Mercado ilegal de apostas pode crescer com restrições a cassinos

Simulações da ANJL apontam que uma eventual proibição dos cassinos online poderia elevar a participação clandestina de 41% para até 82% do volume apostado.

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Uma eventual proibição dos cassinos online no Brasil poderia ampliar a participação do mercado ilegal de apostas, segundo simulações apresentadas pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). De acordo com a entidade, a fatia clandestina poderia passar dos atuais 41% para até 82% do volume jogado no país.

Nas estimativas da ANJL, esse cenário representaria a transferência de valores entre R$ 8,2 bilhões e R$ 19,1 bilhões por ano para operadores irregulares. A associação também calcula que as perdas para os cofres públicos poderiam alcançar R$ 7,4 bilhões anuais.

Mercado ilegal de apostas é apontado como risco

Para a ANJL, uma eventual restrição severa aos cassinos online não eliminaria a demanda existente, mas poderia deslocar parte dos usuários para plataformas clandestinas. A entidade sustenta que esse movimento dificultaria a aplicação das regras de proteção existentes no ambiente regulado.

Entre os mecanismos citados está o impedimento de participação em plataformas autorizadas para cerca de 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A associação também menciona mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão registrados na esfera regulada. O mecanismo permite que usuários solicitem o bloqueio de seu acesso às plataformas autorizadas.

Segundo a ANJL, essas ferramentas de proteção não estão disponíveis da mesma forma em sites clandestinos. A entidade afirma ainda que operadores irregulares utilizam publicidade para alcançar públicos como jovens e pessoas endividadas.

O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, afirmou que medidas de restrição poderiam produzir um efeito diferente do pretendido caso parte da demanda migrasse para plataformas não autorizadas.

“Os alertas já foram dados por entidades credenciadas, economistas, autoridades e até por ministro do STF.

Esperamos que as decisões levem em consideração avaliações técnicas, porque o site ilegal não vai sumir com uma medida provisória.

Pelo contrário, será o melhor ambiente para atuação dessas empresas”, afirmou.

Levantamento aponta presença de sites clandestinos

Um estudo organizado pela ANJL também aponta uma diferença significativa entre a quantidade de endereços clandestinos identificados e os registros de empresas autorizadas.

Segundo a associação, existem 355 endereços clandestinos ativos para cada página credenciada. Enquanto a indústria legalizada possui 187 registros, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) teria barrado mais de 66 mil domínios não autorizados desde o início de 2025.

O levantamento citado pela entidade também considera dados relacionados ao bloqueio de páginas. De acordo com cruzamentos de informações com o Tribunal de Contas da União (TCU), quase 12 mil dos endereços punidos continuavam acessíveis aos jogadores.

Novos domínios dificultam fiscalização

A velocidade de criação e substituição de endereços é apontada pela ANJL como um dos obstáculos para o combate ao mercado clandestino. Segundo o monitoramento da entidade, quase 14 novos sites ilegais surgiram por dia entre junho e agosto de 2026.

A associação também rastreou mais de 1.600 casos nos quais uma marca considerada ilegal, após ter um endereço derrubado, migrou para outro domínio e continuou operando.

O cenário coloca o bloqueio de domínios no centro da discussão sobre fiscalização. Embora a medida possa restringir o acesso a determinadas páginas, a criação de novos endereços permite que operadores tentem manter a oferta disponível.

O mercado regulado de apostas é submetido a regras específicas de autorização e fiscalização, enquanto as plataformas não autorizadas estão sujeitas a medidas de bloqueio e outras ações de combate à operação irregular.

ANJL questiona eficácia dos bloqueios isolados

Plínio Lemos Jorge ressaltou que a dinâmica de substituição de domínios dificulta o combate às operações clandestinas quando a estratégia se concentra apenas na retirada de páginas específicas.

“Os números indicam que o bloqueio de domínios, embora reduza o acesso a parte das plataformas, não elimina a oferta ilegal.

Na prática, os operadores podem recorrer à criação de novos endereços e à migração de suas marcas para outros domínios.

É a lógica do mercado clandestino e como ele está operando no Brasil”, concluiu.

A avaliação do presidente da ANJL está relacionada aos dados apresentados pela própria entidade sobre a quantidade de endereços clandestinos e a velocidade de substituição de domínios. As conclusões sobre os possíveis efeitos de uma proibição dos cassinos online correspondem às simulações divulgadas pela associação.

Proteção ao usuário entra no debate

Outro ponto levantado pela ANJL é o conjunto de mecanismos de proteção disponível no ambiente regulado. Segundo a entidade, cerca de 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do BPC estão impedidos de apostar nas plataformas autorizadas.

A associação também afirma que mais de 1,2 milhão de usuários já solicitaram autoexclusão. A ferramenta integra os mecanismos destinados a restringir o acesso de pessoas que optam por não participar das plataformas reguladas.

Na avaliação da entidade, uma eventual migração para sites clandestinos poderia retirar parte dos usuários desse ambiente de controle. A ANJL afirma que operadores irregulares não estão submetidos às mesmas regras aplicadas às empresas autorizadas.

As informações sobre empresas autorizadas podem ser consultadas na relação oficial mantida pela Secretaria de Prêmios e Apostas.

Possíveis impactos sobre arrecadação

Além das questões relacionadas à proteção dos usuários, a ANJL estima impacto sobre a arrecadação tributária em um cenário de crescimento do mercado clandestino. A entidade calcula perdas de até R$ 7,4 bilhões por ano para os cofres públicos.

O estudo também projeta que entre R$ 8,2 bilhões e R$ 19,1 bilhões anuais poderiam migrar para operadores irregulares caso fosse adotada uma medida restritiva severa aos cassinos online.

Os números são estimativas da associação e representam um cenário projetado, não valores efetivamente registrados após uma eventual mudança na legislação.

O debate sobre o mercado ilegal de apostas está relacionado às discussões mais amplas sobre fiscalização, proteção dos usuários e funcionamento do setor regulado no Brasil.

A questão também integra o cenário do iGaming, que reúne diferentes modalidades de jogos e serviços digitais. Eventuais mudanças nas regras para cassinos online podem ter efeitos sobre a relação entre operadores autorizados, usuários e plataformas clandestinas.

Fonte: iGaming Brazil | Autor: Lucas Olivan

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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