A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém no centro do debate o futuro das bets no Brasil. O presidente venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos. Lula defende a continuidade da proibição das apostas online, mas a definição sobre o funcionamento do setor também depende da tramitação da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026 no Congresso Nacional e dos questionamentos apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Publicada em 25 de setembro, a MP proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional. A medida abrange apostas esportivas e jogos online e alterou o cenário regulatório estabelecido anteriormente para o setor. Conforme os registros oficiais, a medida provisória ainda precisa passar pela análise parlamentar, enquanto sua constitucionalidade é contestada no Judiciário.
Lula mantém posição contrária às bets
A posição do presidente sobre as apostas online foi expressa tanto durante a campanha eleitoral quanto em declarações públicas anteriores ao segundo turno. No programa de governo apresentado para a reeleição, Lula mencionou medidas relacionadas ao atendimento de pessoas com transtornos associados ao jogo excessivo e à manutenção de mecanismos de controle de gastos com apostas.
Em entrevista ao Flow Podcast, em 1º de outubro, o presidente demonstrou confiança de que o Congresso manteria a proibição. Ao comentar a possibilidade de os parlamentares reverterem a medida, afirmou: “Duvido que o Congresso tenha coragem de acabar com ela. Mesmo alguns que são sócios de tigrinho”.
Na mesma entrevista, Lula associou a decisão aos impactos sociais que atribui às apostas, especialmente ao endividamento de pessoas e famílias. O presidente afirmou ter conhecido casos de pessoas próximas afetadas pelo problema e reconheceu que proibir as plataformas não elimina, por si só, a atividade ilegal.
Ao explicar sua posição, declarou: “Não tem nenhuma prova de que acabar com as bets me deu voto até agora. A única questão é a seguinte: eu tomei a decisão de não permitir que o povo pobre seja extorquido, vendendo o dinheiro do feijão do filho, do leite do filho, do pão do filho, para jogar”.
Em uma transmissão ao vivo realizada em 22 de outubro, com o deputado André Janones e a influenciadora Nath Finanças, Lula voltou a defender a continuidade da proibição. “Não voltará mais a bet. Quem quiser ganhar dinheiro, vai trabalhar”, declarou. Na mesma ocasião, afirmou: “Temos que acabar com essa praga, porque se a gente não acabar, a bet vai acabar com o povo brasileiro”.
Campanha reduziu o espaço dedicado às apostas
Após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, a campanha de Lula reduziu as referências às apostas online em vídeos e publicações. O material original da Focus Gaming News cita um levantamento divulgado pela imprensa que apontou queda superior a 63% nas menções às bets.
Segundo as informações relatadas pela publicação, a mudança ocorreu em meio a avaliações internas sobre os efeitos eleitorais da proibição. Integrantes da campanha teriam considerado a possibilidade de a medida prejudicar a candidatura, contrariando a expectativa inicial de que o banimento poderia fortalecer o presidente na disputa.
Essas avaliações devem ser entendidas como relatos sobre a estratégia política da campanha, e não como comprovação de que a proibição tenha determinado o resultado eleitoral. O conteúdo também registra críticas de entidades do setor e de clubes de futebol que mantinham relações comerciais com empresas de apostas.
MP 1.394/2026 coloca o mercado sob pressão regulatória
A MP nº 1.394/2026 estabelece a proibição da exploração, da oferta, da intermediação e da publicidade de apostas de quota fixa. A tramitação pode ser acompanhada na página oficial do Congresso Nacional, que registra a publicação da medida em 25 de setembro de 2026 e o prazo inicial de deliberação até 23 de novembro.
O Congresso poderá aprovar o texto, propor alterações durante a tramitação ou rejeitá-lo, conforme as regras aplicáveis às medidas provisórias. Por isso, a posição política manifestada pelo presidente não encerra a discussão legislativa nem determina, isoladamente, o resultado final da norma.
