O Governo Federal publicou nesta quarta-feira (28) uma mensagem nas redes sociais incentivando brasileiros a procurar deputados e senadores para defender a continuidade da proibição das apostas de quota fixa no país. A iniciativa ocorre enquanto o Congresso Nacional discute a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas apostas no território brasileiro.
Na publicação atribuída ao perfil oficial do governo no Instagram, o Executivo destaca que a medida já produz efeitos, mas precisa ser aprovada pelo Legislativo para continuar valendo. A mensagem utiliza a frase “Agora, é a vez do Congresso Nacional!” e orienta a população a entrar em contato com seus representantes.
A mobilização acontece em meio ao debate sobre o futuro do mercado de apostas no Brasil. A medida provisória também é questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Luiz Fux convocou uma audiência pública para discutir seus impactos.
Governo pede participação popular no debate sobre as bets
A mensagem divulgada pelo Executivo procura estimular a participação da população na discussão sobre a continuidade da proibição. Na legenda da publicação, o governo utiliza a expressão “Fim de jogo para as bets no Brasil!” para reforçar seu posicionamento favorável à manutenção da medida.
O texto também destaca que a proibição tem efeito imediato, mas depende da aprovação do Congresso Nacional para continuar em vigor. Por isso, a orientação é que cidadãos conversem com deputados federais e senadores sobre o tema.
A iniciativa representa uma tentativa de mobilização pública em torno de uma decisão que envolve políticas governamentais, legislação, regulação econômica e os interesses de diferentes setores. A publicação, por si só, não altera o andamento formal da tramitação nem substitui a votação dos parlamentares.
O debate envolve posições distintas. Enquanto o Executivo defende a proibição prevista na MP, representantes da indústria de apostas questionam a legalidade da medida e defendem sua suspensão ou revisão.
O que estabelece a Medida Provisória nº 1.394/2026
Publicada em 25 de setembro de 2026, a MP nº 1.394/2026 proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa em todo o território nacional. A medida abrange apostas esportivas e jogos on-line, inclusive quando oferecidos por empresas sediadas no exterior a pessoas localizadas no Brasil.
Segundo o Ministério da Fazenda, a norma também estabeleceu um cronograma para o encerramento das operações e procedimentos para a retirada e a devolução de valores mantidos por apostadores nas plataformas.
A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas autorizadas por lei. Portanto, o alcance da medida está relacionado especificamente às apostas de quota fixa, categoria que inclui apostas esportivas e jogos on-line oferecidos nesse modelo.
Como medida provisória, a norma produz efeitos desde sua publicação, mas precisa ser apreciada pelo Congresso Nacional para se converter definitivamente em lei. Durante a tramitação, os parlamentares podem discutir sua aprovação, rejeição ou alterações, conforme os procedimentos legislativos aplicáveis.
Prazo de análise e propostas de parlamentares
O material divulgado pela Focus Gaming News aponta 23 de novembro como prazo inicial para a análise da MP, com possibilidade de prorrogação por mais 60 dias. O calendário legislativo e a situação atual da tramitação devem ser conferidos nos registros oficiais do Congresso antes da publicação.
Durante a discussão, parlamentares apresentaram emendas com propostas diferentes para o setor. Entre as alternativas mencionadas estão a revogação da proibição, a retomada parcial das apostas e a manutenção das restrições estabelecidas pelo Executivo.
Essas propostas não significam, por si só, que a proibição tenha sido revogada ou que as atividades possam ser retomadas. O resultado depende da tramitação e das decisões legislativas aplicáveis à medida provisória.
Para acompanhar o contexto regulatório, o leitor pode consultar a seção de legislação do Conexão Bet, que reúne conteúdos relacionados às normas e às discussões jurídicas do setor.
STF marcou audiência pública sobre a proibição
Além da análise no Congresso, a constitucionalidade da MP está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal. O ministro Luiz Fux convocou uma audiência pública para 3 de novembro de 2026, às 10h, na sala de sessões da Segunda Turma do STF.
De acordo com o tribunal, o encontro foi marcado no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A audiência pretende reunir informações e argumentos sobre os impactos da medida antes do julgamento das ações relacionadas ao tema.
A lista divulgada pelo STF prevê a participação de 26 instituições e entidades, incluindo representantes do governo federal, associações do setor, clubes de futebol, organizações empresariais e instituições ligadas à pesquisa e à regulação.
Entre as entidades participantes estão a ANJL e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que contestam a medida. Clubes como Flamengo, Fluminense, Corinthians, Cruzeiro e São Paulo também estão entre os representantes previstos, ao lado de outras equipes e instituições esportivas.
O comunicado oficial do STF sobre a audiência pública informa que a iniciativa atende a solicitações da Advocacia-Geral da União, da entidade autora da ação e de organizações admitidas no processo.
Entidades do setor questionam a medida provisória
A ANJL e o IBJR defendem a suspensão da proibição e questionam, entre outros aspectos, a existência dos requisitos constitucionais de relevância e urgência para a edição de uma medida provisória.
A Advocacia-Geral da União, por sua vez, sustenta a constitucionalidade da norma e argumenta que o governo federal tem competência para estabelecer quais modalidades lotéricas podem ser exploradas no país.
O debate jurídico envolve, assim, a competência do Executivo, os limites constitucionais das medidas provisórias e os efeitos da proibição sobre empresas, consumidores e outros setores relacionados ao mercado de apostas.
A audiência pública permitirá que os participantes apresentem informações e argumentos sobre esses pontos. Sua realização, entretanto, não significa que o STF tenha decidido pela manutenção ou pela suspensão da medida.
Próximos passos para o mercado de apostas
O futuro das apostas de quota fixa no Brasil depende do andamento da medida provisória no Congresso e da análise dos questionamentos judiciais. As duas frentes seguem procedimentos próprios: a tramitação legislativa define o destino da MP, enquanto o STF examina as questões constitucionais submetidas à Corte.
A mobilização do governo nas redes sociais acrescenta um componente de participação pública ao debate. Ao incentivar o contato com deputados e senadores, o Executivo procura ampliar o apoio à continuidade da proibição, mas a decisão formal permanece submetida às instituições competentes.
Até que haja novas decisões legislativas ou judiciais, é importante distinguir o posicionamento político do governo, as propostas apresentadas pelos parlamentares e os atos oficiais que definem a situação jurídica da medida provisória.
Fonte: Focus Gaming News | Autor: Henrique A.

