O Esporte Clube Vitória perdeu uma receita estimada em R$ 3 milhões por mês após a interrupção dos contratos ligados às empresas de apostas, segundo o presidente Fábio Mota. O dirigente afirma que a mudança comprometeu o planejamento financeiro do clube baiano e defende que deveria ter sido estabelecido um período de transição para permitir a busca por novos patrocinadores.
As declarações foram feitas em meio aos efeitos da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. A medida alcança apostas esportivas e jogos online, conforme o texto oficial disponível no Senado Federal.
Vitória estima perda mensal de R$ 3 milhões
De acordo com Fábio Mota, o clube havia elaborado seu orçamento considerando as receitas dos contratos com empresas de apostas. Com a interrupção desses valores, a diretoria precisou rever as projeções financeiras e reorganizar compromissos já previstos.
“A crise das bets pegou o Vitória em cheio. O clube perde R$ 3 milhões (US$ 602.712) por mês, o que é muito difícil. Vamos esperar o fim do Campeonato Brasileiro para ver o que vai acontecer. A gente tinha um planejamento de R$ 45 milhões (US$ 9milhões) e precisou se reorganizar sem esse dinheiro”
A declaração foi concedida ao Bahia Notícias, segundo a reportagem da Focus Gaming News. Os valores refletem a estimativa apresentada pelo dirigente e não devem ser interpretados como uma auditoria independente das contas do clube.
O cenário pressiona o planejamento em um momento no qual o Vitória busca assegurar sua permanência na Série A do Campeonato Brasileiro. A perda de receitas comerciais, segundo Mota, exige que a administração procure novas fontes de patrocínio sem contar com a manutenção dos valores anteriormente previstos.
Publicidade e patrocínio ampliam o impacto financeiro
O efeito da interrupção dos contratos não se limita à exposição da marca de uma casa de apostas na camisa do time. Mota afirmou que as receitas relacionadas às placas publicitárias exibidas durante as transmissões também serão afetadas.
Segundo o presidente, a soma das perdas com patrocínios e publicidade representa R$ 9 milhões em 2026. Para 2027, o impacto projetado chegaria a R$ 45 milhões, considerando valores previstos em contratos que ainda estavam em vigor.
Esses montantes foram apresentados pelo dirigente como estimativas de receitas que o clube esperava receber. Portanto, não representam necessariamente prejuízo contábil já apurado ou dinheiro que tenha sido integralmente desembolsado antes da interrupção dos acordos.
Dirigente defende período de transição
Na avaliação de Fábio Mota, a mudança ocorreu sem tempo suficiente para que os clubes reorganizassem seus orçamentos. Ele defendeu a adoção de um período de transição de três meses ou uma regra que permitisse o cumprimento dos contratos existentes até o fim de sua vigência.
“Em três meses, você conseguiria fazer uma transição ou estabelecer a obrigação de as bets cumprirem os contratos até o final. Você dormiu com o dinheiro e com as contas e, de repente, acorda com as contas e sem o dinheiro. Agora afeta todo um planejamento e tem consequências em outros acordos do clube”
A manifestação expressa a posição do presidente sobre os efeitos da medida para o futebol. A MP nº 1.394/2026, por sua vez, estabelece a proibição nacional e trata das atividades de apostas de quota fixa. O alcance jurídico da norma deve ser avaliado a partir de seu texto e de eventuais atos oficiais posteriores, sem confundir as críticas do dirigente com uma decisão judicial.
O debate também envolve a capacidade dos clubes de cumprir compromissos financeiros assumidos com base em receitas comerciais futuras. Quando uma fonte relevante de recursos deixa de estar disponível, a diretoria precisa avaliar despesas, renegociar acordos quando possível e buscar novas receitas para equilibrar o fluxo de caixa.
Vitória teme consequências de atrasos financeiros
Mota afirmou que a redução das receitas pode aumentar o risco de atrasos em pagamentos e mencionou a possibilidade de um transfer ban. O termo é usado no futebol para designar uma sanção que impede um clube de registrar novos jogadores, conforme as regras aplicáveis ao caso.
O presidente não afirmou que o Vitória já tenha recebido essa punição por causa da perda dos patrocínios. O alerta foi sobre um risco futuro caso a queda na arrecadação provoque inadimplência e comprometa obrigações do clube.
A situação, segundo o dirigente, torna urgente a busca por patrocinadores capazes de substituir parte dos valores que deixaram de ser esperados. A dificuldade, afirmou, está na diferença entre os montantes pagos pelas empresas de apostas e aqueles oferecidos por outros anunciantes.
Novos patrocinadores podem não repor os valores anteriores
O presidente declarou que o clube pretende compensar a perda por meio de novas parcerias comerciais, mas considera improvável recuperar rapidamente o mesmo nível de receita. Mota argumentou que os contratos com empresas de apostas tinham valores superiores aos oferecidos por outros patrocinadores.
“Nosso plano é tentar cobrir isso com novos patrocinadores, mas ninguém paga o que eles pagavam. Era um mercado que pagava três vezes mais que os outros patrocinadores”
A declaração representa a avaliação do dirigente sobre o mercado de patrocínio esportivo. A possibilidade de substituição depende das negociações que o clube conseguir concluir, das condições comerciais oferecidas e da capacidade de encontrar empresas interessadas em associar suas marcas ao Vitória.
O caso também evidencia a relação entre as receitas de publicidade e o planejamento dos clubes profissionais. A presença de um patrocinador pode sustentar parte do orçamento anual, e a interrupção inesperada de um contrato pode obrigar a administração a revisar projeções e prioridades.
Impacto no futebol e mudanças no mercado de apostas
A MP nº 1.394/2026 alterou o cenário nacional ao proibir a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa. O texto inclui tanto apostas esportivas quanto jogos online, conforme a publicação oficial da medida.
Para acompanhar outras mudanças que afetam o setor, o leitor pode consultar a seção de apostas esportivas e os conteúdos de legislação do Conexão Bet.
No caso do Vitória, os próximos passos financeiros dependerão da capacidade de recompor parte das receitas, renegociar compromissos quando necessário e adequar as despesas ao novo cenário. Até que novos contratos sejam formalizados, os valores mencionados por Fábio Mota devem ser tratados como estimativas apresentadas pelo presidente do clube.
Fonte: Focus Gaming News | Autor: ricardoy

