção. A existência dessa investigação não equivale a uma condenação, e eventuais responsabilidades dependem da conclusão das diligências e das decisões judiciais cabíveis.
O caso ganhou repercussão após a derrota de Flávio na eleição presidencial de 2026 e a posterior saída do país. A PF havia apontado risco de evasão como fundamento para solicitar as medidas cautelares. A viagem, realizada depois da ordem judicial, passou a integrar as circunstâncias examinadas pelas autoridades.
Próximos passos dependem das apurações e das decisões judiciais
A Polícia Federal informou que investiga as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais e atua nos limites da legislação. A ausência de registro formal de saída pelos postos migratórios brasileiros é um elemento distinto dos relatos publicados sobre a passagem do senador pela Argentina e sua chegada aos Estados Unidos.
Para acompanhar o contexto regulatório das empresas citadas, o leitor pode consultar a seção de legislação do Conexão Bet. Informações sobre marcas e operadores também podem ser contextualizadas pela página de sites de apostas.
Até que as investigações avancem e as autoridades apresentem conclusões, as suspeitas relacionadas às empresas, às movimentações financeiras e à possível participação societária devem ser tratadas como alegações sob apuração, preservando-se o direito de defesa dos envolvidos.
Fonte: iGB Brasil | Autor: Gildo Mazza

