O presidente do Esporte Clube Juventude, Fábio Pizzamiglio, criticou a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. Em declaração à ESPN, o dirigente afirmou que recebeu a decisão com surpresa e avaliou que a mudança pode afetar diferentes fontes de receita do futebol brasileiro, incluindo patrocínios, publicidade nos estádios e contratos com canais de televisão.
Segundo Pizzamiglio, os efeitos da medida não se limitam aos clubes que mantêm contratos diretos com empresas de apostas. Para ele, a interrupção das atividades também pode repercutir em outras relações comerciais que envolvem o esporte. O presidente do clube gaúcho defendeu que mudanças dessa dimensão deveriam ser conduzidas com cautela.
Presidente do Juventude aponta impactos para o futebol
Ao comentar a decisão, Pizzamiglio destacou que as empresas de apostas passaram a integrar o ambiente comercial do futebol brasileiro. Na avaliação do dirigente, a proibição pode atingir diferentes modalidades de investimento e exposição de marcas ligadas às competições esportivas.
“Não estamos falando apenas dos investimentos diretos nas equipes, mas também de outros patrocínios, como publicidade em placas e contratos com canais de televisão, que também podem sofrer um impacto significativo”, afirmou.
O presidente do Juventude também manifestou preocupação com a rapidez da mudança e com seus possíveis desdobramentos para os clubes.
“Vemos com muita preocupação as bets acabarem de uma hora para outra. Para nós, foi extremamente negativo e recebemos essa decisão com surpresa. Esperamos que isso mude”, acrescentou.
As declarações foram divulgadas pela Focus Gaming News Brasil, que atribuiu à ESPN a entrevista com o dirigente.
O que determina a MP nº 1.394/2026
Publicada em 25 de setembro de 2026, a MP nº 1.394 estabelece a proibição, em território nacional, da exploração, da oferta, da intermediação e da publicidade de loterias de apostas de quota fixa, tanto em meios físicos quanto virtuais. O texto também abrange apostas relacionadas a eventos esportivos reais e a jogos online.
A medida prevê ainda disposições relacionadas à fiscalização e ao combate à oferta ilegal de apostas, além de alterações na Lei nº 14.790/2023. Seu alcance inclui operações estaduais e distritais, conforme as disposições previstas no próprio texto.
O texto integral pode ser consultado no portal oficial da Presidência da República. A análise dos efeitos jurídicos da medida deve considerar seus dispositivos específicos e eventuais mudanças posteriores em sua situação legislativa.
O tema está diretamente ligado à regulamentação do mercado de apostas esportivas e às discussões sobre o futuro da atividade no país. A medida também tem repercussões para o segmento de iGaming, citado no debate sobre patrocínios e publicidade relacionados ao esporte.
Clubes se manifestaram durante jogos do Brasileirão
O posicionamento de Pizzamiglio integra um movimento mais amplo de manifestações de equipes brasileiras contra a proibição das apostas de quota fixa. Conforme o relato original, os protestos ganharam visibilidade durante a 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, quando partidas da rodada exibiram mensagens contrárias à medida em painéis de LED nos estádios.
Entre as frases apresentadas nas placas estavam “Proibir não é proteger” e “A quem interessa o mercado ilegal?”. As mensagens questionavam os efeitos da proibição e defendiam a discussão sobre as consequências de retirar do mercado os operadores que atuavam dentro das regras vigentes antes da publicação da MP.
Outras frases exibidas foram “Proibir quem segue as regras favorece quem?”, “Não se muda a regra no meio do jogo”, “A demanda não acaba, apenas muda de endereço” e “Quem lucra com as bets ilegais?”. As manifestações levaram para os estádios o debate sobre regulação, publicidade e concorrência com operadores ilegais.
Flamengo e Fluminense também participaram dos protestos
O movimento também foi observado no clássico entre Flamengo e Fluminense. Segundo a reportagem original, os dois clubes utilizaram uniformes com a frase “Proibir não é proteger”, em uma manifestação conjunta contra a proibição.
A participação dos rivais ampliou a visibilidade do tema, que envolve interesses comerciais e institucionais de diferentes equipes. Os contratos de patrocínio podem incluir exposição de marcas em uniformes, placas de publicidade e outros espaços vinculados aos jogos, enquanto acordos de transmissão e publicidade também integram o ecossistema econômico das competições.
Embora o dirigente do Juventude tenha destacado possíveis impactos para o conjunto do futebol, os efeitos financeiros específicos da medida sobre cada clube dependem de seus contratos, de suas fontes de receita e das condições aplicáveis a cada relação comercial. O material original não apresenta estimativas consolidadas de perdas para o setor.
Impactos comerciais ainda exigem avaliação
As declarações de Pizzamiglio expressam a preocupação de um dirigente com a mudança regulatória e com seus possíveis reflexos no financiamento do futebol. A dimensão efetiva desses impactos, contudo, não pode ser determinada apenas a partir dos depoimentos ou das manifestações exibidas nos estádios.
Para os clubes, a discussão envolve a relação entre receitas de patrocínio, exposição publicitária e contratos comerciais. Para o mercado de apostas, a MP altera as condições legais de operação e publicidade no Brasil. A evolução desse cenário depende da aplicação das disposições da medida e de eventuais decisões institucionais ou judiciais.
Até que haja informações verificadas sobre os efeitos financeiros e jurídicos em cada caso, é importante distinguir as avaliações feitas por dirigentes dos impactos efetivamente mensurados. A manifestação do presidente do Juventude acrescenta a perspectiva de um clube de futebol ao debate nacional sobre a proibição das apostas de quota fixa.
Fonte: Focus Gaming News Brasil | Autor: Equipe Editorial da Focus Gaming News

