Trump aposta nos cassinos dos EUA para impulsionar turismo

Executivos do setor de viagens defenderam a meta de 100 milhões de visitantes internacionais por ano até 2030, com cassinos e Las Vegas entre os principais motores.

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Os cassinos dos EUA estão entre os setores chamados pelo governo de Donald Trump para ajudar a ampliar o turismo internacional e levar o país à marca de 100 milhões de visitantes estrangeiros por ano até 2030. A estratégia foi discutida em uma reunião no Salão Oval, em 2 de setembro, que reuniu o presidente e executivos de grandes empresas de viagens, hotelaria e jogos.

Entre os participantes estavam representantes de MGM Resorts, Caesars Entertainment e Hard Rock International. A indústria de viagens considera que o desempenho dos Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026 criou uma oportunidade para manter o fluxo de turistas e ampliar a participação do país no mercado internacional.

Cassinos dos EUA entram na estratégia para 2030

A meta de 100 milhões de visitantes internacionais até 2030 foi apresentada pela U.S. Travel Association. Segundo a entidade, atingir esse patamar poderia acrescentar US$ 81 bilhões em gastos e sustentar mais de 400 mil empregos nos Estados Unidos.

O objetivo, porém, representa um avanço significativo em relação aos números atuais. Os Estados Unidos receberam 68,3 milhões de visitantes internacionais em 2025, segundo dados do National Travel and Tourism Office (NTTO). O volume representou queda de 5,5% em relação ao ano anterior.

A previsão oficial mais recente do NTTO aponta para 85,2 milhões de visitantes internacionais em 2030, abaixo da meta de 100 milhões defendida pela indústria. O número reforça o tamanho do desafio para que os Estados Unidos alcancem a liderança global em turismo.

A U.S. Travel Association afirma que a marca permitiria ao país buscar a posição atualmente ocupada pela França entre os destinos com maior número de visitantes internacionais.

Las Vegas sente queda no turismo internacional

Apesar da projeção positiva em torno da Copa do Mundo, os cassinos dos EUA também enfrentam dificuldades relacionadas à redução da chegada de estrangeiros. Las Vegas, principal polo de jogos do país, registrou queda na visitação internacional em 2025.

Segundo dados citados durante a reunião, Las Vegas recebeu cerca de 2,2 milhões de visitantes estrangeiros no ano passado, uma redução de aproximadamente 380 mil viajantes. A cidade ficou na sexta posição entre os destinos americanos em número de visitantes internacionais.

Bill Hornbuckle, presidente e CEO da MGM Resorts, afirmou que a recuperação do turismo depende de maior atuação do governo em questões relacionadas às viagens internacionais.

“Travel is difficult. Travel needs your leadership. If we’re going to meet 100 million, we need your help, your direct involvement. If we can get there, it’s 400,000 more jobs. And in a place like Las Vegas, it means a lot.”

Na avaliação do executivo, a recuperação do fluxo internacional teria impacto direto sobre mercados como Las Vegas, onde hotéis, cassinos, restaurantes e outros negócios dependem fortemente da atividade turística.

Turismo nos Estados Unidos teve queda em 2025

A busca por crescimento ocorre depois de um período de retração. Em 2025, os Estados Unidos registraram 68,3 milhões de visitantes internacionais, contra 72,3 milhões em 2024.

A redução foi influenciada principalmente pela queda na chegada de turistas canadenses. Segundo informações apresentadas no encontro e repercutidas por veículos do setor, as visitas provenientes do Canadá recuaram cerca de 20% em 2025.

O cenário também continuou pressionado em 2026. Dados oficiais indicaram que as chegadas internacionais estavam 4,7% abaixo do nível registrado no mesmo período do ano anterior até julho.

Além da demanda, representantes da indústria apontaram fatores como demora para entrevistas de visto, preços das passagens aéreas, políticas de imigração, tarifas e restrições de viagem como obstáculos para a expansão do turismo internacional.