A mudança afeta um mercado que havia sido regulamentado pela Lei nº 14.790, de dezembro de 2023, e iniciado suas operações sob o novo marco regulatório em janeiro de 2025. A eventual manutenção, alteração ou derrubada da proibição poderá influenciar as condições de funcionamento das empresas, os contratos comerciais e a relação entre operadores, fornecedores, clubes esportivos e veículos de comunicação.
O debate também envolve a diferença entre empresas que atuavam sob autorização regulatória e operadores clandestinos. Representantes do setor argumentam que a proibição pode aumentar a incerteza jurídica e favorecer plataformas irregulares. Esses efeitos são apresentados como preocupações das entidades e não devem ser tratados como consequências definitivas sem dados que os comprovem.
STF analisa questionamentos à proibição
Além da análise legislativa, a constitucionalidade da MP é alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal. Em 28 de setembro, o STF informou que a Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja) havia ajuizado a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8.024, pedindo a suspensão integral da medida.
Entre os argumentos apresentados pela associação está a alegação de que não haveria urgência suficiente para justificar a edição de uma medida provisória. Trata-se de um argumento da parte autora, e não de uma conclusão judicial definitiva sobre a validade da norma.
O alcance de uma eventual decisão do STF dependerá do conteúdo do julgamento e das determinações estabelecidas pela Corte. Uma decisão que suspenda ou invalide a medida poderá modificar seus efeitos, mas não é possível afirmar antecipadamente qual será o resultado do processo.
O andamento das discussões jurídicas pode ser consultado nas informações divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal sobre a ADI 8.024.
O que pode acontecer com as apostas online no Brasil?
O futuro das bets depende de decisões que seguem caminhos institucionais distintos. No Congresso, deputados e senadores poderão discutir o conteúdo da MP e decidir sobre sua continuidade. No STF, os ministros poderão avaliar os argumentos constitucionais apresentados contra a proibição e definir os efeitos de eventual decisão judicial.
Para as empresas, a situação mantém um cenário de incerteza regulatória. Operadores, fornecedores e parceiros comerciais precisam acompanhar a tramitação legislativa e os processos judiciais para compreender as condições legais aplicáveis às suas atividades. O resultado também poderá afetar o debate sobre fiscalização, proteção dos consumidores e combate às plataformas clandestinas.
O tema se relaciona diretamente com a regulação das apostas esportivas e com as regras aplicáveis aos cassinos online. Para acompanhar as mudanças normativas, o leitor também pode consultar a seção de legislação do Conexão Bet.
Embora Lula tenha reafirmado sua intenção de manter a proibição, a reeleição não torna a MP definitiva. A decisão sobre a continuidade do banimento, sua eventual modificação ou a possibilidade de retomada das operações dependerá da tramitação no Congresso e da análise judicial. Até que esses processos produzam definições aplicáveis, o futuro do mercado permanece sujeito a mudanças.
Perguntas frequentes sobre as bets no Brasil
Com a reeleição de Lula, as bets continuarão proibidas?
A MP nº 1.394/2026 estabeleceu a proibição das apostas de quota fixa. Lula defende sua manutenção, mas o resultado eleitoral não substitui a análise do Congresso nem resolve os questionamentos apresentados ao STF.
Quando o Congresso deverá analisar a MP?
O prazo inicial de deliberação registrado pelo Congresso Nacional termina em 23 de novembro de 2026. A tramitação pode ser acompanhada na página oficial da medida provisória.
O STF pode mudar o cenário das apostas?
Sim. O Supremo pode decidir sobre os questionamentos constitucionais apresentados contra a medida. Os efeitos dependerão do conteúdo e do alcance de uma eventual decisão.
Lula pretende autorizar novamente as apostas online?
Nas declarações citadas nesta reportagem, o presidente defendeu a continuidade da proibição. Essa posição política, contudo, não substitui as decisões legislativas e judiciais necessárias para definir o futuro jurídico do setor.
Fonte: Focus Gaming News | Autor: henriquea

