Representantes de Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e Juventus se reuniram na sexta-feira (11), na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), para discutir os possíveis efeitos de projetos que restringem a publicidade de casas de apostas na capital paulista. O encontro reuniu cerca de 40 profissionais das áreas jurídica, de comunicação e marketing dos clubes, além de executivos de cinco empresas do setor.
A mobilização ocorre enquanto avança na Câmara Municipal de São Paulo o Projeto de Lei 560/2025, de autoria do vereador João Jorge (MDB). A proposta prevê restrições à publicidade de empresas de apostas em eventos realizados no município, incluindo espaços esportivos.
Publicidade de bets em São Paulo entra no centro da discussão
O PL 560/2025 prevê a proibição de publicidade de operadores de apostas em eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, profissionais ou amadores, realizados na cidade de São Paulo e em espaços públicos ou privados.
O texto estabelece que a restrição alcança, no mínimo, placas, faixas e painéis instalados em praças esportivas. Segundo a proposta, o descumprimento pode resultar em multa de R$ 50 mil e em impedimento para a realização de eventos por até dois anos. ([ge.globo.com](https://ge.globo.com/sp/futebol/noticia/2026/09/11/clubes-se-unem-em-resposta-a-projetos-que-restringem-publicidade-de-bets-em-sao-paulo.ghtml?utm_source=chatgpt.com))
A proposta recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal e avançou na tramitação. Para entrar em vigor, porém, ainda precisa passar pelas etapas legislativas previstas e, posteriormente, ser sancionada pelo prefeito caso seja aprovada pelo plenário.
A Câmara Municipal mantém um sistema oficial para consulta de projetos em tramitação, permitindo acompanhar documentos e movimentações legislativas relacionados à proposta. Consulta de projetos da Câmara Municipal de São Paulo
Reunião na FPF reuniu clubes e empresas
O encontro realizado na sede da FPF teve como objetivo discutir uma resposta conjunta aos projetos que podem limitar a exposição de marcas de apostas no futebol paulistano. Participaram profissionais ligados aos departamentos jurídico, de comunicação e marketing de Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e Juventus.
Executivos de cinco empresas de apostas também participaram da reunião. Conforme relatos publicados sobre o encontro, os participantes discutiram alternativas de atuação e os possíveis impactos comerciais das propostas em tramitação.
A articulação ocorre em torno principalmente do PL 560/2025, que trata da publicidade em eventos. O debate também envolve outros projetos municipais que podem estabelecer restrições à exposição de marcas de apostas na capital.
Projeto pode afetar contratos de patrocínio
Um dos principais pontos levantados pelos clubes é o impacto que eventuais restrições poderiam produzir sobre contratos comerciais firmados com empresas de apostas.
Corinthians, Palmeiras e São Paulo recebem juntos cerca de R$ 350 milhões fixos por ano em patrocínios master de empresas de apostas, segundo levantamento citado pelo ge. O valor pode ser ampliado por bônus, premiações e outras propriedades comerciais previstas nos contratos. ([ge.globo.com](https://ge.globo.com/google/amp/sp/futebol/noticia/2026/08/25/projeto-que-veta-publicidade-de-bets-na-cidade-de-sao-paulo-gera-articulacao-de-clubes.ghtml?utm_source=chatgpt.com))
O Corinthians, por exemplo, possui contrato com a Esportes da Sorte que prevê R$ 150 milhões pelo espaço master da camisa em 2026, segundo informações do balanço financeiro divulgado pelo clube. ([ge.globo.com](https://ge.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/2026/04/23/quanto-vale-a-camisa-veja-valores-dos-contratos-de-patrocinio-do-corinthians-em-2026.ghtml?utm_source=chatgpt.com))
O debate sobre os contratos ocorre em um cenário no qual as casas de apostas se tornaram uma parcela relevante do mercado de patrocínios esportivos no futebol brasileiro. Por isso, os clubes avaliam como uma eventual mudança na publicidade local poderia afetar acordos comerciais existentes.
Clubes apontam possível diferença em relação a outras equipes
Outro argumento discutido pelos representantes dos clubes é a aplicação de uma eventual restrição apenas ao município de São Paulo. Na avaliação apresentada por dirigentes e entidades do setor, uma regra municipal poderia criar diferenças entre as equipes da capital e clubes sediados em outras cidades e estados.
Como referência, o Flamengo possui contrato de patrocínio master com a Betano no valor de R$ 268,5 milhões por temporada, de acordo com informações publicadas pela imprensa. O acordo é citado nas discussões sobre a dimensão financeira dos patrocínios de apostas no futebol brasileiro. ([band.com.br](https://www.band.com.br/nacional/sp/patrocinio-esportivo-movimenta-bilhoes-e-muda-a-camisa-dos-clubes?utm_source=chatgpt.com))
O impacto efetivo sobre as receitas dos clubes, entretanto, dependeria do texto final aprovado, da interpretação das regras e de como contratos e propriedades comerciais seriam enquadrados pela legislação.
Uniformes também aparecem no debate
Uma das questões discutidas nos bastidores é o alcance da proposta sobre diferentes propriedades de publicidade. A interpretação atual mencionada nas reportagens sobre o projeto indica que o texto trata de placas, faixas e painéis em praças esportivas, sem estabelecer no mesmo dispositivo uma proibição geral sobre as marcas de apostas nos uniformes profissionais.
Há, contudo, vereadores que defendem alterações e uma ampliação das restrições. Qualquer mudança desse tipo dependeria do processo legislativo e da redação que eventualmente for aprovada pelo plenário.
Essa distinção é relevante porque contratos de patrocínio esportivo costumam envolver diferentes propriedades, como espaços nas camisas, placas de estádio, painéis, conteúdos digitais e outras formas de exposição.
Tramitação ainda depende de votação
Apesar do avanço nas comissões, o projeto ainda não representa uma proibição em vigor. A proposta precisa ser submetida às votações previstas na Câmara Municipal e, caso seja aprovada, encaminhada ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) para eventual sanção.
Reportagens publicadas em setembro indicam que havia previsão de votação em primeira discussão e que, após uma eventual aprovação inicial, poderiam ocorrer audiências públicas para discutir ajustes no texto. ([ge.globo.com](https://ge.globo.com/sp/futebol/noticia/2026/09/11/clubes-se-unem-em-resposta-a-projetos-que-restringem-publicidade-de-bets-em-sao-paulo.ghtml?utm_source=chatgpt.com))
Enquanto o processo legislativo continua, clubes e empresas do setor discutem estratégias para acompanhar a tramitação. Entre as possibilidades mencionadas estão campanhas educativas, ações coletivas e diálogo com representantes políticos.
Debate envolve publicidade e regulamentação das apostas
A discussão municipal ocorre dentro de um debate mais amplo sobre os limites da publicidade de apostas no Brasil. A legislação federal estabeleceu regras para o setor regulado, enquanto estados e municípios vêm discutindo medidas adicionais para determinadas formas e espaços de divulgação.
Para acompanhar conteúdos relacionados ao mercado, o leitor pode consultar a cobertura de apostas esportivas e de casas de apostas do ConexãoBet.
O tema também tem relação direta com a exploração comercial de eventos esportivos, especialmente em estádios e outras praças utilizadas pelos clubes. Até o momento, a proposta paulistana permanece em tramitação e não alterou, por si só, os contratos atualmente vigentes.
Fonte: iGaming Brazil | Autor: Lucas Olivan