Copa do Mundo abriu oportunidade para o setor

A Copa do Mundo de 2026 foi apontada pelos participantes da reunião como uma demonstração do potencial dos Estados Unidos para receber grandes volumes de viajantes estrangeiros.

De acordo com dados divulgados pela Reuters, os gastos com viagens nos Estados Unidos alcançaram US$ 122,1 bilhões em junho, alta de 6,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O torneio da FIFA também registrou recorde de público, contribuindo para o movimento em cidades-sede.

O desempenho levou representantes do setor a defenderem medidas que mantenham o fluxo de turistas depois do encerramento da competição. Nesse contexto, os cassinos dos EUA aparecem como parte da estratégia por sua capacidade de combinar entretenimento, hospedagem, gastronomia, eventos e jogos em grandes complexos turísticos.

Para acompanhar o desenvolvimento do mercado de apostas esportivas, o setor também pode ser analisado em conjunto com a expansão dos demais segmentos da indústria de jogos.

Geoff Freeman defende facilitação das viagens

Geoff Freeman, presidente e CEO da U.S. Travel Association e ex-presidente da American Gaming Association, também participou do encontro com Trump. Ele defendeu a continuidade do impulso proporcionado pela Copa do Mundo e estabeleceu a meta de 100 milhões de visitantes internacionais anuais.

“The next goal should be 100 million international visitors a year by 2030—striving to make the United States the most visited country in the world.”

Freeman também destacou que o setor de turismo está preparado para trabalhar com o governo federal na busca pelo crescimento da visitação. Segundo a U.S. Travel Association, alcançar a meta poderia gerar US$ 81 bilhões adicionais em gastos e mais de 400 mil empregos.

As discussões sobre turismo ocorrem paralelamente a mudanças e debates envolvendo legislação, imigração, vistos e infraestrutura de entrada no país. Esses fatores podem influenciar diretamente a capacidade dos Estados Unidos de converter grandes eventos em crescimento sustentável de visitantes.

Trump destaca parceria com executivos do setor

Durante a reunião, Trump afirmou conhecer muitos dos executivos presentes e elogiou a capacidade dos representantes da indústria de viagens e entretenimento.

“I’ve known them in private life, many of them, and they’re tremendously talented people.”

O encontro também contou com executivos de companhias aéreas, hotéis, plataformas de reservas e outros segmentos relacionados ao turismo. A reunião ocorreu no contexto dos esforços para aproveitar o impacto da Copa do Mundo e ampliar o número de visitantes estrangeiros nos próximos anos.

Entre os temas mencionados esteve ainda a situação dos trabalhadores que recebem gorjetas. Hornbuckle agradeceu a Trump por medidas tributárias que, segundo ele, beneficiaram funcionários do setor.

Meta de 100 milhões ainda enfrenta desafios

Embora a indústria tenha estabelecido a meta de 100 milhões de visitantes anuais até 2030, a projeção oficial do governo americano é mais conservadora. O NTTO estima 85,2 milhões de visitantes internacionais para 2030, partindo de 68,3 milhões em 2025.

A diferença entre as duas projeções evidencia o desafio para o setor. Para chegar aos 100 milhões, os Estados Unidos precisarão não apenas aproveitar a visibilidade proporcionada por grandes eventos, mas também lidar com barreiras relacionadas a vistos, transporte e políticas de entrada.

Nesse cenário, Las Vegas e os grandes complexos de cassino podem funcionar como importantes pontos de atração para visitantes internacionais, mas o resultado dependerá de fatores que ultrapassam o mercado de jogos.

O governo americano e os representantes da indústria agora discutem como transformar o aumento temporário provocado pela Copa do Mundo em crescimento duradouro. A busca pelos 100 milhões de visitantes coloca o turismo no centro da agenda econômica e cria uma nova frente de atuação para empresas como MGM Resorts, Caesars Entertainment e Hard Rock.

Fonte: iGaming Brazil | Autor: Lucas Olivan

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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